Hipertensão, colesterol elevado, diabetes e sedentarismo também aumentam o risco entre adultos jovens; reconhecer os sinais e buscar atendimento imediato é decisivo para o tratamento
O alerta vai além da prevenção entre pessoas idosas: o acidente vascular cerebral também pode acontecer em adultos mais jovens e está associado a fatores de risco que precisam ser acompanhados ao longo da vida. Hipertensão, alterações nos níveis de colesterol e glicose, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores que podem aumentar o risco da doença e precisam ser acompanhados ao longo da vida.
A prevenção passa pelo controle desses fatores. Segundo o neurologista Aquiles José Vasconcellos Mamfrim, do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, peso, circunferência abdominal e hábitos como alimentação, atividade física, sono e consumo de álcool devem fazer parte do acompanhamento de rotina, especialmente a partir dos 40 anos de idade.
Na alimentação, o médico destaca a redução do consumo de sódio, além de carnes vermelhas e processadas, bebidas açucaradas e alimentos ricos em gordura saturada. Frutas, vegetais, fibras e laticínios aparecem associados a menor risco. A prática regular de atividade física também tem papel importante na prevenção, com exercícios aeróbicos de intensidade moderada a vigorosas combinadas ao treinamento de força. Para quem é sedentário e pretende iniciar atividades mais intensas, a necessidade de avaliação médica depende do nível atual de atividade, da presença de sintomas ou doenças e do tipo de exercício que será realizado.
O histórico familiar também merece atenção. Pessoas que têm pai, mãe ou irmãos que já tiveram AVC apresentam maior risco ao longo da vida. Estudos populacionais citados pelo especialista indicam que esse risco pode ser de duas a três vezes maior, embora varie de acordo com o grau de parentesco e o tipo de AVC ocorrido na família. Pessoas com fatores de risco não modificáveis, como histórico familiar, idade avançada e AVC prévio, devem redobrar a atenção ao controle dos fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada.
Além da prevenção, reconhecer rapidamente que algo está errado é fundamental. Diante do início súbito de sintomas compatíveis com AVC, a orientação é procurar atendimento imediatamente. O intervalo entre o começo dos sintomas e a avaliação médica pode influenciar as chances de recuperação e o risco de sequelas.
Embora o risco de AVC aumente com a idade, o problema também atinge adultos jovens. Dados reunidos pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde indicam que 16% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 50 anos. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo estão entre os fatores associados ao risco. O reconhecimento dos sintomas, como fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar e alterações na visão ou no equilíbrio, é fundamental para buscar atendimento de emergência sem demora.
No Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), o neurologista e pesquisador Marcus Tullius reforça a importância de não esperar os sintomas passarem. “O paciente com AVC não pode perder tempo. Desde a chegada ao hospital, existe uma sequência de etapas que precisa acontecer de forma rápida e integrada para aumentar as chances de recuperação e reduzir o risco de sequelas”, afirma.
O AVC pode ser causado pela obstrução de um vaso sanguíneo, caracterizando o tipo isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso, no caso do hemorrágico. A definição do tipo de AVC ocorre a partir da avaliação médica e dos exames de imagem, que orientam a conduta adequada para cada paciente.
O
alerta reúne duas frentes que começam antes mesmo da emergência: reduzir os
fatores de risco ao longo da vida e saber reconhecer a necessidade de
atendimento imediato quando os primeiros sinais aparecem.
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