Especialista
esclarece como diagnosticar as condições e prevenir seus sintomas
Com a chegada do verão e o aumento das
temperaturas, o corpo reage de diversas formas: transpiração, dilatação dos
vasos sanguíneos e aumento da circulação são respostas fisiológicas naturais ao
calor. Porém, junto a esse processo, é comum o surgimento de sintomas como
coceira, vermelhidão ou manchas, que podem ser confundidos com alergia, irritação
ou até mesmo uma infecção leve. “Nem sempre a pele está reagindo a um único
fator. Muitas vezes, é o conjunto de agentes que provoca um desequilíbrio,
comprometendo a barreira cutânea e desencadeando sintomas visíveis”, explica
Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, marca especializada no
desenvolvimento de produtos hipoalergênicos.
A vermelhidão pode surgir após um dia de sol, sem
uso adequado de filtro solar, por conta de uma dermatite induzida pelo suor ou
pelo próprio sol, pela picada de mosquito ou até pelo estresse acumulado. Em
cada caso, os sinais têm suas particularidades — e observar cuidadosamente o
padrão é essencial para não negligenciar a origem do problema. “O calor aumenta
a sensibilidade da pele, mas nem toda vermelhidão é alergia. Muitas vezes,
trata-se de uma dermatite de contato, que é um tipo de alergia provocada por
substâncias em cosméticos que podem se tornar irritantes ao sol, causando
vermelhidão e coceira. Por isso, o diagnóstico correto e o uso de produtos
hipoalergênicos fazem toda a diferença”, reforça Julinha.
Outro aspecto relevante é o impacto emocional: o
estresse, comum em períodos de maior agitação, viagens e mudanças na rotina,
também afeta a pele. A liberação de cortisol, hormônio associado ao estresse,
contribui para quadros inflamatórios e reações somáticas, que podem se
manifestar como coceira, ardência ou formação de placas avermelhadas, mesmo sem
exposição a agentes físicos. A sensibilidade exacerbada da pele durante o
verão, portanto, não se explica apenas pelos fatores ambientais — ela pode
refletir o estado emocional do indivíduo.
Portanto, entender a diferença entre reações
alérgicas, irritativas, inflamatórias ou emocionais é o primeiro passo para
estabelecer uma rotina de cuidados eficiente. É possível prevenir, tratar e até
reduzir significativamente esses sintomas com métodos simples — desde a escolha
de cosméticos adequados até técnicas de autoconhecimento corporal.
Alergia ao suor
A sudorese é uma das causas mais comuns de coceira
e vermelhidão no verão. Quando o suor se acumula em áreas de dobras ou atrito —
como pescoço, axilas ou coxas — ele pode levar a uma dermatite conhecida como
sudamina, ou miliária. Esse quadro ocorre quando as glândulas sudoríparas ficam
obstruídas, impedindo que o suor seja eliminado adequadamente. A obstrução
forma pequenas bolhas ou vesículas translúcidas que coçam, ardendo
principalmente em ambientes quentes ou úmidos.
“O suor em si não é um problema, mas a combinação
dele com fatores como fungos, tecidos sintéticos ou fricção pode desencadear
reações desagradáveis. Higienizar a pele com sabonetes suaves, manter áreas
úmidas secas e optar por roupas de algodão são medidas simples, porém
eficazes”, orienta Julinha.
Embora muitas pessoas associem a sudamina à
infância — onde é mais comum por causa da imaturidade do sistema de sudorese —
ela também pode afetar adultos, especialmente durante o verão ou em situações
de calor extremo. Na maioria dos casos, a condição melhora com medidas simples,
como refrescar a pele, evitar roupas apertadas e manter uma rotina de higiene
gentil e hidratante. “A mensagem é clara: a pele precisa respirar. Produtos com
pH fisiológico e vestuário natural ajudam a manter a homeostase, reduzindo as
chances de inflamação”, destaca a especialista.
Reação ao sol
Nem toda vermelhidão após a exposição solar é sinal
de queimadura. Algumas pessoas podem apresentar erupções solares polimorfas —
um tipo de alergia ao sol que causa manchas, coceira intensa e inchaço,
especialmente no colo e braços. Esse é um quadro que tende a aparecer no início
do verão, quando a pele ainda não está habituada aos raios UV.
“É fundamental reconhecer os sinais: se a pele
reage com coceira e vermelhidão mesmo com pouco tempo ao sol, e não melhora com
hidratantes comuns, isso pode indicar uma fotossensibilidade. Nesses casos, a
proteção solar física, com filtros solares e reaplicação constante, é
essencial”, explica a especialista.
Estresse cutâneo
Em períodos de sobrecarga emocional, a pele pode se
tornar um espelho do estado interno, manifestando sinais como urticária,
vermelhidão localizada e descamações. Esse fenômeno é intensificado no verão,
quando o calor contribui para aumentar a circulação de hormônios inflamatórios
na pele.
“O estresse é um modulador da imunidade. Pessoas
com histórico de dermatite atópica, eczema ou rosácea percebem claramente como
o emocional pode ser um gatilho. Reconhecer isso é o primeiro passo”, observa
Lazaretti.
Picadas de mosquito
Durante o verão, o aumento da umidade traz um inimigo
incômodo: os mosquitos. Além da irritação causada pelas picadas, há risco de
infecções oportunistas quando a coceira leva ao rompimento da pele. “Além do
uso de repelentes seguros, a aplicação de loções calmantes com agentes como
alantoína ou extratos vegetais anti-inflamatórios é essencial. Evitar coçar e
manter as unhas curtas também previne infecções secundárias”, orienta a
especialista.
Diagnóstico e prevenção
Embora a vermelhidão e a coceira sejam comuns no
verão, identificar a causa exata exige atenção aos detalhes. Observar quando os
sintomas aparecem — durante a exposição solar, após o suor excessivo ou em
momentos de tensão —auxilia na identificação sobre a origem. “É comum que o
paciente atribua qualquer irritação à ‘alergia’, mas, na prática, cada quadro
tem nuances que precisam ser avaliadas por um profissional”, afirma Lazaretti.
Para um diagnóstico mais preciso, o dermatologista
pode recorrer a testes de contato, análises clínicas e até biópsias, quando
necessário. O objetivo é diferenciar inflamações, alergias e infecções,
evitando tratamentos inadequados. “Automedicar-se ou usar produtos genéricos
apenas piora a situação. Cada pele reage de forma única”, completa a
especialista.
Na prevenção, medidas práticas são fundamentais:
uso de protetor solar com ampla cobertura, roupas leves e de tecidos naturais,
higienização adequada das áreas afetadas pelo suor e aplicação de hidratantes
calmantes com ativos como Alantoína e D-Pantenol. “Vale ressaltar que,
controlar o estresse com estratégias emocionais e dormir bem são atitudes que
refletem diretamente na saúde da pele”, finaliza Julinha.
Alergoshop
https://alergoshop.com.br/
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