No mês da Pessoa Idosa, dados da ABMotéis ajudam a
desconstruir estereótipos sobre relacionamentos e sexualidade na maturidade
Envelhecer com saúde é também preservar a autonomia, os vínculos afetivos e o direito de viver novas experiências. Em uma sociedade que ainda associa a velhice à perda do desejo e da vida amorosa, falar sobre intimidade e sexualidade na maturidade, no mês em que é celebrado o Dia Internacional e Nacional da Pessoa Idosa, é fundamental para combater preconceitos e reconhecer que o afeto continua sendo parte importante do bem-estar em todas as fases da vida.
Dados do setor moteleiro ajudam a ilustrar essa realidade. Pesquisa realizada em 2023 pela Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) revelou que 37% dos frequentadores de motéis têm entre 50 e 65 anos. O levantamento também apontou que 85% do público é formado por casais em relacionamentos estáveis, evidenciando a presença de pessoas maduras entre os consumidores desse segmento da hospitalidade.
Mais do que
números, os dados convidam a refletir sobre a permanência da vida afetiva e
íntima com o passar dos anos. Para a psicóloga Valmari Cristina Aranha Toscano,
membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia (SBGG), o amor não tem idade, e a possibilidade de
construir relacionamentos não deve ser limitada por estereótipos associados ao
envelhecimento. Ela explica que é possível se interessar e querer viver com uma
pessoa independentemente da idade e isso depende muito mais do interesse do
casal em construir esse vínculo e das condições atuais de vida. “O amor
acontece de maneiras diferentes em cada etapa, e se relacionar afetivamente na
velhice é importante, pois faz a pessoa se sentir viva e socialmente inserida”,
afirma.
Afeto,
autoestima e qualidade de vida
Com o aumento da
expectativa de vida e as mudanças na forma de envelhecer, muitas pessoas chegam
aos 60 anos ou mais com boas condições físicas e cognitivas, além de disposição
para construir novos vínculos e manter uma vida íntima ativa.
De acordo com a
psicóloga, a experiência acumulada ao longo dos anos também pode contribuir
para relações mais conscientes, embora a idade, por si só, não determine a
maturidade emocional ou a capacidade de manter um relacionamento. “Apesar das
transformações sociais, a ideia de que pessoas idosas não namoram ou não têm
interesse sexual continua presente. Esse tipo de visão está associado ao
etarismo, a discriminação baseada na idade, que pode se manifestar inclusive
dentro das famílias.”
Sexualidade e
intimidade não têm prazo de validade
A presença de
pessoas com mais de 50 anos entre os frequentadores de motéis também ajuda a
questionar a ideia de que a intimidade perde espaço necessariamente com o
envelhecimento. Privacidade, conforto e momentos a dois continuam fazendo parte
da vida de muitos casais maduros. Segundo a psicóloga, o interesse por buscar novas formas de experimentar o prazer
e o sexo, pode levar muitas pessoas idosas a conhecer e frequentar motéis como
forma de expandir e diversificar a vida sexual. “A pesquisa que fizemos
abre também um espaço para um debate mais amplo sobre como a sociedade enxerga
o envelhecimento e reconhece o direito das pessoas maduras de viver a
afetividade e a sexualidade”, complementa a presidente da ABMotéis, Larissa
Calabrese.
Associação Brasileira de Motéis - ABMotéis
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
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