No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje - dia 05 de junho -, o Cerrado segue sendo o principal alerta ambiental do Brasil. Apesar da redução do desmatamento em outros biomas, a savana brasileira permanece, pelo terceiro ano consecutivo, como a região mais desmatada do país, uma realidade que ameaça a segurança hídrica e a produção de alimentos. Para o pesquisador Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados, doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e uma das lideranças da Campanha Cerrado Coração das Águas, “o desmatamento do Cerrado de hoje é a escassez de água de amanhã.”
“A redução do desmatamento no Brasil é
importante, mas não há o que comemorar no Dia do Meio Ambiente enquanto o
Cerrado segue, pelo terceiro ano consecutivo, como o bioma mais desmatado do
país. Mais da metade de sua vegetação original já foi perdida, apesar de a
ciência mostrar que não precisamos derrubar mais nenhum hectare para ampliar a
produção agropecuária — só no Cerrado existem cerca de 33 milhões de hectares
de pastagens degradadas ou subutilizadas que podem ser recuperadas o melhor
aproveitadas para produção. O Cerrado é um bioma desprotegido e sua destruição
compromete a segurança hídrica, intensifica secas e amplia a incidência de
incêndios. Vale lembrar que o desmatamento do Cerrado de hoje é a escassez de
água de amanhã, por isso precisamos de políticas públicas que orientem a
proteção efetiva do bioma, em especial, a proteção das áreas prioritárias e
sensíveis no provimento de água durante os períodos secos do Cerrado, o coração
das águas do Brasil.”
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