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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Reforma tributária coloca supermercados em alerta para impacto sobre preços e margens

Com novas regras da CBS e IBS, varejistas do setor alimentício revisam precificação, sistemas fiscais e estratégia operacional para evitar perda de competitividade e impacto no caixa


A regulamentação da reforma tributária avançou para uma fase prática com a publicação das novas regras operacionais da CBS e do IBS. Diante disso, o setor de varejo alimentar acompanha de perto os impactos que essas mudanças trarão para os preços, os créditos tributários e a rentabilidade das empresas, essa preocupação surge em um momento onde o custo da comida já está alto. De acordo com o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas, subiu 1,34% em abril, com alta acumulada de 3,44% no primeiro quadrimestre de 2026, o que amplia a sensibilidade do consumidor a qualquer reajuste nos supermercados.

Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, o debate deixou de ser apenas jurídico ou tributário e passou a exigir resposta prática da operação. “O supermercadista está diante de uma mudança que afeta diretamente precificação, controle fiscal, margem e tomada de decisão. Não é só entender a nova regra. É saber como ela muda a rotina do negócio e como evitar perda de competitividade nesse processo”, afirma. 

A reforma tributária foi apresentada com a proposta de simplificar a tributação sobre o consumo, substituindo tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por um novo modelo baseado em CBS e IBS. Na prática, porém, empresários do varejo alimentar ainda analisam como a dinâmica de créditos, a tributação no destino e a adaptação tecnológica podem alterar a operação. 


Reforma muda rotina operacional dos supermercados

No setor de supermercados, o foco principal de preocupação é a definição de preços. Ao contrário de outros setores que têm mais flexibilidade para negociar, os supermercados lidam com clientes muito sensíveis a preços, produtos que giram rápido e margens de lucro historicamente baixas. Por isso, pequenos erros nos impostos ou falhas na configuração dos sistemas podem prejudicar o caixa da empresa imediatamente. 

Existe uma leitura equivocada de que simplificação significa automaticamente redução de custo. Nem sempre será assim na prática operacional. Dependendo da estrutura do negócio, da composição do mix e da capacidade de gestão tributária, pode haver aumento de pressão sobre margem até que a adaptação esteja madura”, diz Goulart. 

Outro ponto que o setor está atento é a complexidade do período de transição. Embora o novo sistema mude de forma gradual, a necessidade de adaptação começa bem antes de os impostos atuais serem totalmente substituídos. Isso exige revisar os sistemas fiscais, atualizar os softwares de gestão (ERPs), reclassificar os impostos de cada produto e treinar as equipes administrativa e financeira. 

Na prática, a recomendação é que supermercadistas comecem imediatamente a revisar rotinas fiscais, cadastro de produtos, sistemas e critérios de precificação. A transição tributária pode expor erros operacionais que hoje passam despercebidos, comprometendo créditos fiscais, pressionando o caixa e corroendo margens em um setor que já opera com baixa tolerância a desvios.


Pequenos varejistas podem enfrentar mais dificuldade na adaptação

Na visão do especialista, a maior vulnerabilidade está nos pequenos e médios supermercadistas que costumam funcionar com equipes menos preparadas para lidar com a complexidade dos impostos. “O pequeno supermercadista normalmente está focado na operação do dia a dia e nem sempre percebe que uma mudança tributária mal parametrizada pode corroer margem silenciosamente. Muitas empresas só vão perceber o impacto quando ele aparecer no caixa”.

A preocupação também conversa com o comportamento do consumidor. Com inflação persistente em alimentos, qualquer alteração que pressione preço final tende a acelerar troca de marcas, redução de volume comprado e busca por formatos mais agressivos em preço, como atacarejos.

“Se a margem aperta e o consumidor continua sensível, o supermercado fica espremido entre custo e competitividade. Por isso essa discussão precisa sair do campo técnico e entrar na mesa de decisão empresarial agora”, conclui.

Para Goulart, o momento exige menos reação e mais antecipação estratégica. “O empresário que começar a organizar processos, tecnologia e inteligência tributária agora terá mais capacidade de proteger margem, manter competitividade e atravessar a transição com menos impacto operacional”, conclui.

 





Márcio Goulart - diretor da Meta Assessoria Empresarial e atua na liderança das frentes de tecnologia e processos da empresa. Ao longo dos últimos anos, foi um dos responsáveis pela modernização da operação, com a implementação de automações e soluções que ampliaram a eficiência e a capacidade de atendimento. Sua atuação está voltada à conexão entre tecnologia e gestão, apoiando empresários na organização de dados, na melhoria de processos e na tomada de decisão. Com foco em resultado, trabalha no desenvolvimento de estruturas que permitam maior previsibilidade, controle e crescimento sustentável nos negócios.
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Meta Contabilidade
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Fonte de pesquisa 

IBGE IPCA abril 2026 

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/46648-em-abril-ipca-fica-em-0-67

 

Ministério da Fazenda | Reforma Tributária

https://www.gov.br/fazenda/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/reforma-tributaria 

 

Ministério da Fazenda | Regulamentação CBS e IBS abril 2026

https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/regulamento-detalha-as-regras-que-apresentam-sistema-mais-simples-transparente-e-previsivel-para-cidadaos-e-empresas


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