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quarta-feira, 1 de abril de 2026

02/04 - Dia Mundial do Autismo: Identificar sinais e iniciar intervenções aumentam as chances de promover autonomia, aprendizado e qualidade de vida


Criança que não responde quando é chamada pelo nome, evita olhar nos olhos, demora para falar ou não fala, mostra pouco interesse em brincar ou interagir com outras pessoas, não faz gestos simples, como apontar ou dar tchau, repete movimentos com o corpo, tem interesse muito intenso por um único tema, se incomoda muito com sons, luzes ou toques — ou, ao contrário, reage pouco a eles — e tem dificuldade com mudanças na rotina, merecem atenção redobrada. Segundo o médico Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, esses sinais podem revelar autismo – que é uma condição do neurodesenvolvimento que impacta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento.

“O cérebro de uma criança com autismo se desenvolve de forma diferente. E quanto mais cedo conseguimos identificar sinais e iniciar intervenções, maiores são as chances de promover autonomia, aprendizado e qualidade de vida”, explica.

Ele conta que nem sempre os sinais do autismo são evidentes já que cada criança se desenvolve de forma única, mas perceber esses comportamentos de forma precoce pode acelerar o diagnóstico e mudar completamente a trajetória de desenvolvimento.
 

Diagnóstico precoce muda o futuro

Segundo o neurocirurgião, o cérebro infantil possui alta plasticidade, o que significa maior capacidade de adaptação e aprendizado. “Por isso que as intervenções precoces, como terapias comportamentais, fonoaudiologia e acompanhamento multidisciplinar, têm impacto direto no desenvolvimento da comunicação, da autonomia e das habilidades sociais”, afirma.

Além do acompanhamento clínico, o ambiente escolar desempenha papel central no desenvolvimento da criança com TEA. E, nesse ponto, o especialista faz um alerta importante: “A inclusão não pode ser apenas física, ela precisa ser funcional. E isso passa por estrutura, capacitação e presença de profissionais especializados dentro das escolas.”

Uma das soluções apontadas é a presença de neuropsicólogos nas redes públicas e privadas de ensino. “O neuropsicólogo é o profissional capacitado para entender como aquela criança aprende, quais são suas dificuldades cognitivas, emocionais e comportamentais. Ele pode orientar professores, adaptar estratégias pedagógicas e ajudar a criança a desenvolver seu potencial dentro do ambiente escolar”, explica Dr. Fernando Gomes.

Segundo ele, essa integração entre saúde e educação é fundamental para reduzir desigualdades e promover inclusão real.

Outro ponto crítico é o combate à desinformação. Ainda existem muitos mitos em torno do autismo, o que pode atrasar o diagnóstico e dificultar o acesso ao tratamento adequado.

“Falar sobre autismo é importante. Mas o que realmente transforma é garantir diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e uma escola preparada para incluir. E isso passa, necessariamente, por políticas públicas que integrem saúde e educação”, conclui. 



Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. Atualmente comanda seu programa Olho Clínico com Dr. Fernando Gomes semanalmente no Youtube desde 2020. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro


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