Fraturas podem acontecer durante
brincadeiras e quedas, e o tratamento depende da gravidade do trauma e do tempo
que falta para a troca dentária
Quedas durante as brincadeiras, acidentes domésticos e colisões em atividades esportivas estão entre as situações que podem levar uma criança a quebrar um dente de leite. Diante do acidente, muitos pais ficam em dúvida sobre o que fazer e se vale a pena consertar um dente que será substituído naturalmente. A resposta depende da extensão da fratura, da presença de dor e da condição do dente. Mesmo quando o dano parece pequeno, é importante procurar um dentista para avaliar a necessidade de tratamento.
Os dentes
de leite têm funções importantes durante a infância. Além de participar da
mastigação e da fala, eles ajudam a manter o espaço necessário para o
nascimento dos dentes permanentes. Para o odontopediatra e ortodontista Luiz
Vicente Lopes, do Instituto Kids de Odontologia, de Curitiba, a fratura não
deve ser ignorada apenas porque o dente é temporário. “Dependendo da gravidade,
o trauma pode provocar dor, inflamação e até comprometer os tecidos próximos ao
dente permanente em formação”, diz
.
O
que fazer quando a criança quebra um dente de leite?
A
avaliação odontológica deve acontecer o quanto antes, principalmente quando a
fratura é grande, há sangramento persistente, o dente está mole ou deslocado ou
a criança sente dor. Mesmo que não existam sintomas aparentes, o profissional
pode identificar danos que não são visíveis a olho nu.
Até o
atendimento, o ideal é oferecer alimentos macios e evitar que a criança morda
com o dente machucado. Os pais também não devem tentar colar o fragmento ou
movimentar o dente por conta própria.
Vale
a pena consertar um dente de leite quebrado?
Na
maioria das situações, vale a pena avaliar a possibilidade de tratamento.
Quando a fratura é pequena e atinge apenas a camada mais externa do dente, o
dentista pode fazer um acabamento para eliminar pontas que machucam a boca ou
realizar uma restauração. Se o dano for mais profundo, pode ser necessário um
procedimento para tratar a parte interna do dente.
Quando
a fratura atinge a polpa, região que contém nervos e vasos sanguíneos, o risco
de inflamação e infecção aumenta. Nesses casos, o tratamento depende das
condições do dente e pode envolver procedimentos específicos ou, quando não é
possível preservá-lo com segurança, a extração.
A
idade da criança e o tempo que falta para a troca dentária também entram nessa
decisão. Um dente que está próximo de cair naturalmente pode exigir uma
abordagem diferente daquele que ainda permanecerá na boca por alguns anos. Isso
não significa, porém, que seja seguro deixar o dente quebrado sem avaliação. O
dentista precisa verificar se há risco de dor, infecção ou comprometimento dos
tecidos ao redor.
Dente
de leite quebrado pode prejudicar o permanente?
Sim,
dependendo da intensidade e da localização do trauma. “Os dentes permanentes se
desenvolvem dentro dos ossos dos maxilares, próximos às raízes dos dentes de
leite. Uma lesão mais intensa pode atingir os tecidos envolvidos na formação do
dente permanente e provocar alterações na estrutura, na cor ou na erupção”,
avalia.
Isso
não significa que toda fratura causará problemas no dente definitivo. O risco
depende do tipo de lesão e da região atingida. Além do atendimento inicial,
pode ser necessário acompanhar a criança para observar a evolução do dente
traumatizado e o desenvolvimento do permanente
.
Quando
procurar atendimento de urgência?
Fraturas acompanhadas de dor intensa, deslocamento importante do dente, sangramento que não cessa ou ferimentos profundos precisam de avaliação urgente. Se a queda também provocar perda de consciência, vômitos, confusão ou sonolência incomum, a criança deve ser encaminhada imediatamente a um serviço de emergência.
Outro
cuidado importante é não confundir um dente quebrado com um dente que saiu
completamente do lugar. Se um dente de leite cair inteiro após um trauma, ele
não deve ser colocado de volta na boca, pois isso pode prejudicar o dente
permanente em desenvolvimento. Ainda assim, a criança precisa passar por
avaliação odontológica para verificar.
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