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A
morte recente do ator norte-americano James Van Der Beek, aos 48 anos, e o caso
da cantora Preta Gil reacenderam um alerta importante: o câncer colorretal é
hoje o tipo de câncer que mais cresce entre pessoas com menos de 50 anos.
Embora ainda seja mais frequente após essa faixa etária, especialistas observam
um avanço consistente da doença em adultos jovens, muitas vezes fora das
estratégias tradicionais de rastreamento.
“O
câncer colorretal deixou de ser uma doença restrita a faixas etárias mais
avançadas. Hoje, atendemos cada vez mais pacientes jovens, inclusive sem
fatores de risco clássicos, o que exige maior atenção aos sintomas e à história
familiar”, explica Maria Ignez Braghiroli, médica da Oncologia D’Or, da Rede
D’Or, e especialista em tumores do trato digestivo.
Estudos
internacionais indicam que a incidência do câncer colorretal (que afeta o intestino
grosso e o reto) vem crescendo de forma significativa entre os jovens. Nos
Estados Unidos, a doença já é a principal causa de morte por câncer entre
pessoas com menos de 50 anos, tendência que começa a se repetir em outros
países, incluindo o Brasil.
Mudanças
no estilo de vida ajudam a explicar esse cenário, como alimentação rica em
ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo.
"É
essencial que sejam implementadas politicas efetivas de prevenção e
rastreamento da doença. Outra dificuldade é em relação aos sintomas, que
costumam ser confundidos com outras doenças e o tabu em falar sobe o
tema", destaca a oncologista.
54 mil novos casos por ano
Dados
do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil deve registrar 781
mil novos casos de câncer por ano até 2028, dos quais aproximadamente 54 mil
somente de câncer colorretal.
Nesse
cenário, os tumores de cólon e reto estão entre os mais incidentes no país,
logo após o câncer de próstata entre os homens e na segunda posição entre as
mulheres, atrás apenas do câncer de mama.
“Entre
os mais jovens, o diagnóstico costuma acontecer em fases mais avançadas, quando
a doença já apresenta sintomas mais intensos, o que reduz as chances de
tratamento curativo”, alerta Braghiroli.
Sintomas subestimados
Os
sintomas do câncer colorretal podem ser inespecíficos e confundidos com
problemas intestinais comuns. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Sangue nas fezes ou sangramento pelo ânus;
- Mudança persistente do hábito intestinal;
- Dor ou desconforto abdominal frequente;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Fraqueza, cansaço excessivo e anemia.
“Sangramento
intestinal, alteração do hábito intestinal e anemia não devem ser normalizados,
independentemente da idade. A investigação precoce faz toda a diferença no
prognóstico”, reforça a especialista da Oncologia D’Or.
Colonoscopia é principal aliada na prevenção
O
câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais preveníveis e tratáveis,
especialmente quando identificado precocemente. A colonoscopia é o principal
exame de rastreamento.
“Cerca
de 90% dos tumores colorretais se desenvolvem a partir de pólipos benignos. A
colonoscopia é um exame único porque, além de diagnosticar, previne o câncer ao
permitir a retirada dessas lesões precocemente”, destaca Maria Ignez
Braghiroli.
Atualmente,
sociedades médicas recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos, ou
antes, em casos de histórico familiar ou outros fatores de risco.
Além
disso, hábitos saudáveis, como alimentação rica em fibras, atividade física
regular, controle do peso, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool,
também reduz significativamente o risco da doença.
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