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quarta-feira, 4 de março de 2026

Sem tecnologia especializada, o turismo perde eficiência e margem

A inteligência artificial (IA) deixou de atuar apenas como ferramenta de eficiência para assumir papel estruturante na reorganização do turismo. Esse movimento não representa uma simples modernização tecnológica, mas uma mudança na lógica de tomada de decisão dentro das agências e operadoras, que passam a depender menos de intervenções manuais e mais de sistemas capazes de interpretar contexto e variáveis complexas.

Em um setor guiado por regras tarifárias mutáveis, políticas comerciais distintas e decisões que precisam ser tomadas em segundos, sistemas genéricos demonstram limites operacionais evidentes. É nesse cenário que a IA vertical, desenvolvida especificamente para as dinâmicas do turismo, ganha relevância estratégica, ao lidar com exceções, aplicar regras específicas e operar com maior precisão em um ambiente onde a variabilidade é permanente e não episódica.

Segundo a Organização Mundial do Turismo, o fluxo internacional alcançou 88% dos níveis pré-pandemia em 2023, elevando o volume de transações, interações e ajustes de última hora. Esse crescimento não se traduz automaticamente em eficiência, pois quanto maior o fluxo de passageiros e operações, maior também a necessidade de coordenação entre sistemas, fornecedores e canais de atendimento. Estudo da McKinsey indica que a automação pode elevar a produtividade comercial em até 30%, mas apenas quando há clareza de processos e integração operacional. No turismo, isso exige que tecnologia e operação caminhem juntas, estruturando fluxos capazes de absorver picos de demanda sem comprometer precisão ou experiência.

Na prática, isso significa utilizar sistemas capazes de cruzar inventários em múltiplos canais de distribuição, validar políticas antes da emissão e monitorar alterações tarifárias em tempo real. A aplicação de inteligência especializada permite antecipar inconsistências, evitar retrabalho e reduzir dependência de conferências manuais que consomem tempo e aumentam o risco de erro. O ganho não está apenas na agilidade, mas na consistência das decisões e na diminuição de falhas que comprometem margens. Ao transformar dados dispersos em orientação operacional concreta, a tecnologia vertical contribui para que a agência atue de forma mais estratégica e menos reativa.

Dados da Phocuswright apontam que mais de 60% das agências globais ainda registram perdas associadas a erros operacionais e fragmentação de sistemas. Essas perdas não se manifestam apenas em custos diretos, mas também em ineficiências acumuladas ao longo do ciclo de venda, como tempo excessivo de atendimento e correções posteriores. Plataformas estruturadas para o setor integram busca, emissão, pagamento e atendimento em uma jornada única, com validações automáticas e alertas preventivos. Essa integração reduz o número de etapas desconectadas e fortalece o controle sobre o processo, impactando positivamente conversão, rentabilidade e previsibilidade financeira.

No campo da experiência do cliente, dados da Harvard Business Review mostram que jornadas mal executadas aumentam significativamente a probabilidade de abandono. No turismo, onde cada viagem envolve múltiplas variáveis e expectativas elevadas, a tolerância a falhas é reduzida e a confiança torna-se ativo central da relação comercial. Ferramentas que utilizam histórico de comportamento, aplicam diretrizes automaticamente e sugerem alternativas compatíveis com cada perfil elevam o padrão de previsibilidade e fortalecem a credibilidade da operação. A tecnologia, nesse sentido, sustenta a qualidade da experiência ao reduzir fricções invisíveis que impactam diretamente a percepção de valor.

Por fim, a consolidação da inteligência artificial voltada ao turismo não elimina tecnologias amplas, mas redefine seu papel. Infraestruturas genéricas permanecem como base, enquanto soluções especializadas assumem a camada estratégica das decisões. Essa reorganização tecnológica indica maturidade do setor, que passa a distinguir claramente entre suporte operacional e inteligência decisória. Em um mercado competitivo, de margens pressionadas e alta expectativa por personalização, investir em tecnologia que compreende as dinâmicas do setor representa uma decisão operacional pragmática. Mais do que acompanhar uma tendência, trata-se de estruturar o negócio para operar com eficiência, confiança e sustentabilidade no longo prazo. 

 

Bruno Bazotti - fundador e CEO da Larian AI, onde atua na transformação do setor de turismo por meio de soluções de inteligência artificial voltadas à automação e eficiência operacional. Com mais de 12 anos de experiência em tecnologia, incluindo passagens por empresas como IBM, Intuit e TEKsystems, é especialista em estratégia de dados, automação e desenvolvimento de produtos baseados em IA.


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