Muitas mulheres convivem durante anos com dores
íntimas sem compreender a origem do problema. Entre as condições que mais
afetam a qualidade de vida feminina está a vulvodínea, doença caracterizada por
dor crônica na região da vulva e que ainda enfrenta dificuldade de diagnóstico
e reconhecimento.
Dados publicados pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados
Unidos (NLM) apontam que a condição pode atingir entre 8% e 10% das mulheres em
diferentes faixas etárias. Estudos epidemiológicos mostram ainda que até 16%
das mulheres podem apresentar sintomas ao longo da vida. Além do desconforto
físico, a vulvodínea também está entre as principais causas de dor durante as
relações sexuais, especialmente no período pré-menopausa.
Segundo a ginecologista Dra. Marcia Terra Cardial, doutora em
tocoginecologia e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e
Colposcopia da Faculdade de Medicina do ABC, a principal dificuldade está
justamente na ausência de sinais visíveis.“A paciente sente dor persistente por
mais de três meses, mas os exames costumam estar normais. Não há lesões
aparentes na pele ou na mucosa, porém existe uma alteração da inervação da
vulva que gera esse quadro doloroso”, explica.
A especialista destaca que o tratamento deve ser individualizado e
pode envolver medicamentos orais, locais, anestésicos tópicos , fisioterapia
pélvica ,e suporte psicológico e multidisciplinar. Entre os recursos que vêm
ganhando espaço está o uso da toxina botulínica como ferramenta auxiliar no
controle das dores crônicas.’
Mais conhecida pelos fins estéticos, a toxina botulínica também já
é utilizada em condições associadas à dor muscular, como bruxismo e disfunções
da ATM. No caso da vulvodínea, o objetivo é ajudar no relaxamento muscular e na
redução dos estímulos dolorosos, sempre após avaliação médica criteriosa. “A
aplicação da toxina não deve ser banalizada. É fundamental que a paciente passe
por uma investigação completa para descartar outras causas e definir a melhor
abordagem terapêutica”, reforça a dermatologista Dra. Débora Cardial.
Além da dor física, especialistas alertam para os impactos
emocionais da condição. Ansiedade, medo da dor, insegurança nas relações e até
sintomas depressivos podem acompanhar mulheres que convivem com a vulvodínea por
longos períodos. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar é considerado
essencial.
“Não podemos normalizar a dor feminina. A vulvodínea é uma
condição complexa, que precisa ser acolhida e tratada de forma séria para
promover qualidade de vida, saúde sexual e bem-estar emocional”, conclui Dra.
Marcia.
Clínica Terra Cardial
Dra. Marcia - médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, doutora em Tocoginecologia, professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC).
Dr. Caetano - também graduado pela Faculdade de Medicina do ABC, é mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
Dra. Débora Cardial - dermatologista formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.

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