Pesquisar no Blog

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Uso de canetas emagrecedoras levanta alerta sobre impactos na saúde íntima e sexual

Canva  Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que o
consumo das canetas emagrecedoras cresceu 88% no último ano
Especialistas apontam que emagrecimento rápido e alterações metabólicas podem afetar libido, resposta sexual e percepção corporal em homens e mulheres 

 

As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos temas mais presentes nas conversas sobre saúde e emagrecimento nos últimos meses. O uso crescente de medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, tem chamado atenção não apenas pelos efeitos na perda de peso, mas também por possíveis impactos pouco discutidos no organismo, entre eles, alterações relacionadas à saúde íntima e sexual de homens e mulheres.

Embora ainda não existam estudos conclusivos sobre efeitos diretos na mucosa vaginal, lubrificação ou função do assoalho pélvico, especialistas já observam sinais clínicos que apontam mudanças importantes na resposta sexual e no funcionamento corporal após o emagrecimento acelerado.

Segundo a fisioterapeuta e doutora em Ginecologia e Obstetrícia Daniella Leiros, da Clínica Videlis, em Ribeirão Preto (SP), o corpo reage de forma integrada às mudanças metabólicas provocadas pelos medicamentos. “As pessoas acreditam que emagrecer mexe só na balança, mas não. O corpo inteiro reage. A região íntima é uma das primeiras a denunciar quando algo está saindo do eixo. Ela fala, ela reclama, ela muda”, comenta.

O crescimento do uso desses medicamentos no Brasil ajuda a dimensionar o tema. Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que o consumo das canetas emagrecedoras cresceu 88% no último ano. Já uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza ou já utilizou esses medicamentos, enquanto 24% dos entrevistados afirmaram já ter feito uso.


Alterações na libido e na resposta sexual masculina

O estudo “Disfunção sexual masculina associada a agonistas do receptor GLP-1: uma análise transversal dos dados do FAERS”, publicado em 2025 no periódico britânico  International Journal of Impotence Research, identificou associação entre medicamentos agonistas de GLP-1 e alterações no corpo do homem, como disfunção erétil, queda da libido e alterações ejaculatórias

A fisioterapeuta Josiane Pavão, especialista em saúde íntima masculina e sexualidade, explica que a resposta sexual depende diretamente do equilíbrio metabólico e vascular do organismo. “A fisiologia da ereção depende de integridade vascular e neurológica. Qualquer intervenção que altere o metabolismo sistêmico pode modificar a resposta erétil”, afirma.

Além dos estudos envolvendo homens, relatos científicos recentes também descrevem mulheres com redução importante da lubrificação, dor durante a relação sexual, dificuldade de excitação e queda da resposta sexual.

“Quando o corpo interpreta que você está vivendo com menos energia, ele desliga o que não é essencial para sobreviver. Desejo, prazer e resposta sexual são algumas das primeiras coisas que sofrem impacto”, explica Daniella.


Corpo, metabolismo e sexualidade estão conectados

Segundo as especialistas, homens e mulheres podem apresentar manifestações diferentes, mas ambos sofrem consequências relacionadas ao funcionamento íntimo e à percepção corporal. “Nos homens, vemos impacto direto na hemodinâmica peniana. Nas mulheres, há sinais funcionais relacionados à diminuição da resposta sexual, possivelmente pela combinação entre perda de gordura local, variações hormonais e ingestão calórica muito baixa”, detalha Josiane.

Entre os mecanismos apontados pelas profissionais para explicar essas alterações estão mudanças hormonais rápidas, alterações na circulação genital, perda abrupta de gordura corporal, ingestão calórica insuficiente e impacto no sistema nervoso e no eixo do desejo sexual. “Tecidos genitais dependem de aporte sanguíneo e equilíbrio metabólico. É fisiologia pura”, resume Josiane.

As especialistas alertam que o objetivo dos estudos não é condenar o uso dos medicamentos, mas ampliar o olhar sobre os efeitos do emagrecimento rápido no organismo. “Não é para demonizar o remédio, é para escutar o corpo. Se a sua região íntima mudou, é porque algo mudou dentro de você. A saúde íntima faz parte da saúde geral e não pode ser deixada de lado”, conclui Daniella Leiros.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados