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Algumas pessoas conseguem perceber aromas que passam despercebidos para quase todos. O cheiro do café recém passado, de um perfume no elevador ou de produtos de limpeza. Quando essa sensibilidade olfativa aumentada começa a parecer mais intensa que o habitual e causar desconforto, ela recebe o nome de hiperosmia.
Apesar de muitas vezes ser vista como uma habilidade ou vantagem, a condição nem sempre é positiva. Em alguns casos, a exposição a determinados odores pode provocar náuseas, dor de cabeça, mal-estar, irritabilidade, desconforto importante e limitação das atividades do dia a dia.
“Quando o olfato
fica mais sensível do que o habitual, situações simples podem se tornar
desconfortáveis. O paciente pode começar a evitar ambientes, alimentos ou
atividades por causa dos odores, e isso passa a interferir diretamente na
qualidade de vida”, explica o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Kumagai, do
Hospital Paulista.
O olfato vai
muito além de sentir cheiros
O sistema olfatório possui forte conexão com áreas cerebrais relacionadas à memória, emoções e respostas comportamentais. Por isso, alterações olfativas podem ter repercussões físicas e emocionais.
A hiperosmia pode
estar associada a diferentes situações clínicas, entre elas:
• enxaqueca,
especialmente durante crises ou períodos de sensibilidade aumentada
• alterações hormonais, incluindo gestação
• uso de alguns medicamentos
• doenças neurológicas específicas
• quadros inflamatórios das vias aéreas superiores
• fatores emocionais e estados de hipervigilância sensorial
“O desconforto
provocado pelos odores é real. Em algumas pessoas, a exposição a determinados
cheiros pode desencadear náusea, cefaleia, mal-estar e até sensação subjetiva
de dificuldade respiratória durante episódios de maior ansiedade”, destaca o
especialista.
Quando o
cheiro se transforma em um gatilho
O impacto da
hiperosmia não é apenas físico, mas pode afetar a qualidade de vida das
pessoas, que com o tempo, podem passam a antecipar situações desconfortáveis e
evitar locais como restaurantes, transporte público, consultórios, academias,
elevadores ou ambientes com perfumes intensos e produtos aromatizados.
Esse comportamento pode gerar limitação social e aumentar o estresse relacionado aos sintomas.
“Nem sempre o
paciente percebe que o olfato está influenciando sua rotina. Muitas vezes ele
tenta se adaptar sozinho, mas quando existe prejuízo alimentar, social ou
emocional, é importante investigar”, comenta o médico.
Sinais de
alerta: quando procurar avaliação
Vale buscar
avaliação médica quando a sensibilidade a cheiros:
- surge
de forma súbita
- vem
acompanhada de dor de cabeça frequente
- causa
náuseas ou vômitos
- interfere
na alimentação
- provoca
ansiedade importante
- está
associada a alterações do paladar
- ocorre
junto com obstrução nasal ou sintomas nasossinusais
- persiste
por semanas ou meses
- altera
a rotina ou a qualidade de vida
O que pode
ajudar?
O tratamento depende da causa identificada. Em alguns casos, o controle da condição de base reduz a hipersensibilidade olfativa. Situações relacionadas à enxaqueca podem exigir acompanhamento neurológico. Quando há repercussão emocional importante, suporte psicológico também pode ser útil.
Algumas medidas
práticas podem ajudar, como:
• reduzir
exposição a odores desencadeadores quando possível
• manter ambientes ventilados
• preferir produtos com menor carga de fragrância
• registrar situações associadas aos sintomas
• procurar avaliação médica especializada
• cuidar do sono, estresse e saúde emocional
A hiperosmia pode parecer apenas uma característica individual, mas quando passa a gerar desconforto persistente, náuseas ou limitação da rotina, merece investigação. Entender o problema é o primeiro passo para buscar alívio e evitar que a sensibilidade excessiva comprometa a rotina.
“Perceber cheiros de forma mais intensa não é exagero nem ‘frescura’. Quando existe impacto na vida diária, o sintoma precisa ser avaliado”, conclui o especialista.
O tratamento depende da causa identificada. Em alguns casos, controlar a condição de base já reduz a hipersensibilidade. Quando há relação com enxaqueca, por exemplo, o acompanhamento neurológico pode ser essencial. Se houver componente emocional importante, apoio psicológico também pode fazer diferença.
Entre as estratégias
que podem ajudar estão:
- evitar
exposição a cheiros desencadeadores sempre que possível
- manter
ambientes ventilados
- preferir
produtos sem fragrância forte
- anotar
situações em que os sintomas aparecem
- buscar
avaliação com otorrinolaringologista, neurologista ou clínico
- cuidar
da saúde emocional, sono e estresse
A hiperosmia pode parecer um detalhe, mas quando passa a gerar enjoo, desconforto e medo de cheiros comuns, deixa de ser apenas uma característica sensorial. Entender o problema é o primeiro passo para buscar alívio e evitar que a sensibilidade excessiva comprometa a rotina.
“Perceber cheiros
de forma mais intensa não é frescura nem exagero. É um sintoma que merece
investigação, principalmente quando começa a limitar a vida da pessoa”,
conclui.
Hospital Paulista
de Otorrinolaringologia
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