Maranhão registrou mais de 46 mil internações em dez anos. Dia Mundial do AVC alerta para cuidados que ajudam a prevenir uma das principais causas de morte no Brasil
Controlar a pressão arterial, não fumar e manter o acompanhamento do diabetes e do colesterol são cuidados fundamentais para reduzir o risco de AVC, uma das principais causas de morte no Brasil. No Maranhão, um estudo identificou 46.519 internações pela doença entre 2014 e 2023, com 7.271 mortes durante as hospitalizações. Com a proximidade do Dia Mundial do AVC, em 29 de outubro, os números reforçam a importância da prevenção e do reconhecimento dos primeiros sinais.
“A prevenção começa antes de qualquer sintoma. A pressão alta pode passar despercebida, e muita gente só descobre o problema depois de uma complicação. Medir a pressão e seguir o tratamento indicado são cuidados que precisam fazer parte da rotina”, afirma Bernard Giancristoforo, médico radiologista intervencionista.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, pessoas com hipertensão têm um risco de AVC quase três vezes maior do que aquelas sem a condição. Reduzir o consumo de sal, praticar atividade física regularmente, evitar o cigarro e limitar o consumo de álcool ajudam a diminuir esse risco. O acompanhamento médico também permite identificar problemas como a fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração que pode favorecer a formação de coágulos.
Conhecido popularmente como derrame, o AVC ocorre quando um vaso que leva sangue ao cérebro fica obstruído ou se rompe. O levantamento sobre o Maranhão, publicado em setembro de 2025 na revista Amazônia Science & Health, utilizou registros do Sistema de Informações Hospitalares do SUS e identificou maior ocorrência entre homens e idosos. Os números correspondem a internações e mortes hospitalares, não ao total de casos e óbitos no estado.
Mesmo com a prevenção, saber reconhecer uma emergência é essencial. Boca torta, dificuldade para falar e perda de força em um lado do corpo, quando aparecem de repente, são sinais para acionar imediatamente o Samu pelo 192. Alterações súbitas na visão, desequilíbrio e dor de cabeça muito intensa e inesperada também exigem atenção.
“Não se deve esperar para ver se passa. O AVC pode acontecer sem dor, e a pessoa pode continuar acordada. A rapidez para buscar socorro influencia as possibilidades de tratamento e as chances de preservar a independência”, explica Giancristoforo.
No hospital, exames de imagem identificam o tipo de AVC e orientam a conduta. Quando há obstrução de uma artéria, pacientes elegíveis podem receber medicamentos para dissolver o coágulo. Em determinados casos, também é possível retirá-lo por meio de um cateter, procedimento chamado trombectomia mecânica. A escolha depende dos exames, das condições clínicas e do tempo de evolução.
“O
tratamento busca reduzir o dano ao cérebro, mas não substitui a prevenção.
Cuidar da pressão, do diabetes e dos demais fatores de risco continuam sendo
necessário depois da alta, inclusive para diminuir a chance de um novo AVC”,
afirma o médico.
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