Pesquisar no Blog

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Em clima de Copa, especialistas alertam: jogo não pode ser motivo para interromper tratamento de saúde


A Copa do Mundo muda a rotina de muita gente. Os horários dos jogos reorganizam agendas, encontros, refeições, compromissos de trabalho e até o sono. Mas, para quem convive com doenças crônicas ou realiza tratamentos contínuos, há uma regra que não entra em campo para negociação: medicamento e cuidado de saúde não podem ser esquecidos, adiados ou interrompidos por causa da partida. 

“Tratamentos de uso contínuo existem justamente para manter a doença controlada e prevenir complicações. Por isso, pessoas com hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças renais, condições autoimunes ou em situação de imunossupressão devem manter a rotina de cuidados mesmo em dias de jogo, com atenção aos horários dos medicamentos, à alimentação e ao monitoramento de pressão ou glicemia, quando indicado”, afirma Dr. Felipe Liger, médico emergencista do Pronto Atendimento do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

O alerta também vale para pacientes em tratamentos programados, como quimioterapia, radioterapia, hemodiálise, imunoterapia, uso de anticoagulantes, antibióticos, corticoides ou outros medicamentos de uso regular. Esses cuidados seguem protocolos definidos pela equipe de saúde e não devem ser alterados por conta própria. “O paciente nunca deve faltar, remarcar ou interromper uma sessão sem orientação da equipe responsável. Quando há necessidade real de ajuste, isso precisa ser discutido previamente, porque uma decisão individual pode comprometer a resposta terapêutica ou gerar riscos adicionais”, explica Dr. Felipe. 

Além da medicação, a Copa costuma vir acompanhada de mudanças no sono, consumo de bebidas alcoólicas, alimentos mais gordurosos ou ultraprocessados, longos períodos sentado e emoções intensas. Para muitas pessoas saudáveis, isso pode representar apenas um dia fora da rotina. Para quem tem uma condição crônica, no entanto, esses fatores podem contribuir para descontrole da pressão arterial, alterações na glicemia, retenção de líquidos, piora de sintomas ou maior risco de intercorrências. 

A recomendação é simples: planejar o cuidado da mesma forma que se planeja o jogo. Deixar medicamentos separados, programar alarmes no celular, organizar deslocamentos para consultas ou sessões de tratamento e conversar previamente com a equipe de saúde em caso de dúvidas são atitudes que ajudam a manter a segurança sem impedir a torcida. 

“Não se trata de deixar de assistir ao jogo ou de aproveitar a Copa, mas de entender que o cuidado com a saúde precisa continuar fazendo parte da rotina. O paciente pode torcer, celebrar e se reunir com a família, desde que não abra mão do tratamento que mantém sua condição sob controle”, reforça o médico.

A Copa é um momento de celebração, mas saúde não pode ficar para depois do apito final. Por isso, a atenção deve ser redobrada diante de sinais de alerta, como dor no peito, falta de ar, confusão mental, desmaio, alteração súbita da fala ou da força em um lado do corpo, palpitações persistentes, pressão muito elevada, hipoglicemia ou hiperglicemia importante, febre em pacientes imunossuprimidos, sangramentos ou piora intensa do estado geral. Nessas situações, a orientação é não esperar o jogo acabar nem tentar resolver o problema em casa: é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados