Item úmido, poroso e usado diariamente pode favorecer microrganismos associados a infecções gastrointestinais; separação por cores ajuda a evitar contaminação cruzada entre ambientes e utensílios
Especialista em microbiologia
orienta troca a cada três dias
A segurança sanitária dentro de casa tem acendido um alerta nos hábitos da rotina com a limpeza doméstica, mas um item em particular merece atenção especial: a esponja de cozinha. Usada todos os dias para lavar louças, talheres, panelas, pias e bancadas, ela pode se transformar em um reservatório invisível de microrganismos, principalmente se seu uso é prolongado além da recomendação da ANVISA, sete dias ou menos, ou quando permanece úmida, desgastada ou é utilizada em diferentes superfícies sem separação adequada.
Para Bruno Brunetti, microbiologista e especialista em contaminação microbiológica, a atenção deve ir além da aparência do item. “A esponja de lavar louça provavelmente é um dos objetos mais contaminados dentro de uma cozinha. O problema não é simplesmente ter bactéria, porque elas existem em praticamente tudo. A questão é que a esponja reúne umidade, resíduos de alimentos, gordura e matéria orgânica, criando um ambiente muito favorável para a multiplicação de microrganismos potencialmente perigosos”, explica.
Por sua estrutura porosa e pelo contato frequente com restos de alimentos, gordura e água, a esponja cria um ambiente favorável para a proliferação de bactérias. Entre os microrganismos que podem estar associados a superfícies e utensílios contaminados na cozinha estão Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Klebsiella, Listeria e outros coliformes. Em casos de exposição por ingestão ou contato indireto com alimentos, esses agentes podem provocar sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, febre e mal-estar. Em pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa, o risco pode ser maior.
Embora nem toda bactéria presente em uma esponja cause doença, o problema está no acúmulo e na transferência desses microrganismos para pratos, copos, talheres, tábuas, bancadas e alimentos. É justamente aí que entra um dos principais alertas para a limpeza doméstica: a contaminação cruzada, que acontece quando microrganismos ou resíduos são transportados de uma superfície para outra por meio de utensílios, mãos, panos, escovas ou esponjas. Na prática, isso pode ocorrer quando a mesma esponja usada para limpar a pia também é usada em uma tábua de corte, em uma bancada ou até em outros cômodos da casa.
“Usar a mesma esponja para louça, pia, bancada, tábua, fogão ou áreas mais sujas é praticamente criar um sistema de distribuição de contaminação pela cozinha. Uma bancada que recebeu carne crua, por exemplo, pode carregar microrganismos patogênicos que depois acabam sendo transferidos para pratos, copos e utensílios”, alerta Brunetti.
Para Gerson Grohskopf, gerente da Categoria de Limpeza da Condor S.A., o cuidado com os acessórios de limpeza precisa ser visto como parte da prevenção dentro do lar. “Quando falamos em saúde dentro de casa, falamos também de escolhas conscientes na rotina de limpeza. Usar corretamente ferramentas e utensílios, além de manter a troca frequente de itens desgastados pelo uso, contribui não apenas para uma higienização mais eficiente, mas também para evitar a disseminação de sujeira e microrganismos entre os ambientes”, afirma.

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