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As redes sociais exercem influência direta sobre hábitos
de consumo e escolhas do dia a dia. De acordo com o relatório “Digital 2024”,
publicado pela We Are Social em parceria com a Meltwater, a plataforma figura
entre aquelas com maior tempo de uso por parte dos usuários. Nesse cenário,
conteúdos que envolvem a alimentação, perda de peso e bem-estar — como caldo de
abóbora, água de girino e suco verde — ganham destaque após períodos de
excessos, como festas, férias e datas comemorativas. Apesar da popularidade,
muitos desses preparos são associados a uma suposta perda de peso, conceito que
não corresponde ao funcionamento real do corpo. Mudanças físicas consistentes
dependem de um conjunto de hábitos e de organização alimentar, não de uma
solução pontual.
Segundo o Dr. Edson Ramuth, médico e fundador do
Emagrecentro, rede referência em emagrecimento saudável e estética corporal, o
principal problema dessas tendências está na expectativa criada. “Nenhum
preparo, por si só, promove desintoxicação ou redução de peso significativa. O
corpo responde à avaliação, constância e estratégia alimentar adequada”,
explica.
A seguir, o especialista médico esclarece o papel
real das combinações mais citadas nas redes sociais, veja:
1. Água de girino: risco
sanitário e ausência de efeito comprovado
A chamada “água de girino” divulgada nas redes não
envolve girinos, mas sim sementes de chia deixadas de molho, até liberarem uma
substância gelatinosa que dá origem ao nome popular. A orientação costuma ser
consumir o líquido ao longo do dia. Segundo Ramuth, não há qualquer comprovação
científica de impacto metabólico positivo. “Além de não contribuir para a perda
de peso ou para a saúde metabólica, existe risco sanitário. O preparo caseiro pode
favorecer a proliferação de micro-organismos”, alerta o médico.
Outro ponto de atenção é que não é indicado passar
o dia inteiro ingerindo esse tipo de líquido, sobretudo quando substitui água
ou refeições. “Isso pode provocar desconfortos digestivos, desequilíbrio
nutricional e uma falsa sensação de saciedade”, acrescenta.
2. Caldo de abóbora: opção
leve e de baixa caloria
Costuma aparecer em dietas por ser leve e de fácil
digestão, em média, uma porção simples, preparada apenas com o legume e
temperos naturais, apresenta cerca de 50 a 70 calorias, o que o torna uma
alternativa viável dentro de uma alimentação equilibrada. No entanto, o
especialista ressalta que esse alimento não promove emagrecimento nem
transformação corporal isolada. “Ele pode integrar uma refeição leve ou uma
fase de reorganização da dieta, mas não é o fator determinante para a redução
de gordura”, afirma. Resultados sustentáveis dependem do conjunto da
alimentação, do controle de porções e da regularidade ao longo do tempo.
3. Suco verde com limão:
combinação nutritiva, mas não como única solução
Geralmente preparado com folhas, legumes e limão,
reúne vitaminas, minerais e fibras e pode contribuir positivamente quando
inserido de forma adequada na rotina. Ele auxilia na hidratação e facilita o
consumo de vegetais. “Não é milagroso, seus efeitos aparecem a médio e longo
prazo, quando fazem parte de um planejamento alimentar consistente”, explica o
Dr. Ramuth. Segundo o médico, o limão contribui para o sabor e pode favorecer a
digestão, mas não tem função de ‘limpeza’ do corpo. “Essa bebida não substitui
refeições, não neutraliza excessos e não provoca mudanças imediatas”, completa.
O médico reforça ainda que o equívoco mais comum é
apostar em soluções únicas. “Resultados reais vêm de avaliação profissional e
de um plano alimentar estruturado, ajustado à rotina, ao metabolismo e às
necessidades individuais. O estímulo à alimentação saudável é uma construção
diária, feita de escolhas possíveis e consistentes ao longo do tempo, não de
receitas momentâneas”, conclui.

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