sexta-feira, 29 de maio de 2026

Atualização da norma que entrou em vigor em 26 de maio reforça atenção aos riscos psicossociais no trabalho e amplia debate sobre estratégias complementares para reduzir estresse e exaustão emocional

  

O esgotamento emocional deixou de ser apenas uma percepção individual para se tornar uma preocupação crescente dentro das empresas. Cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga e exaustão mental estão entre os sinais mais associados ao burnout, fenômeno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como resultado do estresse crônico relacionado ao trabalho.

No Brasil, o tema ganhou ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a valer em 26 de maio de 2026 e reforçou a necessidade de atenção aos riscos psicossociais dentro do ambiente corporativo. A norma amplia o olhar sobre fatores como pressão emocional, excesso de demandas, desgaste mental e organização do trabalho nas estratégias de prevenção em saúde ocupacional.

Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o avanço da discussão representa uma mudança importante na forma como empresas e trabalhadores enxergam saúde mental no ambiente profissional.

“O cérebro humano não foi projetado para permanecer em estado contínuo de alerta, cobrança e hiperestimulação durante longos períodos. Quando isso acontece de maneira crônica, surgem alterações emocionais, cognitivas e físicas que impactam produtividade, memória, concentração, sono e até relações interpessoais”, explica.

Nesse cenário, práticas complementares de bem-estar, como a aromaterapia, vêm despertando interesse tanto do público quanto da ciência como possíveis ferramentas auxiliares no manejo do estresse ocupacional.

Daiana ressalta que os óleos essenciais não substituem acompanhamento médico ou psicológico, especialmente em casos de burnout instalado, ansiedade severa ou depressão. Ainda assim, ela afirma que alguns aromas vêm sendo investigados pela ciência por sua possível influência no sistema nervoso e na percepção de relaxamento.

“O olfato possui conexão direta com áreas cerebrais relacionadas às emoções, memória e resposta ao estresse. Alguns aromas podem atuar como estímulos sensoriais que ajudam o cérebro a reduzir estados de tensão e hiperativação”, afirma.

Uma revisão sistemática publicada em 2021 na revista científica Research, Society and Development analisou estudos sobre o uso da aromaterapia na redução do estresse ocupacional e no cuidado da síndrome de burnout. Os pesquisadores avaliaram trabalhos publicados entre 2007 e 2021, principalmente com profissionais da saúde, e observaram que alguns óleos essenciais — especialmente o óleo essencial de lavanda — foram associados à redução do estresse, melhora do bem-estar e relaxamento emocional.

Os autores destacam que a aromaterapia pode funcionar como ferramenta complementar de cuidado em ambientes de alta sobrecarga emocional, embora reforcem a necessidade de mais estudos clínicos e limitações metodológicas em parte das pesquisas existentes.

Outro aroma frequentemente investigado em estudos relacionados ao estresse é o óleo essencial de bergamota. Em uma pesquisa realizada com 54 professores do Ensino Fundamental, a difusão ambiental do óleo por dez minutos demonstrou reduzir níveis de estresse e ansiedade moderada a grave. Os pesquisadores observaram alterações em parâmetros ligados ao sistema nervoso autônomo, incluindo redução da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Já outro estudo semelhante, realizado com 29 professores, comparou o uso do óleo essencial verdadeiro de bergamota com um aroma sintético placebo. Apenas o grupo que utilizou o óleo essencial autêntico apresentou redução significativa do estresse ocupacional, embora os efeitos tenham sido menores em situações de sobrecarga extrema de trabalho.

Na prática clínica da aromaterapia, outros óleos também costumam ser associados a estratégias voltadas ao manejo do esgotamento emocional. Entre eles estão patchouli, vetiver e copaíba, frequentemente utilizados em propostas relacionadas ao alívio do estresse, redução da ansiedade e promoção de sensação de estabilidade emocional.

“Não existe aroma capaz de resolver sozinho um ambiente tóxico ou uma rotina adoecedora. Mas algumas estratégias sensoriais podem funcionar como apoio dentro de um cuidado mais amplo envolvendo sono, pausas reais, redução de hiperestimulação, terapia, atividade física e reorganização emocional”, destaca Daiana. 

Com a nova NR-1 ampliando o debate sobre saúde mental corporativa, especialistas acreditam que o tema deve ganhar ainda mais espaço dentro das empresas, especialmente diante do aumento dos casos de exaustão emocional, afastamentos relacionados à saúde mental e discussões sobre qualidade de vida no trabalho.



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry


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