sábado, 30 de maio de 2026

No Dia Mundial sem Tabaco, especialista alerta sobre aumento do tabagismo e mostra alternativas seguras para parar de fumar

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Coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera explica como terapias e mudanças de hábitos podem ajudar no combate ao vício 


O Brasil voltou a registrar aumento no número de fumantes após anos de queda nos índices de tabagismo. Dados preliminares da pesquisa Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, apontam que 11,6% da população adulta brasileira se declara fumante de cigarro convencional em 2024, contra 9,3% em 2023, mostrando um crescimento de aproximadamente 25%. 

O cenário acende um alerta especialmente diante da popularização dos cigarros eletrônicos, muitas vezes vistos de forma equivocada como alternativas menos nocivas. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, Alan Ricardo de Souza, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, destaca que o tratamento do tabagismo precisa ser encarado como um processo de cuidado contínuo, envolvendo estratégias farmacológicas, mudanças comportamentais e suporte emocional. 

“O tabagismo é uma dependência química reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Muitas pessoas acreditam que parar de fumar depende apenas de força de vontade, mas, na prática, o organismo cria dependência física e psicológica da nicotina. Por isso, existem estratégias terapêuticas seguras e reconhecidas que ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e aumentam significativamente as chances de sucesso”, explica.

 

Confira orientações e alternativas seguras para quem deseja parar de fumar:
 

1. Procurar ajuda profissional aumenta as chances de sucesso

O primeiro passo é entender que o fumante não precisa enfrentar o processo sozinho. O acompanhamento de profissionais da saúde, como farmacêuticos, médicos e psicólogos, auxilia na definição da melhor estratégia para cada perfil de paciente. 

“O suporte profissional ajuda justamente a controlar sintomas como ansiedade e irritabilidade, comuns nesse processo, além de evitar recaídas. O tratamento é individualizado e depende do grau de dependência de cada paciente”, destaca.
 

2. Terapias de reposição de nicotina podem ajudar

Entre as alternativas seguras mais utilizadas estão as terapias de reposição de nicotina, disponíveis em adesivos, gomas de mascar e pastilhas. Esses produtos fornecem doses controladas de nicotina ao organismo sem a exposição às milhares de substâncias tóxicas presentes no cigarro convencional. 

“O tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde habilitados, porque o uso inadequado pode comprometer os resultados. O objetivo é reduzir gradativamente a dependência química, minimizando os sintomas da abstinência”, explica o coordenador.
 

3. Cigarro eletrônico não é tratamento para parar de fumar

Apesar de muitos usuários recorrerem aos dispositivos eletrônicos como tentativa de abandono do cigarro tradicional, especialistas reforçam que os chamados “vapes” não são considerados métodos seguros para cessação do tabagismo. Além de manter a dependência da nicotina, os cigarros eletrônicos também podem conter substâncias tóxicas e causar danos pulmonares e cardiovasculares. Os cigarros eletrônicos permanecem com comercialização proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil.
 

4. Identifique os possíveis gatilhos

A interrupção do tabagismo também envolve aspectos comportamentais. Alterações na rotina podem ajudar o fumante a lidar com os gatilhos associados ao hábito de fumar. Souza destaca que o cigarro muitas vezes está associado a hábitos automáticos, como tomar café, dirigir ou enfrentar situações de estresse. Identificar esses gatilhos é essencial para o tratamento.
 

5. Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo

O coordenador reforça que recaídas não devem ser encaradas como fracasso, isso porque o abandono do tabagismo pode exigir múltiplas tentativas até que o paciente consiga interromper completamente o consumo. 

“O mais importante é persistir e buscar novamente o acompanhamento profissional. Cada tentativa gera aprendizado e aproxima o paciente do sucesso definitivo”, explica.

 

Anhanguera
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