Neurologista explica os sinais de emergência, expõe mitos e alerta para o risco do metanol
O coma alcoólico,
estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das preocupações
em fevereiro, com a proximidade do Carnaval e o início do ano letivo nas
universidades, período marcado por festas e trotes aos calouros, frequentemente
associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Muitas vezes confundida
com uma embriaguez comum, a condição pode evoluir rapidamente e provocar parada
cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e até levar a óbito.
O quadro acontece
quando há um rebaixamento profundo do nível de consciência, pois o álcool atua
como um potente depressor do sistema nervoso central, colocando o indivíduo em
um cenário de risco, que inclui aspiração de conteúdo gástrico, hipotermia e
instabilidade dos sinais vitais. “A pessoa pode não responder a estímulos e
apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro
imediato”, explica a dra. Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint.
A especialista
diferencia a intoxicação alcoólica grave do coma propriamente dito. Na
primeira, ainda pode haver consciência parcial, confusão mental e vômitos
persistentes. Já no coma, ocorre perda significativa ou total da consciência e
comprometimento das funções vitais, especialmente da respiração. Vale ressaltar
que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma dose
segura de consumo de álcool que não afete a saúde em nenhum nível.
Os principais
sinais de alerta são:
● sonolência
profunda ou inconsciência;
● dificuldade
de acordar;
● fala
incoerente ou ausência de fala;
● respiração
lenta, irregular ou ruidosa;
● pele
fria, pálida ou arroxeada;
● vômitos
com rebaixamento de consciência;
● convulsões
e hipotermia.
Jovens
estão entre os mais vulneráveis
O perfil de maior risco inclui jovens com consumo excessivo, além de idosos, pessoas de baixo peso e aquelas que fazem uso de medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos. Doenças hepáticas, respiratórias ou neurológicas também aumentam a vulnerabilidade.
O que
fazer e o que nunca fazer?
Diante da suspeita
de coma alcoólico, a orientação é clara: acionar suporte médico imediatamente,
manter a pessoa deitada de lado, em posição lateral de segurança, observar a
respiração e o pulso, mantê-la aquecida e nunca deixá-la sozinha.
Vale ressaltar que
mitos comuns podem agravar o quadro. “Dar café, banho gelado, induzir o vômito
ou forçar a pessoa a andar aumentam o risco de aspiração e de parada
respiratória. Além disso, incentivar que a pessoa durma na tentativa de aliviar
os sintomas é perigoso”, afirma a especialista.
Sequelas
podem ser permanentes
Quando há demora
no atendimento, o coma alcoólico pode deixar marcas duradouras, como déficits
de memória e atenção, epilepsia secundária e distúrbios motores e
psiquiátricos. Em situações extremas, pode evoluir para estado vegetativo ou
óbito. O prognóstico depende do tempo de falta de oxigenação no cérebro, da
dose ingerida e da rapidez do socorro.
Metanol:
um perigo invisível
Além do etanol
presente nas bebidas regulares, o Brasil segue registrando casos de bebidas
adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. No último boletim
divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 97 casos e 16 óbitos em
todo o país, até novembro de 2025. No estado de São Paulo, até o dia 5 de
fevereiro deste ano, foram confirmadas 12 mortes associadas à ingestão de
bebidas adulteradas.
Diferentemente do
álcool comum, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, capaz de provocar
acidose grave, lesão neurológica progressiva, cegueira, convulsões e coma,
muitas vezes poucas horas após a ingestão. “O quadro pode piorar mesmo quando a
pessoa já parece ter melhorado. Por isso, qualquer suspeita de bebida de
procedência duvidosa deve ser tratada como emergência”, alerta a neurologista.
Prevenção
em tempos de festa
Para reduzir
riscos, a neurologista recomenda alimentar-se antes e durante o consumo, beber
devagar e intercalar com água, evitar misturar álcool com medicamentos ou
outras drogas, não aceitar bebidas sem procedência confiável, não incentivar
“competições” de doses, permanecer em grupo e observar os amigos. “O cuidado
coletivo pode salvar vidas. Reconhecer precocemente os sinais e agir rápido é o
que separa um susto de uma tragédia”, afirma
Omint
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