Criança
que não responde quando é chamada pelo nome, evita olhar nos olhos, demora para
falar ou não fala, mostra pouco interesse em brincar ou interagir com outras
pessoas, não faz gestos simples, como apontar ou dar tchau, repete movimentos com
o corpo, tem interesse muito intenso por um único tema, se incomoda muito com sons,
luzes ou toques — ou, ao contrário, reage pouco a eles — e tem dificuldade com
mudanças na rotina, merecem atenção redobrada. Segundo o médico Dr. Fernando
Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, esses
sinais podem revelar autismo – que é uma condição do neurodesenvolvimento que
impacta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento.
“O
cérebro de uma criança com autismo se desenvolve de forma diferente. E quanto
mais cedo conseguimos identificar sinais e iniciar intervenções, maiores são as
chances de promover autonomia, aprendizado e qualidade de vida”, explica.
Ele
conta que nem sempre os sinais do autismo são evidentes já que cada criança se
desenvolve de forma única, mas perceber esses comportamentos de forma precoce
pode acelerar o diagnóstico e mudar completamente a trajetória de
desenvolvimento.
Diagnóstico precoce muda o futuro
Segundo
o neurocirurgião, o cérebro infantil possui alta plasticidade, o que significa
maior capacidade de adaptação e aprendizado. “Por isso que as intervenções
precoces, como terapias comportamentais, fonoaudiologia e acompanhamento
multidisciplinar, têm impacto direto no desenvolvimento da comunicação, da
autonomia e das habilidades sociais”, afirma.
Além
do acompanhamento clínico, o ambiente escolar desempenha papel central no
desenvolvimento da criança com TEA. E, nesse ponto, o especialista faz um
alerta importante: “A inclusão não pode ser apenas física, ela precisa ser
funcional. E isso passa por estrutura, capacitação e presença de profissionais
especializados dentro das escolas.”
Uma
das soluções apontadas é a presença de neuropsicólogos nas redes públicas e
privadas de ensino. “O neuropsicólogo é o profissional capacitado para entender
como aquela criança aprende, quais são suas dificuldades cognitivas, emocionais
e comportamentais. Ele pode orientar professores, adaptar estratégias
pedagógicas e ajudar a criança a desenvolver seu potencial dentro do ambiente
escolar”, explica Dr. Fernando Gomes.
Segundo
ele, essa integração entre saúde e educação é fundamental para reduzir
desigualdades e promover inclusão real.
Outro
ponto crítico é o combate à desinformação. Ainda existem muitos mitos em torno
do autismo, o que pode atrasar o diagnóstico e dificultar o acesso ao
tratamento adequado.
“Falar
sobre autismo é importante. Mas o que realmente transforma é garantir
diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e uma escola preparada para incluir.
E isso passa, necessariamente, por políticas públicas que integrem saúde e
educação”, conclui.
Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. Atualmente comanda seu programa Olho Clínico com Dr. Fernando Gomes semanalmente no Youtube desde 2020. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro
Nenhum comentário:
Postar um comentário