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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Conflitos impactam visibilidade de aéreas europeias no Brasil

 

A exposição das maiores companhias aéreas europeias que atuam no Brasil é, no geral, predominantemente positiva, segundo levantamento do Núcleo de Tendências e Pesquisas da Imagem Corporativa. O trabalho cobriu o período de 1º de janeiro a 19 de abril deste ano (dois dias após o anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio) e coletou cerca de 15 mil menções em plataformas de conteúdo noticioso e redes sociais. 

A metodologia Image Booster aplicada aponta onde se situa cada marca, numa escala de zero a 200 pontos, tanto na quantidade quanto na qualidade de sua visibilidade na imprensa e nas redes sociais. Acima dos 100 pontos, o viés é positivo. 

Ao analisar o caráter positivo ou negativo dos conteúdos que foram divulgados, ou seja, a qualidade da visibilidade, o índice de Tone of Voice indicou uma média de 120 pontos das empresas avaliadas. Quando aplicado o filtro do tema “segurança”, no entanto, o escore caiu para 91 pontos, predominantemente negativo, portanto. A queda não se refere à segurança dos voos ou das aeronaves, mas sim com a preocupação de viajar em um período turbulento como o atual, resultante de conflitos militares recentes, especialmente no Oriente Médio. Como se sabe, esse cenário gerou uma série de medidas preventivas por parte de diversos países em relação ao seu espaço aéreo e a operação da aviação civil em seus territórios. 

Entre as marcas analisadas na pesquisa, a TAP/Air Portugal lidera em Share of Voice, ou seja, quantidade de exposição, com 42% de menções totais coletadas. Ela é seguida pela Lufthansa, com 25% e Air France com 15%. 

No Tone of Voice, índice de qualidade da exposição, quem lidera é a Iberia com 170 pontos, seguida por ITA, que alcança 148 pontos e TAP/Air Portugal, com 132 pontos.


Dentre cinco temas estimulados, “segurança” foi o mais presente. Sua ocorrência alcançou 42%, enquanto “conforto” veio na sequência, com 20% das menções. Terceiro tema foi “qualidade” com 17%, pouco acima das menções a “tripulação” (16%). O tópico “pontualidade” ficou com apenas 4%. 

O impacto de conflitos militares recentes no aspecto “segurança” fica evidente por sua frequência do noticiário e reflexos diretos de acontecimentos negativos recentes para o setor. Trata-se principalmente dos casos de cancelamentos de voos; aumento nos preços do querosene de aviação; impactos sobre o turismo e os preços das passagens; alterações em termos de logística. 

Mas não é só a guerra que produz efeitos negativos. Um dos episódios de maior repercussão nas redes sociais no período em que a pesquisa foi realizada refere-se à retirada de uma família brasileira de avião da Air France pouco antes da decolagem em Paris, após discussões relativas à ocupação de assentos na classe executiva. O assunto afetou diretamente o quesito “tripulação”. 

O caso ilustra a relevância do papel dos tripulantes como representantes diretos de suas marcas na percepção dos passageiros. 

Mesmo com baixa participação sobre o total dos comentários sobre as companhias aéreas (somente 4%), o tópico tripulação é o que gera maior impacto negativo (-65%) do que qualquer outro. Em outras palavras, a exposição pode não ser alta, mas quando o assunto aparece geralmente é de maneira bastante negativa – o Tone of Voice das empresas quando associadas ao tema cai para apenas 42 pontos e desperta especial interesse da imprensa: 83% do total das menções, contra 17% das ocorridas nas redes sociais.

 

 
No extremo oposto, os temas que mais têm impacto positivo sobre a exposição das aéreas são a “pontualidade” (+64%) e o “conforto” (+58%). Este último é um termo presente em quase 6% de tudo que se fala sobre essas empresas, enquanto o tema pontualidade é raro – aparece em apenas 1% do conteúdo rastreado.

 

Paloma Longhi - analista de dados do Núcleo de Tendências e Pesquisas da Imagem Corporativa


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