90% dos casos de câncer de pulmão possuem como origem o hábito. Por isso, é fundamental alertar sobre os prejuízos à saúde e lembrar que é sempre tempo de parar de fumar
Agosto Branco é
dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, principal causa de morte
por câncer no mundo. Cerca de 90% dos casos da doença estão associados ao
consumo de derivados do tabaco, e fumantes têm um risco aproximadamente 20
vezes maior de desenvolver tumores pulmonares. Por isso, a campanha reforça a
importância da prevenção e da cessação do tabagismo.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pulmão segue como o tipo de
câncer que mais causa mortes no mundo. No Brasil, de acordo com a estimativa
2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 35.380
novos casos da doença por ano, sendo aproximadamente 18.730 entre homens e
16.650 entre mulheres.
Segundo dados mais
recentes do sistema Vigitel, cerca de 9% da população adulta brasileira é
fumante, embora o tabagismo continue sendo um importante problema de saúde
pública. Segundo Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co,
é necessário alertar quanto ao uso de vaporizadores de fumo, que tem sido usado
principalmente por jovens.
"Apesar da
redução do consumo de cigarros no país, em decorrência das campanhas de
conscientização e proibições do fumo, que vêm sendo aplicadas em locais
públicos desde a década de 1990, o número absoluto de tabagistas ainda é
alarmante. E os novos dispositivos tecnológicos de vape, que conquistam
especialmente as chamadas gerações Millennial e Z sob a falsa justificativa de
serem menos nocivos à saúde e por seu design moderno - que serve como atrativo
adicional para essa parcela da população - representam uma ameaça ainda maior
de retrocesso na luta contra o tabagismo", comenta a especialista.
Segundo a OMS,
mais de 8 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças
relacionadas ao tabaco. No Brasil, esse número chega a cerca de 162 mil mortes
anuais, uma média de 443 óbitos por dia.
Iluminando o
caminho
Com o avanço da
ciência, as diferentes maneiras de tratar o câncer foram se transformando ao
longo dos anos. No caso das neoplasias de pulmão, as alternativas terapêuticas
têm sido indicadas para o enfrentamento da doença, como é o caso da
radioterapia isolada. "A indicação depende principalmente do estadiamento,
tipo, tamanho e localização do tumor, além do estado geral do paciente",
diz Mariana Laloni.
A imunoterapia
exerce um papel importante para o enfrentamento do câncer de pulmão. A partir
do reconhecimento do tumor pelo organismo, e que com o passar do tempo ele irá
se "disfarçar" para não ser reconhecido e crescer, a técnica consiste
em fazer com que o corpo ative uma espécie de chave, religando a resposta
imunológica para agir contra o problema.
"Embora o
sistema imune esteja apto a prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as
células cancerígenas sempre dão um jeitinho de driblá-lo e, assim, evitar que
sejam destruídas. O papel da imunoterapia é justamente ajudar os ‘soldados’ de
defesa do organismo a agir com mais recursos contra o câncer, produzindo uma
espécie de super estímulo para que o corpo produza mais células imunes e assim
a identificação das células cancerígenas seja facilitada - devolvendo ao corpo
a capacidade de combater a doença de maneira efetiva", explica a
especialista. Entretanto, é fundamental alertar que antes de remediar, o câncer
de pulmão deve ser prevenido. Para Mariana Laloni a melhor alternativa é sempre
parar de fumar.
A seguir, a
oncologista Mariana Laloni esclarece dez perguntas e respostas comuns sobre a
relação entre o fumo e o câncer.
O fumo pode
aumentar o risco de câncer de pulmão?
Sim. O tabagismo
pode aumentar em aproximadamente 20 vezes o risco de desenvolver câncer de
pulmão. Cerca de 90% dos casos estão relacionados ao fumo.
Quais são os
principais sintomas do câncer de pulmão?
Nas fases iniciais
da doença, onde a chance de cura é maior, o problema é, infelizmente,
silencioso, não apresentando sintomas. Já nas fases em que o câncer está mais
avançado, o paciente pode apresentar sinais no aparelho respiratório, como
tosse, dor no peito e falta de ar.
Quais são os
principais tipos de câncer de pulmão?
Existem dois tipos
de câncer de pulmão, sendo eles o carcinoma de pequenas células e o de não
pequenas células. Geralmente, o segundo caso corresponde a 80 a 85% dos casos,
podendo ser subdividido em carcinoma epidermoide, adenocarcinoma e carcinoma de
grandes células. No mundo, o tipo mais comum é o adenocarcinoma, atingindo 40%
dos pacientes.
Como é o
tratamento para câncer de pulmão?
Para o tratamento adequado,
é importante analisar o estadiamento, subtipo, tamanho e localização do tumor,
além de avaliar se o paciente possui algum tipo de comorbidade. Caso a doença
esteja em seu estágio inicial e localizado apenas no pulmão, a indicação é de
cirurgia ou radiocirurgia, uma radioterapia direcionada.
Já nos casos mais
avançados, porém sem lesões à distância, o tratamento escolhido pode ser a
combinação da quimioterapia e radioterapia, podendo consolidar a imunoterapia.
Quando existem metástases, o caminho para os recursos irá depender do tipo de
tumor.
Além do
câncer de pulmão, o tabagismo aumenta o risco de outros tipos de câncer?
Sim. Além do
câncer de pulmão, o fumo pode aumentar os riscos para o câncer de cabeça e
pescoço, boca, laringe, faringe e bexiga.
Quais são os
principais elementos cancerígenos dos cigarros convencionais?
A fumaça do
cigarro contém milhares de substâncias químicas, das quais mais de 70 são
reconhecidamente cancerígenas, de acordo com o INCA. Entre elas estão
formaldeído, benzeno, arsênio, cádmio, acroleína, acetaldeído, monóxido de
carbono e alcatrão. Embora a nicotina seja a substância responsável pela
dependência, ela não é considerada o principal agente cancerígeno do cigarro. O
risco de câncer está relacionado principalmente às substâncias tóxicas
liberadas pela combustão do tabaco.
Qual dessas
substâncias causa dependência em cigarros?
É justamente a
nicotina, uma vez que provoca a sensação de prazer e pode levar ao vício. Essa
substância psicoativa faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID)
da OMS.
O cigarro
eletrônico também aumenta o risco de câncer de pulmão?
Sim. Embora os
efeitos de longo prazo ainda estejam sendo estudados, já existem evidências de
que os cigarros eletrônicos expõem os usuários à nicotina e a diversas
substâncias tóxicas capazes de causar danos ao sistema respiratório e
cardiovascular. Além disso, podem aumentar o risco de câncer. Os dispositivos
não são considerados seguros e seu uso não deve ser encarado como alternativa saudável
ao cigarro convencional.
Depois de
quanto tempo sem fumar há a diminuição do risco de desenvolvimento de cânceres
ligados à nicotina?
Com o passar das
horas e dias, os benefícios à saúde são bastante perceptíveis e as chances de
desenvolvimento de cânceres também diminuem com o passar dos anos - com 10 anos
sem fumar, os riscos são considerados baixos. Mas, dependendo da carga tabágica
- número de maços por dia vezes o número de anos que a pessoa fumou - é
importante continuar de olho.
Que impacto
haveria nos diagnósticos de câncer se todos os fumantes do mundo conseguissem
se livrar do vício agora?
O principal impacto seria a diminuição de aproximadamente 33% do número de casos de câncer diagnosticados e, ao longo do tempo, uma redução ainda mais expressiva.
Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com

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