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terça-feira, 3 de março de 2026

4 de março marca o Dia Mundial contra a Gordofobia e reforça debate sobre direitos, saúde e dignidade de pessoas gordas

 

Data construída por ativistas e pesquisadoras do Brasil e do mundo questiona a patologização do corpo gordo e denuncia a gordofobia como discriminação estrutural

 

Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial contra a Gordofobia é uma data reivindicada por pessoas gordas, ativistas antigordofobia, pesquisadoras e pessoas aliadas de diferentes países para denunciar a opressão dirigida a corpos gordos e reivindicar autonomia corporal, dignidade e direitos.

A data surge como um movimento de ressignificação crítica do chamado “Dia Mundial contra a Obesidade”, cuja abordagem historicamente reforça a patologização, a culpabilização individual e a exclusão social de pessoas gordas. Ao reivindicar o Dia Mundial contra a Gordofobia, o movimento internacional afirma que a gordura não é uma falha moral nem um desvio a ser corrigido e que o corpo gordo é um marcador social atravessado por violências simbólicas, institucionais e materiais.

No Brasil, esse debate é sustentado por um campo de produção de conhecimento que vem se consolidando a partir de pesquisas acadêmicas, reflexões críticas e produções culturais que analisam as corporalidades gordas como questão social, política e epistemológica. Trabalhos de autoras como Agnes de Sousa Arruda, Maria Luisa Jimenez-Jimenez e Jéssica Balbino, entre muitos outros, constituem produções precursoras no país. Esses estudos renovam as investigações científicas sobre o corpo gordo ao evidenciar a gordofobia como uma forma de violência estrutural que organiza práticas médicas, narrativas midiáticas, políticas públicas e o acesso a direitos.

Para a jornalista e pesquisadora Néliane Catarina Simioni, o Dia Mundial contra a Gordofobia cumpre um papel central no debate público. “Essa data é fundamental porque nos permite nomear a violência e disputar os sentidos que organizam o olhar social sobre as pessoas gordas. A patologização não é neutra: legitima práticas de exclusão, controle e desumanização”, afirma.

Mestra em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Néliane destaca que marcar o 4 de março é uma forma de deslocar o debate da responsabilização individual para a dimensão coletiva e estrutural da gordofobia. “Falar de gordofobia é falar de quem pode acessar a saúde sem humilhação, de quem pode circular sem constrangimento, de quem tem seus direitos básicos garantidos. É uma discussão sobre cidadania”, diz.

Como um dos desdobramentos desse campo de reflexão, a pesquisadora lança no próprio dia 4 de março o livro ‘Tornar-se gorda’, obra que investiga como discursos médicos, midiáticos e cotidianos produzem e naturalizam a opressão contra pessoas gordas, afirmando o corpo gordo como identidade política e coletiva. A escolha da data para o lançamento reforça o caráter político da publicação.

“O Dia Mundial contra a Gordofobia nos convoca a repensar as estruturas que produzem desigualdade e a reconhecer que pessoas gordas têm direito à existência plena, sem tutela, correção ou violência”, conclui Néliane.

Evento de lançamento em São Paulo
O livro ‘Tornar-se gorda’ será lançado em São Paulo no dia 4 de março, na Livraria Martins Fontes Paulista, das 19h às 21h. O evento contará com uma roda de conversa sobre gordofobia com a autora, mediada pela jornalista Jéssica Balbino, seguida de sessão de autógrafos.


Ficha técnica da obra

Título: Tornar-se gorda: desestabilizando os sentidos da gordofobia pelo discurso digital
Autora: Néliane Catarina Simioni
ISBN: 978-65-5319-012-2
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 148
Preço sugerido: R$ 56,90
Editora: Contra o Vento (Alta Books)
Disponível no site da editora, Amazon e em livrarias parceiras

 

Sobre a autora

Néliane Catarina Simioni é jornalista, pesquisadora e mestra em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Sua dissertação acadêmica, concluída em 2024, deu origem ao livro ‘Tornar-se gorda’.
Como ativista, criou o projeto ‘Meu Corpo Sou Eu’, uma plataforma de letramento social que promove o debate e a reflexão sobre a gordofobia. A iniciativa inclui perfil no Instagram (@meucorposoueu), newsletter e o podcast ‘Isso não é sobre corpo’, com duas temporadas de entrevistas sobre corporeidades a partir da crítica à gordofobia.
Com sua pesquisa e atuação, Néliane busca ampliar as discussões sobre corpos gordos, disputando sentidos para afirmar dignidade, autonomia e reconhecimento social às pessoas gordas.


 Serviço

Local: Livraria Martins Fontes Paulista - Av. Paulista, nº 509Data: 4 de março

Horário: 19h às 21h

Atividade: Roda de conversa com a autora + sessão de autógrafos


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