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sexta-feira, 5 de junho de 2026

O desmatamento do Cerrado de hoje é a escassez de água de amanhã

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje - dia 05 de junho -, o Cerrado segue sendo o principal alerta ambiental do Brasil. Apesar da redução do desmatamento em outros biomas, a savana brasileira permanece, pelo terceiro ano consecutivo, como a região mais desmatada do país, uma realidade que ameaça a segurança hídrica e a produção de alimentos. Para o pesquisador Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados,  doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e uma das lideranças da Campanha Cerrado Coração das Águas, “o desmatamento do Cerrado de hoje é a escassez de água de amanhã.”

“A redução do desmatamento no Brasil é importante, mas não há o que comemorar no Dia do Meio Ambiente enquanto o Cerrado segue, pelo terceiro ano consecutivo, como o bioma mais desmatado do país. Mais da metade de sua vegetação original já foi perdida, apesar de a ciência mostrar que não precisamos derrubar mais nenhum hectare para ampliar a produção agropecuária — só no Cerrado existem cerca de 33 milhões de hectares de pastagens degradadas ou subutilizadas que podem ser recuperadas o melhor aproveitadas para produção. O Cerrado é um bioma desprotegido e sua destruição compromete a segurança hídrica, intensifica secas e amplia a incidência de incêndios. Vale lembrar que o desmatamento do Cerrado de hoje é a escassez de água de amanhã, por isso precisamos de políticas públicas que orientem a proteção efetiva do bioma, em especial, a proteção das áreas prioritárias e sensíveis no provimento de água durante os períodos secos do Cerrado, o coração das águas do Brasil.”


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