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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Quem faz a ciência acontecer além dos laboratórios?

 

Da Amazônia à inteligência artificial aplicada à saúde, grandes projetos científicos revelam a importância de uma dimensão pouco visível da pesquisa: a gestão que contribui para transformar conhecimento em benefícios para a sociedade.
 


O que uma pesquisa sobre o futuro da Amazônia e o desenvolvimento de inteligência artificial para prevenir doenças têm em comum? Além do potencial de transformar a sociedade, ambos dependem de uma estrutura de gestão capaz de viabilizar recursos, parcerias e condições para que a ciência avance. 

O AmazonFACE, experimento que investiga os efeitos do aumento de CO₂ sobre a floresta amazônica, é o maior projeto de pesquisa já apoiado pela Funcamp em volume financeiro. Já o Viva Bem, parceria entre Unicamp, FAPESP e Samsung, desenvolve pesquisas em inteligência artificial aplicada à saúde preventiva e personalizada. Em ambos, a Fundação contribui com a gestão administrativa e financeira, respeitando as particularidades e os objetivos de cada iniciativa.

Esses exemplos revelam uma dimensão frequentemente invisível da produção científica: entre uma ideia e sua realização, existe um caminho que envolve planejamento, financiamento, pessoas, infraestrutura, governança e cooperação.
A ciência precisa de recursos. Mas também precisa de capacidade para transformá-los em resultados.

Quando uma descoberta científica se transforma em uma nova tecnologia, um tratamento de saúde ou uma oportunidade educacional, o protagonismo pertence aos pesquisadores e às instituições que produzem conhecimento. Entretanto, para que esse conhecimento alcance seu potencial, é necessário contar com estruturas capazes de sustentar sua execução.

É nesse contexto que a Funcamp exerce um papel estratégico, contribuindo para aproximar a produção acadêmica das necessidades da sociedade e criar condições para que projetos de ensino, pesquisa, inovação e saúde avancem.


A ciência precisa de recursos. Mas também precisa de capacidade para transformá-los em resultados.

Essa reflexão ganha importância quando observamos a complexidade do sistema brasileiro. Os indicadores nacionais divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que, em 2023, o setor governamental respondeu por 48% dos dispêndios em pesquisa e desenvolvimento no país, enquanto o setor empresarial representou 52%.

Os números revelam a participação de diferentes atores no financiamento científico. Mas também convidam a uma pergunta: como estamos criando condições para que esses investimentos cumpram sua finalidade?

A gestão também faz parte da infraestrutura científica.

Quando pensamos em infraestrutura de pesquisa, imaginamos laboratórios, equipamentos, bibliotecas e centros tecnológicos. Todos são indispensáveis.

Mas uma pesquisa também depende de processos que permitam adquirir insumos, contratar serviços, administrar recursos, estabelecer parcerias e cumprir obrigações legais.

Essas atividades podem parecer distantes da descoberta científica. Na prática, são parte das condições necessárias à sua realização. 

No Brasil, as fundações de apoio contribuem para essa estrutura. A Funcamp, por exemplo, atua na gestão administrativa e financeira de projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento científico e tecnológico e inovação.

 

Dr. Orival Andries Junior — Diretor Executivo da Funcamp


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