Pesquisar no Blog

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Artrose no quadril atinge 10 milhões de brasileiros

Doris Ramos voltou a fazer coisas simples do dia a dia, como subir escadas.
Três meses após a artroplastia de quadril, viajou ao Chile.
Caminhou bastante e fez tudo o que queria, sem sentir dor.
(Crédito: Arquivo pessoal / Dóris Ramos)

Estudo internacional aponta aumento de 116% nos casos de osteoartrite entre pessoas em idade produtiva, de 1990 a 2021; cirurgias de substituição do quadril (próteses) são alternativa que melhoram a dor e recuperam a mobilidade nos casos mais avançados

 

A artrose no quadril atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo informação divulgada pela Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ) com base em dados atribuídos ao Ministério da Saúde. O problema também preocupa entre pessoas mais jovens: estudo publicado em 2025 na revista científica Scientific Reports, com dados de 204 países e territórios, identificou um aumento de 116,16% no número de casos de osteoartrite entre pessoas em idade produtiva, de 1990 a 2021. Embora a doença seja mais frequente com o avanço da idade, ela também pode comprometer a rotina de adultos que trabalham, viajam e praticam atividades físicas. 

Quando a dor e a limitação de movimentos deixam de responder adequadamente ao tratamento não cirúrgico, a artroplastia total do quadril - procedimento que substitui a articulação comprometida por uma prótese - pode ser indicada. Para muitos pacientes acompanhados pelo ortopedista e cirurgião Thiago Fuchs - assim como o Paulo e a Dóris - , a cirurgia representou a possibilidade de retomar atividades que haviam se tornado difíceis ou dolorosas. 

Aos 71 anos, Doris Mara Pasta Ramos passou de quatro a cinco anos convivendo com limitações antes de realizar a cirurgia nos dois quadris, em 2 de fevereiro de 2026. Três meses depois, viajou ao Chile e conseguiu aproveitar muito passeio. 

“Foi ótimo. Aproveitei muito, porque eu não aproveitava assim há quatro ou cinco anos”, relata. Após a fisioterapia, Doris também passou a praticar Pilates. Cerca de seis meses depois da cirurgia, diz estar muito bem e não hesita ao avaliar a decisão: faria o procedimento novamente. 

A história de Paulo Roberto Rocha Krueger, de 74 anos, também começou com uma dor que foi interferindo gradualmente na rotina. O incômodo na virilha e na coxa parecia, no início, uma dor muscular. Com o tempo, jogar futebol ficou difícil, e até movimentos cotidianos, como levantar da cadeira e entrar ou sair do carro, passaram a provocar desconforto.

Paulo Krueger voltou à agenda intensa de atividades físicas,
 incluindo o tênis, que ele tanto gosta, mas havia parado
por causa das dores, até que ele fez a artroplastia de quadril.
(Crédito: Arquivo pessoal / Paulo Krueger)

Paulo chegou a realizar infiltrações com ácido hialurônico. A primeira trouxe alívio por cerca de oito meses, mas o efeito da segunda foi menor, enquanto o comprometimento da articulação avançava. Em 24 de setembro de 2024, ele passou por uma artroplastia total do quadril direito. 

A recuperação exigiu fisioterapia e dedicação aos exercícios, com acompanhamento da fisioterapeuta Ana Ribeiro e orientações do Dr. Thiago Fuchs. Hoje, Paulo joga tênis de duas a três vezes por semana, faz Pilates duas vezes por semana e frequenta a academia para fortalecer a musculatura. 

“É libertador. Não ter mais dor, sem limitações. É muito bom viver sem dor”, afirma. Ele também destaca a importância da reabilitação para o resultado alcançado: “Por orientação do Dr. Thiago, os exercícios são essenciais para o bom resultado obtido com a prótese. Eu recomendo. Acho que a prótese de quadril é uma solução muito boa. E os métodos estão cada vez mais avançados para ajudar nesse sucesso.”

 

Quando a prótese de quadril é indicada?

A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença que afeta a articulação e envolve alterações na cartilagem e em outras estruturas, podendo provocar dor, rigidez e perda progressiva de mobilidade. No quadril, o desconforto costuma aparecer na região da virilha, mas também pode se manifestar na lateral da articulação, na região glútea ou irradiar para a coxa, especialmente na parte da frente. 

A doença não tem uma única causa. Além do envelhecimento, fatores como predisposição genética, obesidade, lesões anteriores ou fraturas, alterações na formação óssea (como o impacto femoroacetabular e displasia), a osteonecrose e doenças reumáticas podem contribuir para seu desenvolvimento. Por isso, pessoas mais jovens também podem apresentar o problema. 

O tratamento depende do quadro clínico, do impacto dos sintomas na rotina e da avaliação médica. Nas fases iniciais, pode envolver exercícios orientados, fortalecimento muscular, controle do peso e medicamentos para aliviar a dor, conforme a necessidade de cada paciente. A cirurgia não é indicada apenas pela presença de alterações nos exames de imagem: a decisão considera também a intensidade dos sintomas e as limitações funcionais. 

“Nos casos avançados, quando a dor e a perda de mobilidade comprometem a qualidade de vida e as medidas não cirúrgicas, como o trabalho muscular, a melhora funcional ou a infiltração de ácido hialurônico, já não oferecem alívio suficiente, a artroplastia pode ser uma alternativa. O objetivo é reduzir a dor e recuperar a função, para que o paciente volte a realizar suas atividades com mais autonomia”, explica o Dr. Thiago Fuchs. 

 

A recuperação continua depois da cirurgia

O resultado da artroplastia não depende apenas do procedimento. A reabilitação, o fortalecimento muscular e a retomada gradual das atividades são partes importantes do processo. O ritmo de recuperação varia conforme as condições de saúde, o nível de comprometimento da articulação e as características de cada paciente. 

As histórias de Doris e Paulo mostram como a melhora pode se traduzir em mudanças concretas no dia a dia: aproveitar uma viagem, praticar esportes e realizar movimentos que antes provocavam dor. A volta a cada atividade, no entanto, deve respeitar as orientações da equipe responsável pelo tratamento. 

 

Thiago Fuchs - médico ortopedista e cirurgião formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mais de 15 anos de experiência e atuação dedicada ao tratamento de problemas do quadril e do joelho. Sua área de atuação vai desde a preservação da articulação, com orientação e melhora da qualidade de vida, cirurgias minimamente invasivas como artroscopia do quadril e do joelho, infiltrações e terapias biológicas, até as artroplastias pela técnica convencional e cirurgia robótica.

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados