Brasil registrou aumento no número de feminicídio em 2024; psicóloga orienta mulheres a reconhecer comportamentos abusivos para colocar sua segurança em primeiro lugar
Um
relacionamento abusivo pode causar danos à saúde física e mental de uma mulher.
Permanecer nesse tipo de relação expõe a vítima a estresse crônico, isolamento
social, agressões físicas e até mesmo a risco de vida. O cenário se torna ainda
mais alarmante quando se considera que o Brasil registrou 1450 feminicídios em
2024, de acordo com pesquisa do Ministério das Mulheres.
“Os
impactos de um relacionamento abusivo podem ser profundos e duradouros.
Psicologicamente, a mulher pode desenvolver ansiedade, depressão, baixa
autoestima, transtornos do sono e estresse pós-traumático. Fisicamente, o abuso
pode evoluir para agressões mais graves, adoecimento psicossomático e risco à
vida”, explica Marynara Melo, profissional da área de psicologia do AmorSaúde.
Diferentes tipos
de violência
Marynara
ressalta que um relacionamento abusivo gera riscos em diversas áreas da vida da
mulher. “A violência pode ser emocional, moral, sexual, patrimonial e
financeira. Isso inclui controlar o dinheiro, impedir a mulher de trabalhar,
desvalorizá-la publicamente, forçar relações sexuais, ameaçar tirar filhos ou
bens e restringir sua liberdade”, afirma.
Segundo
pesquisa do DataSenado, 3,7 milhões de mulheres sofreram
algum tipo de violência doméstica ou familiar no Brasil em 2025, incluindo
agressões, insultos, humilhações e formas de hostilidade.
“Todas
essas formas de violência são igualmente graves e fazem parte de um ciclo de
poder e controle”, alerta a psicóloga. Ela ressalta que não se deve ignorar
nenhum tipo de ameaça ou controle.
Como reconhecer um
relacionamento abusivo?
De
acordo com Marynara, “os primeiros sinais de um relacionamento abusivo costumam
ser sutis e, justamente por isso, muitas vezes são confundidos com cuidado ou
amor excessivo”. Por isso, a psicóloga enumera alguns fatores que devem chamar
a atenção:
- Controle disfarçado de
preocupação: ações como querer saber onde a pessoa está o
tempo todo e pedir acesso ao celular e às redes sociais não são normais e
podem ser o primeiro sinal de controle excessivo e privação da liberdade;
- Criticar roupas, amizades
ou escolhas: não apoiar a companheira em suas escolhas
pessoais é uma forma de violência e controle excessivo, que também pode
evoluir para abusos no relacionamento;
- Ciúmes constantes: o ciúme permanente demonstra desejo de controle e pode evoluir
para quadros mais graves, nos quais a mulher perde liberdade, acesso aos
seus recursos financeiros e pode ser agredida;
- Desvalorização emocional: quando a mulher começa a se sentir culpada por tudo, a andar
“pisando em ovos” para evitar conflitos ou a mudar quem ela é para agradar
o parceiro, isso é um alerta importante.
Marynara
ainda explica que “alguns sinais menos evidentes incluem manipulação emocional,
chantagem, gaslighting (quando o parceiro faz a mulher duvidar da própria
percepção), desqualificação constante e silêncio punitivo”.
A
profissional cita sentimentos como medo, culpa, confusão emocional e perda da
autoestima como sinais de um relacionamento abusivo. “Quanto mais cedo esses
padrões são reconhecidos, maiores são as chances de interromper o ciclo antes
que a violência se intensifique”, ela alerta.
Como sair de um
relacionamento abusivo?
“O
primeiro passo é levar seus sentimentos a sério. Se algo machuca, constrange ou
causa medo, não deve ser normalizado”, explica Marynara. A psicóloga esclarece
que para sair de um relacionamento abusivo é necessário buscar apoio, seja de
familiares, amigos ou até de um psicólogo, e se informar sobre seus direitos.
“Buscar
apoio psicológico ajuda a fortalecer emocionalmente, resgatar a autoestima e
compreender que o abuso não é culpa da vítima”, ela indica. Outras opções de
apoio incluem serviços especializados e informações sobre medidas legais de
proteção.
Sobre
a terapia, a psicóloga explica que o processo para superar o relacionamento
varia de acordo com cada pessoa. “A preparação psicológica envolve entender o
ciclo da violência, trabalhar o medo, a culpa e a dependência emocional, e
construir um plano seguro de saída. Cada mulher tem seu tempo, e respeitar esse
processo é fundamental”, explica.
“Evitar
o isolamento é essencial, assim como planejar a própria segurança,
especialmente se houver sinais de escalada da violência”, ressalta. Nesse
momento, é necessário construir uma rede de apoio e buscar ajuda por meio de
canais de denúncia, como a delegacia da mulher.
AmorSaúde

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