Com o
crescimento do seguro residencial no Paraná e em Mato Grosso do Sul aumentam os
acionamentos relacionados a danos elétricos e cresce também a preocupação das
seguradoras com aumento de fraudes.
O tema foi
discutido na última reunião de delegados do Sindicato das Seguradoras (Sindseg
PR/MS), que reúne gerentes de seguradoras associadas nos dois estados. A
discussão deve motivar ações de orientação para melhorar a compreensão sobre a
cobertura e reduzir irregularidades.
Segundo dados da
Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) as indenizações no seguro
residencial apresentaram forte expansão nos dois estados no início deste ano.
No Paraná, as seguradoras pagaram R$ 10,97 milhões em indenizações apenas em
janeiro, alta de 32,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a
arrecadação cresceu 17,1%.
Em Mato Grosso
do Sul, o avanço foi ainda mais expressivo nas indenizações. Em janeiro, as
seguradoras desembolsaram R$ 940 mil, aumento de 187,8% frente ao mesmo período
de 2025 com a arrecadação crescendo 12,2%.
Os seguradores
acreditam que em parte o aumento dos desembolsos está relacionado com o aumento
da contratação do seguro residencial e maior frequência de eventos climáticos
severos.
Mas, no caso
específico dos danos elétricos, os delegados do sindicato relatam preocupação
com acionamentos recorrentes, concentração de casos em determinadas regiões, e
ainda, situações em que defeitos de fabricação, desgaste natural ou falhas sem
relação com a rede elétrica acabam sendo comunicados como sinistros cobertos.
Foram citadas
regiões do Paraná, como Oeste, Sudoeste e Noroeste, onde a frequência de
ocorrências aparece acima da média, além de situações suspeitas, como casos de
segurados que tiveram equipamentos indenizados anteriormente e, anos depois,
voltaram a acionar a cobertura para itens semelhantes.
Diante desse
cenário, seguradoras vêm reforçando exigências já previstas nas condições
gerais das apólices, como apresentação de nota fiscal, laudo técnico, fotos,
comprovação da existência do bem e, em alguns casos, protocolo de pedido de
ressarcimento junto à concessionária de energia.
De acordo com o representante do sindicato em Maringá, Fernando Bernardes, o cuidado é importante porque nem todo defeito em equipamento eletrônico é dano elétrico. “Falhas de fabricação, mau uso, desgaste natural ou ausência de manutenção podem não estar cobertos pela apólice. Por isso, a documentação técnica é essencial para diferenciar um sinistro legítimo de uma ocorrência sem cobertura ou de uma possível fraude”, explicou.
As fraudes continuam representando um desafio relevante para o
setor segurador. Segundo dados da CNseg, em 2024, os sinistros registrados
pelas seguradoras somaram R$ 41 bilhões. Desse montante, R$ 5,4 bilhões
apresentaram indícios de irregularidades e cerca de R$ 1,1 bilhão foram
efetivamente confirmados como fraude. Os números reforçam a importância dos
investimentos em prevenção, tecnologia e conscientização para proteger
segurados e preservar o equilíbrio do sistema de seguros.
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