Crescer nas vendas
não garante lucro, e a falta de controle financeiro continua sendo uma das principais
causas das dificuldades enfrentadas por pequenas e médias empresas brasileiras
Uma empresa pode aumentar o faturamento durante
meses, conquistar novos clientes e parecer estar em seu melhor momento. Ainda
assim, estar caminhando para uma crise financeira. Embora pareça
contraditório, essa é uma realidade comum entre pequenos e médios negócios
brasileiros. O problema, na maioria das vezes, não está na capacidade de
vender, mas na dificuldade de entender o que realmente acontece com o dinheiro
da empresa.
Segundo Danilo Fermino, contador e especialista em gestão financeira empresarial, um dos erros
mais frequentes é confundir dinheiro entrando na conta com
lucro. "Muitos empresários olham para o saldo bancário e acreditam
que aquilo representa o resultado da empresa. Mas o dinheiro que está na conta
pode ter destino. Pode ser imposto, fornecedor, folha de pagamento ou
compromissos futuros. Saldo bancário não é lucro." A consequência é
que decisões importantes acabam sendo tomadas sem informações confiáveis sobre
margem de lucro, fluxo de caixa, custos operacionais e rentabilidade.
Com mais de 14 anos de atuação na área contábil e
financeira, Danilo acompanha diariamente a realidade de pequenas e médias
empresas e afirma que a falta de visibilidade financeira continua sendo um dos
maiores desafios para o crescimento sustentável dos negócios.
"Muitos empreendedores trabalham o dia
inteiro, vendem, atendem clientes, contratam pessoas, resolvem problemas e
fazem a empresa acontecer. Mas quando eu faço uma pergunta simples, quanto
realmente sobrou no mês passado? Muitos não conseguem responder. E sem essa
resposta, qualquer decisão importante passa a ser tomada na base da
percepção."
O problema costuma se agravar justamente quando a
empresa começa a crescer. "É comum o empresário acreditar que está
prosperando porque o faturamento aumentou. Mas crescimento sem controle pode
gerar mais estoque, mais despesas, mais impostos, mais necessidade de capital de
giro e mais risco. Já vimos empresas venderem mais e, ao mesmo tempo, ficarem
financeiramente mais frágeis."
Para enfrentar esse desafio, algumas organizações
estruturam equipes financeiras internas. Outras optam pela terceirização
especializada de processos financeiros, modelo conhecido como BPO Financeiro
(Business Process Outsourcing).
Independentemente do formato escolhido, o objetivo
é o mesmo: transformar informações dispersas em dados que permitam decisões
mais seguras e estratégicas. "O empresário não precisa decorar
indicadores financeiros, mas precisa ter acesso a eles. Quem toma decisões sem
números está administrando no escuro. Quando existe informação organizada, fica
mais fácil identificar desperdícios, melhorar margens, planejar investimentos,
negociar melhor com fornecedores e crescer com mais segurança."
Para Danilo Fermino, um dos maiores equívocos é
acreditar que problemas financeiros surgem de forma
repentina. "Nenhuma empresa quebra de um dia para o outro. Os sinais
aparecem muito antes. Queda de margem, aumento de despesas, falta de caixa,
endividamento crescente e dificuldade para formar reservas normalmente começam meses
antes da crise se tornar visível."
Por isso, a gestão financeira deixou de ser apenas
uma atividade administrativa e passou a ocupar um papel estratégico dentro das
empresas. "No fim das contas, empresas raramente quebram por falta de
esforço. A maioria quebra porque toma decisões sem enxergar os próprios
números. E quando o empresário passa a entender o que os números estão dizendo,
ele deixa de apenas trabalhar no negócio e começa, de fato, a gerir uma
empresa."
Danilo Fermino, Contador CRC PR 078065/O-2
(41) 99970-0881 | @danilofermino
danilo@orconsil.com.br
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