domingo, 9 de agosto de 2026

Vai viajar com seu cachorro? Veja 6 cuidados que fazem toda a diferença para o bem-estar do pet

Especialista em comportamento animal explica como preparar o pet para viajar e alerta para erros que podem comprometer o bem-estar do animal durante as férias

 

Os animais de estimação estão cada vez mais presentes na rotina das famílias brasileiras, inclusive nos momentos de lazer. Dados do Ministério do Turismo mostram que as buscas por hotéis pet friendly cresceram 238%, enquanto as pesquisas sobre transporte de cães em aviões aumentaram 170%. Além disso, um levantamento da Hoteis.com revelou que 82% dos brasileiros pretendem viajar com seus pets.

O cenário reflete uma mudança de comportamento dos tutores, que passaram a incluir os animais em programas antes reservados apenas à família. No entanto, segundo Dan Batista, especialista em comportamento animal e sócio-fundadora da Comportpet, uma viagem bem-sucedida depende mais do que escolher um destino que aceita cães.

"Muitas pessoas organizam toda a logística da viagem, mas esquecem de avaliar como o animal vai lidar com aquela experiência. Para o cão, uma viagem representa uma sequência de mudanças: novos ambientes, cheiros desconhecidos, deslocamentos longos e alterações na rotina. Quando não há preparo, aquilo que deveria ser um momento agradável pode gerar medo, ansiedade e desconforto", explica. Com a movimentação das férias de julho, a especialista reuniu orientações para quem pretende viajar acompanhado do pet.


1. Nem todo cão gosta de viajar e tudo bem

Antes de incluir o animal no roteiro, é importante analisar seu perfil comportamental e suas condições físicas. Existe uma ideia de que o pet sempre ficará feliz por estar junto da família, mas isso nem sempre acontece.

“Alguns cães se adaptam muito bem a novos ambientes, enquanto outros apresentam insegurança diante de mudanças. Filhotes muito novos, cães idosos, animais reativos ou que sofrem com enjoos frequentes merecem uma atenção especial. Em alguns casos, permanecer em um ambiente familiar ou em um hotel especializado pode ser uma escolha mais confortável para o próprio animal. A decisão deve levar em conta o bem-estar do cão e não apenas a vontade dos tutores de levá-lo", comenta.


2. A preparação começa muito antes de arrumar as malas

Um dos erros mais comuns é acreditar que o pet se adaptará naturalmente à viagem no dia da partida.

"O ideal é apresentar gradualmente os elementos que farão parte da experiência. Se o animal nunca entra em uma caixa de transporte ou raramente anda de carro, por exemplo, ele pode interpretar aquela situação como algo ameaçador. Pequenas exposições positivas ajudam a construir familiaridade e confiança", explica.

A especialista também recomenda manter próximos objetos que façam parte da rotina do animal. "Brinquedos, mantas, caminhas e itens que carregam o cheiro da casa funcionam como referências de segurança. São elementos que ajudam o cão a entender que, mesmo em um lugar diferente, parte da sua rotina continua presente", afirma.


3. O tutor é a principal referência emocional do pet durante a viagem

Mudanças de ambiente costumam gerar um volume muito grande de estímulos para os cães Para Dan, a manutenção de hábitos conhecidos também contribui para uma adaptação mais tranquila. "Quando o animal se vê cercado por sons, pessoas e cheiros desconhecidos, ele procura referências que transmitam segurança. E a principal delas é o tutor. Por isso, manter uma postura tranquila e previsível faz toda a diferença para que o cão se sinta confiante. Sempre que possível, vale preservar horários de alimentação, passeios e descanso. A previsibilidade ajuda o animal a entender que, apesar das novidades, ele continua em um ambiente seguro", comenta Cleber.


4. Segurança no transporte não é apenas uma questão de regra, mas de proteção

Viajar com o cão solto dentro do carro ainda é uma prática comum, mas apresenta riscos importantes. A especialista recomenda o uso de equipamentos apropriados, como caixas de transporte, cadeirinhas e cintos de segurança desenvolvidos especificamente para pets.

"Em uma frenagem brusca, o animal pode sofrer lesões graves ou até provocar acidentes. O transporte adequado reduz esses riscos e oferece mais estabilidade física e emocional durante o trajeto. Outro ponto importante é criar experiências positivas relacionadas ao deslocamento. Quando o carro é associado apenas a situações desagradáveis, como consultas veterinárias, é natural que o animal demonstre resistência ou ansiedade", recomenda.


5. O comportamento sempre dá sinais quando algo não está bem

Nem sempre o estresse se manifesta de forma evidente. Ao identificar esses comportamentos, o ideal é diminuir os estímulos e permitir que o animal recupere o equilíbrio.

"Muitas vezes os tutores esperam sinais extremos para perceber que o animal está desconfortável, mas os cães costumam se comunicar muito antes disso. Bocejos repetitivos, respiração acelerada, inquietação, lambedura excessiva do focinho, postura encolhida ou busca constante por proteção são alguns sinais que merecem atenção. O comportamento é a principal forma de comunicação dos cães. Quando aprendemos a observar esses sinais, conseguimos agir antes que o desconforto evolua para uma situação mais intensa", explica a especialista.


6. A adaptação continua mesmo após a chegada ao destino

"Muitos tutores querem apresentar imediatamente todos os espaços e atividades ao pet, mas é importante respeitar o tempo de adaptação. Primeiro ele precisa observar, explorar e entender aquele ambiente. Chegar ao local da viagem não significa que o cão já esteja confortável com o novo ambiente", analisa.


Criar um espaço de referência ajuda nesse processo.

Para Dan, o segredo de uma viagem tranquila está no equilíbrio entre diversão e respeito às necessidades emocionais do animal. No fim das contas, viajar com um animal não significa apenas levá-lo junto, mas garantir que ele esteja emocionalmente preparado para viver aquela experiência. 

"Quando o tutor entende que a experiência precisa ser confortável também para o pet, tudo muda. O cão se sente mais seguro, aproveita melhor os momentos ao lado da família e cria associações positivas com a viagem. Ter um local definido para a caminha, os brinquedos, a água e a alimentação facilita a adaptação. O cão passa a reconhecer aquele espaço como um ponto seguro dentro de um cenário desconhecido", conclui Dan Batista.


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