Hospital Costantini alerta para aumento da atenção médica à Síndrome do Coração Partido, condição cardíaca ligada ao estresse emocional que pode simular um infarto e atinge principalmente mulheres acima dos 60 anos
Enquanto o Dia dos Namorados costuma celebrar vínculos
afetivos, especialistas em cardiologia fazem um alerta para uma condição real e
potencialmente grave que ganhou notoriedade justamente por sua relação com
emoções intensas: a Síndrome do Coração Partido.
Conhecida na medicina como Síndrome de Takotsubo, a doença
pode surgir após situações de forte impacto emocional, como o término de um
relacionamento, a perda de uma pessoa próxima, conflitos familiares,
diagnósticos difíceis ou episódios de medo intenso. Os sintomas costumam ser
tão semelhantes aos de um infarto que muitos pacientes chegam às emergências
acreditando estar sofrendo um ataque cardíaco.
No Hospital Costantini, referência em cardiologia na
América Latina, a condição é vista com atenção crescente devido ao aumento dos
casos relacionados ao estresse emocional e à dificuldade de diferenciação em
relação ao infarto tradicional.
“A pessoa chega ao hospital com dor intensa no peito,
falta de ar e alterações nos exames iniciais que podem sugerir um infarto. A
diferença é que, ao realizarmos exames mais aprofundados, como o cateterismo,
percebemos que não existe obstrução das artérias coronárias. Ainda assim, o
coração está sofrendo e precisa de cuidados imediatos”, explica o cardiologista
e chefe da UTI do Hospital Costantini, Dr. Marcio Moreno Luize.
Descrita pela primeira vez no Japão na década de 1990, a
Síndrome de Takotsubo recebeu esse nome porque o coração assume temporariamente
um formato semelhante ao de uma armadilha usada para capturar polvos. O quadro
é provocado por uma descarga intensa de hormônios ligados ao estresse, que
afeta diretamente o funcionamento do músculo cardíaco.
Mulheres são as principais vítimas
Estudos internacionais mostram que mais de 80% dos casos
ocorrem em mulheres após a menopausa, geralmente entre 60 e 75 anos. A redução dos
níveis de estrogênio é apontada como um dos fatores que aumentam a vulnerabilidade
do organismo aos efeitos do estresse sobre o coração.
“Existe uma associação muito clara entre eventos
emocionalmente devastadores e o surgimento da síndrome. É uma condição que
reforça algo que a medicina já sabe: saúde emocional e saúde cardiovascular
caminham juntas”, afirma o especialista.
Embora seja considerada reversível na maior parte dos
casos, a doença pode evoluir com complicações importantes, como insuficiência
cardíaca, arritmias e queda da pressão arterial, exigindo monitoramento
hospitalar e acompanhamento especializado.
De acordo com registros internacionais, entre 1% e 3% dos
pacientes que chegam aos hospitais com suspeita de síndrome coronariana aguda
acabam recebendo o diagnóstico de Síndrome de Takotsubo. Entre mulheres com
suspeita de infarto, esse percentual pode chegar a até 5% ou 6%.
Quando a emoção vira sintoma físico
A principal manifestação é a dor no peito, frequentemente
acompanhada de falta de ar, suor excessivo, palpitações e sensação de desmaio.
“O problema é que ninguém consegue diferenciar os
sintomas em casa. Toda dor no peito deve ser encarada como uma emergência
médica até que o diagnóstico correto seja confirmado”, alerta Dr. Marcio Luize.
O tratamento inclui medicamentos para proteção cardíaca,
controle dos sintomas e acompanhamento clínico durante a recuperação, que
costuma ocorrer entre uma e quatro semanas.
Além dos cuidados médicos, especialistas defendem a
importância da prevenção emocional como parte da estratégia de proteção
cardiovascular. Práticas de relaxamento, atividade física regular,
fortalecimento de vínculos sociais, acompanhamento psicológico e períodos
adequados de descanso ajudam a reduzir os impactos do estresse crônico sobre o
organismo.
“Em uma sociedade marcada por ansiedade, sobrecarga emocional e jornadas cada vez mais intensas, o coração acaba sendo um dos primeiros órgãos a sentir os efeitos desse desgaste. O Dia dos Namorados é uma oportunidade para lembrar que cuidar das relações também é cuidar da saúde”, conclui o cardiologista.
Hospital Cardiológico Costantini
https://hospitalcostantini.com.br/

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