Data construída por ativistas e
pesquisadoras do Brasil e do mundo questiona a patologização do corpo gordo e
denuncia a gordofobia como discriminação estrutural
Celebrado em 4 de março,
o Dia Mundial contra a Gordofobia é uma data reivindicada
por pessoas gordas, ativistas antigordofobia, pesquisadoras e pessoas aliadas
de diferentes países para denunciar a opressão dirigida a corpos gordos
e reivindicar autonomia corporal, dignidade
e direitos.
A data surge como um movimento de ressignificação crítica do
chamado “Dia Mundial contra a Obesidade”, cuja abordagem historicamente reforça
a patologização, a culpabilização individual e a exclusão social de pessoas
gordas. Ao reivindicar o Dia Mundial contra a Gordofobia, o
movimento internacional afirma que a gordura não é uma falha moral nem um
desvio a ser corrigido e que o corpo gordo é um marcador social atravessado por
violências simbólicas, institucionais e materiais.
No Brasil, esse debate é sustentado por um campo de produção de
conhecimento que vem se consolidando a partir de pesquisas acadêmicas,
reflexões críticas e produções culturais que analisam as corporalidades gordas
como questão social, política e epistemológica. Trabalhos de autoras como Agnes de
Sousa Arruda, Maria Luisa Jimenez-Jimenez e Jéssica
Balbino, entre muitos outros, constituem produções precursoras
no país. Esses estudos renovam as investigações científicas sobre o corpo gordo
ao evidenciar a gordofobia como uma forma de violência estrutural que organiza
práticas médicas, narrativas midiáticas, políticas públicas e o acesso a
direitos.
Para a jornalista e pesquisadora Néliane Catarina Simioni,
o Dia Mundial contra a Gordofobia cumpre um papel central no debate
público. “Essa data é fundamental porque nos permite nomear a
violência e disputar os sentidos que organizam o olhar social sobre as pessoas
gordas. A patologização não é neutra: legitima práticas de
exclusão, controle e desumanização”, afirma.
Mestra em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), Néliane destaca que marcar o 4 de março é uma
forma de deslocar o debate da responsabilização individual para a dimensão
coletiva e estrutural da gordofobia. “Falar de gordofobia é falar de quem pode acessar a
saúde sem humilhação, de quem pode circular sem constrangimento,
de quem tem seus direitos básicos garantidos. É uma
discussão sobre cidadania”, diz.
Como um dos desdobramentos desse campo de reflexão, a
pesquisadora lança no próprio dia 4 de março o livro ‘Tornar-se gorda’,
obra que investiga como discursos médicos, midiáticos e cotidianos produzem e
naturalizam a opressão contra pessoas gordas, afirmando o corpo gordo como
identidade política e coletiva. A escolha da data para o lançamento reforça o
caráter político da publicação.
“O Dia Mundial contra a Gordofobia nos convoca a repensar as
estruturas que produzem desigualdade e a reconhecer que pessoas gordas têm
direito à existência plena, sem tutela, correção ou violência”, conclui
Néliane.
Evento de lançamento em São Paulo
O livro ‘Tornar-se gorda’ será lançado em São Paulo no dia 4 de março,
na Livraria Martins Fontes Paulista, das 19h às 21h. O
evento contará com uma roda de conversa sobre gordofobia com a autora, mediada
pela jornalista Jéssica Balbino, seguida de sessão de autógrafos.
Ficha técnica da obra
Título: Tornar-se gorda:
desestabilizando os sentidos da gordofobia pelo discurso digital
Autora: Néliane Catarina Simioni
ISBN: 978-65-5319-012-2
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 148
Preço sugerido: R$ 56,90
Editora: Contra o Vento (Alta Books)
Disponível no site da editora,
Amazon
e em livrarias parceiras
Sobre a autora
Néliane Catarina Simioni é jornalista, pesquisadora e mestra
em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Sua dissertação acadêmica,
concluída em 2024, deu origem ao livro ‘Tornar-se gorda’.
Como ativista, criou o projeto ‘Meu Corpo Sou Eu’, uma plataforma
de letramento social que promove o debate e a reflexão sobre a gordofobia. A
iniciativa inclui perfil no Instagram (@meucorposoueu),
newsletter e o podcast ‘Isso não é sobre corpo’,
com duas temporadas de entrevistas sobre corporeidades a
partir da crítica à gordofobia.
Com sua pesquisa e atuação, Néliane busca ampliar as discussões
sobre corpos gordos, disputando sentidos para afirmar dignidade, autonomia e
reconhecimento social às pessoas gordas.
Local: Livraria Martins Fontes Paulista - Av. Paulista, nº 509Data: 4 de março
Horário: 19h às 21h
Atividade: Roda de conversa com a autora + sessão de autógrafos

Nenhum comentário:
Postar um comentário