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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Câncer colorretal é o que mais cresce entre pessoas com menos de 50 ano


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Aumento de casos em adultos jovens acende alerta para prevenção, rastreamento e mudança de hábitos

 

A morte recente do ator norte-americano James Van Der Beek, aos 48 anos, e o caso da cantora Preta Gil reacenderam um alerta importante: o câncer colorretal é hoje o tipo de câncer que mais cresce entre pessoas com menos de 50 anos. Embora ainda seja mais frequente após essa faixa etária, especialistas observam um avanço consistente da doença em adultos jovens, muitas vezes fora das estratégias tradicionais de rastreamento.

“O câncer colorretal deixou de ser uma doença restrita a faixas etárias mais avançadas. Hoje, atendemos cada vez mais pacientes jovens, inclusive sem fatores de risco clássicos, o que exige maior atenção aos sintomas e à história familiar”, explica Maria Ignez Braghiroli, médica da Oncologia D’Or, da Rede D’Or, e especialista em tumores do trato digestivo.

Estudos internacionais indicam que a incidência do câncer colorretal (que afeta o intestino grosso e o reto) vem crescendo de forma significativa entre os jovens. Nos Estados Unidos, a doença já é a principal causa de morte por câncer entre pessoas com menos de 50 anos, tendência que começa a se repetir em outros países, incluindo o Brasil.

Mudanças no estilo de vida ajudam a explicar esse cenário, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo.

"É essencial que sejam implementadas politicas efetivas de prevenção e rastreamento da doença. Outra dificuldade é em relação aos sintomas, que costumam ser confundidos com outras doenças e o tabu em falar sobe o tema", destaca a oncologista.

 

54 mil novos casos por ano

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, dos quais aproximadamente 54 mil somente de câncer colorretal.

Nesse cenário, os tumores de cólon e reto estão entre os mais incidentes no país, logo após o câncer de próstata entre os homens e na segunda posição entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama.

“Entre os mais jovens, o diagnóstico costuma acontecer em fases mais avançadas, quando a doença já apresenta sintomas mais intensos, o que reduz as chances de tratamento curativo”, alerta Braghiroli.

 

Sintomas subestimados

Os sintomas do câncer colorretal podem ser inespecíficos e confundidos com problemas intestinais comuns. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Sangue nas fezes ou sangramento pelo ânus;
  • Mudança persistente do hábito intestinal;
  • Dor ou desconforto abdominal frequente;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Fraqueza, cansaço excessivo e anemia.

“Sangramento intestinal, alteração do hábito intestinal e anemia não devem ser normalizados, independentemente da idade. A investigação precoce faz toda a diferença no prognóstico”, reforça a especialista da Oncologia D’Or.

 

Colonoscopia é principal aliada na prevenção

O câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais preveníveis e tratáveis, especialmente quando identificado precocemente. A colonoscopia é o principal exame de rastreamento.

“Cerca de 90% dos tumores colorretais se desenvolvem a partir de pólipos benignos. A colonoscopia é um exame único porque, além de diagnosticar, previne o câncer ao permitir a retirada dessas lesões precocemente”, destaca Maria Ignez Braghiroli.

Atualmente, sociedades médicas recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, em casos de histórico familiar ou outros fatores de risco.

Além disso, hábitos saudáveis, como alimentação rica em fibras, atividade física regular, controle do peso, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool, também reduz significativamente o risco da doença.


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