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sábado, 7 de março de 2026

Como identificar um relacionamento abusivo e quais sinais sutis não devem ser ignorados?

Brasil registrou aumento no número de feminicídio em 2024; psicóloga orienta mulheres a reconhecer comportamentos abusivos para colocar sua segurança em primeiro lugar

 

Um relacionamento abusivo pode causar danos à saúde física e mental de uma mulher. Permanecer nesse tipo de relação expõe a vítima a estresse crônico, isolamento social, agressões físicas e até mesmo a risco de vida. O cenário se torna ainda mais alarmante quando se considera que o Brasil registrou 1450 feminicídios em 2024, de acordo com pesquisa do Ministério das Mulheres.

“Os impactos de um relacionamento abusivo podem ser profundos e duradouros. Psicologicamente, a mulher pode desenvolver ansiedade, depressão, baixa autoestima, transtornos do sono e estresse pós-traumático. Fisicamente, o abuso pode evoluir para agressões mais graves, adoecimento psicossomático e risco à vida”, explica Marynara Melo, profissional da área de psicologia do AmorSaúde.

 

Diferentes tipos de violência

Marynara ressalta que um relacionamento abusivo gera riscos em diversas áreas da vida da mulher. “A violência pode ser emocional, moral, sexual, patrimonial e financeira. Isso inclui controlar o dinheiro, impedir a mulher de trabalhar, desvalorizá-la publicamente, forçar relações sexuais, ameaçar tirar filhos ou bens e restringir sua liberdade”, afirma.

Segundo pesquisa do DataSenado, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar no Brasil em 2025, incluindo agressões, insultos, humilhações e formas de hostilidade. 

“Todas essas formas de violência são igualmente graves e fazem parte de um ciclo de poder e controle”, alerta a psicóloga. Ela ressalta que não se deve ignorar nenhum tipo de ameaça ou controle.

 

Como reconhecer um relacionamento abusivo?

De acordo com Marynara, “os primeiros sinais de um relacionamento abusivo costumam ser sutis e, justamente por isso, muitas vezes são confundidos com cuidado ou amor excessivo”. Por isso, a psicóloga enumera alguns fatores que devem chamar a atenção:

 

  • Controle disfarçado de preocupação: ações como querer saber onde a pessoa está o tempo todo e pedir acesso ao celular e às redes sociais não são normais e podem ser o primeiro sinal de controle excessivo e privação da liberdade;

 

  • Criticar roupas, amizades ou escolhas: não apoiar a companheira em suas escolhas pessoais é uma forma de violência e controle excessivo, que também pode evoluir para abusos no relacionamento;

 

  • Ciúmes constantes: o ciúme permanente demonstra desejo de controle e pode evoluir para quadros mais graves, nos quais a mulher perde liberdade, acesso aos seus recursos financeiros e pode ser agredida;

 

  • Desvalorização emocional: quando a mulher começa a se sentir culpada por tudo, a andar “pisando em ovos” para evitar conflitos ou a mudar quem ela é para agradar o parceiro, isso é um alerta importante.

 

Marynara ainda explica que “alguns sinais menos evidentes incluem manipulação emocional, chantagem, gaslighting (quando o parceiro faz a mulher duvidar da própria percepção), desqualificação constante e silêncio punitivo”.

A profissional cita sentimentos como medo, culpa, confusão emocional e perda da autoestima como sinais de um relacionamento abusivo. “Quanto mais cedo esses padrões são reconhecidos, maiores são as chances de interromper o ciclo antes que a violência se intensifique”, ela alerta.

 

Como sair de um relacionamento abusivo?

“O primeiro passo é levar seus sentimentos a sério. Se algo machuca, constrange ou causa medo, não deve ser normalizado”, explica Marynara. A psicóloga esclarece que para sair de um relacionamento abusivo é necessário buscar apoio, seja de familiares, amigos ou até de um psicólogo, e se informar sobre seus direitos.

“Buscar apoio psicológico ajuda a fortalecer emocionalmente, resgatar a autoestima e compreender que o abuso não é culpa da vítima”, ela indica. Outras opções de apoio incluem serviços especializados e informações sobre medidas legais de proteção. 

Sobre a terapia, a psicóloga explica que o processo para superar o relacionamento varia de acordo com cada pessoa. “A preparação psicológica envolve entender o ciclo da violência, trabalhar o medo, a culpa e a dependência emocional, e construir um plano seguro de saída. Cada mulher tem seu tempo, e respeitar esse processo é fundamental”, explica.

“Evitar o isolamento é essencial, assim como planejar a própria segurança, especialmente se houver sinais de escalada da violência”, ressalta. Nesse momento, é necessário construir uma rede de apoio e buscar ajuda por meio de canais de denúncia, como a delegacia da mulher.

 

AmorSaúde

 

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