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quarta-feira, 3 de junho de 2026

ASCO 2026: medicamento para emagrecer pode reduzir o risco de morte por câncer colorretal, sugerem estudos

Em pacientes com a doença avançada que usaram o medicamento,
a queda do risco de morte foi de 32%
Os antagonistas de GLP-1, que se popularizaram com o uso das canetas emagrecedores, podem trazer benefícios para pessoas com esse tipo de tumor, como mostram estudos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clìnica (Asco) 

 

Indicados para o tratamento da diabete tipo 2, os agonistas de GLP-1 caíram no gosto popular por facilitar o emagrecimento. Ao simular os hormônios intestinais, eles controlam os níveis da glicemia, retardam o esvaziamento gástrico e o aumenta a saciedade. Dois estudos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês) revelam que este medicamento, popularizado com a disseminação das chamadas “canetas emagrecedoras”, pode reduzir o risco de morte pacientes com câncer colorretal, tanto em estágio inicial como avançado. O congresso terminou ontem (2) em Chicago, nos Estados Unidos. 

A médica especializada em câncer no trato gastrointestinal, Maria Ignez Braghiroli, da Oncologia D’Or, afirma que é cada vez mais frequente a combinação de um indivíduo, que fez tratamento oncológico, com essa classe terapêutica. “Cabe a nós, entender a segurança dessa combinação e explorar, com mais dados, se há vantagem em controle de peso com esse tipo de medicamento no tratamento oncológico e na incidência de câncer, o que parece ter um papel positivo, declara a especialista. 

Em um estudo com pacientes com câncer colorretal metastático, pesquisadores do The New York Medical College, nos Estados Unidos observaram uma redução de 32% dos riscos de morte naqueles indivíduos que receberam GLP-1. Já outra pesquisa, realizada pelo Atrium Health Levine Cancer, também nos Estados Unidos, apontou que o uso deste medicamento aumentou o tempo de vida de pacientes com câncer colorretal submetidos à quimioterapia padrão de primeira linha.


Câncer e excesso de peso

Há muito tempo, a obesidade e o sedentarismo são associados a um risco aumentado de câncer. Alguns estudos já demostraram a importância das mudanças no estilo de vida como fator benéfico no desfecho dos pacientes oncológicos. 

“Estes dois estudos, alinhados com esta proposta de mudança de hábitos de vida, demonstraram que o controle da obesidade e do estado inflamatório associado a ela, devem fazer parte da estratégia global da assistência aos pacientes com câncer. Os inibidores de GLP-1, se apresentam como mais uma importante ferramenta no tratamento oncológico”, pondera o médico especializado em câncer gastrointestinal Alexandre Palladino, da Oncologia D’Or.

Obesidade e sedentarismo são fatores de risco para o câncer.

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35% no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em 2016, eram 34.280 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil.

 

Estudo do New York Medical College

Neste trabalho, os pesquisadores partiram do princípio que o estado metabólico e a inflamação prejudicam o desempenho de medicamentos que inibem as proteínas usadas pelos tumores para impedir o funcionamento do sistema imunológico. Por isso, testaram o uso dos antagonistas GPL-1 (receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon), que são conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras. 

Os 276 pacientes com câncer colorretal metastático foram divididos em dois grupos, dos quais os participantes de apenas um deles recebeu o antagonista GLP-1. Em um ano de estudo, os indivíduos que receberam a medicação tiveram queda do risco de morte de 32% em comparação ao outro grupo. Essa associação persistiu em três anos e cinco anos. A maior probabilidade de sobrevida foi observada após passaram-se cinco anos do início da pesquisa.
 

Estudo do Atrium Health Levine Cancer

Este trabalho envolveu 4.824 pacientes com câncer colorretal submetidos à quimioterapia padrão de primeira linha. Metade recebeu GLP-1 RA 90 dias antes ou depois do início da quimioterapia. O restante não tomou a medicação. 

Após um acompanhamento médio de 24,6 meses, os pesquisadores observaram que o medicamento GLP-1 aumentou o tempo de vida dos pacientes e reduziu o risco de morte em 18%. Eles acreditam que o estudo sugere um potencial papel terapêutico adjuvante para os agonistas do receptor de GLP-1 durante o tratamento ativo do câncer, possivelmente mediado pela estabilização metabólica, redução da inflamação sistêmica e melhora da tolerância ao tratamento.
 

Oncologia D'Or

 

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