Pesquisar no Blog

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

SBGG alerta: Brasil vive avanço perigoso de casos de HIV entre pessoas idosas

População 60+ registra aumento de 441% nos diagnósticos em uma década, reforçando a necessidade de ampliar testagem, informação e acesso ao tratamento.

 

Celebrado hoje, 1º de dezembro, o Dia Mundial de Combate à AIDS é uma data de extrema importância para reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce e a garantia dos direitos das pessoas que vivem com HIV. O assunto é tão relevante que existe a campanha Dezembro Vermelho, instituída pela Lei no 13.504/2017, que mobiliza o País na luta contra o HIV, a AIDS e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). 

Apesar de remeter mais ao público jovem, uma parcela importante da população segue “esquecida”: os idosos. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde mostram que entre 2011 e 2021 foram registrados 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais, além de 24.809 casos de AIDS e 14.773 mortes nessa faixa-etária. Outro dado que chama a atenção é o crescimento acelerado da doença na população idosa. Para se ter ideia, entre 2012 e 2022, houve um aumento de 441% no número de diagnósticos, sendo a única faixa-etária que apresentou aumento percentual no número de óbitos ao longo dessa década. 

De acordo com geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Dr. Leonardo Oliva, esses números reforçam a necessidade de ampliar o foco das campanhas e fortalecer o acesso da população 60+ às medidas preventivas, diagnósticos e tratamento. “É essencial garantir a adesão à terapia antirretroviral (TARV), tratas as infecções oportunistas e manter o acompanhamento médico. Outro ponto que não pode ser esquecido é a saúde mental desses pacientes, que frequentemente enfrentam estigma, baixa autoestima e sofrimento emocional”, ressalta.

 

Pontos de atenção

Segundo Dr. Oliva, alguns fatores explicam esse aumento de casos na população idosa, entre eles a baixa adesão ao uso de preservativos; a popularização dos medicamentos contra disfunção erétil, que prolongou a vida sexual de muitos homens aumentando a exposição a relações sexuais desprotegidas e as mudanças ocorridas no perfil do relacionamento das pessoas idosas. “Os divórcios, a viuvez e o uso de aplicativos de relacionamento aumentaram a frequência de novas parcerias, muitas sem o cuidado preventivo adequado. Além disso, a menor lubrificação vaginal e anal, a maior fragilidade das mucosas e a imunossenescência são condições que facilitam a infecção pelo HIV.” 

De acordo com o geriatra e presidente da SBGG, apesar do aumento do número de testes, a testagem entre os idosos está longe do ideal. Ele revela que quando surgem sintomas como perda de peso, o HIV é pouco cogitado pelos médicos, que em sua grande maioria priorizam hipóteses como câncer e outras doenças. “Achar que a pessoa idosa não tem mais vida sexual ativa prejudica a prevenção e atrasa o diagnóstico”, afirma, ao comentar que campanhas, como a Dezembro Vermelho, precisam dialogar também com a população 60+, que ainda recebe pouca atenção nas ações preventivas. “A invisibilidade da pessoa idosa contribui diretamente para o aumento dos casos. É preciso derrubar mitos e tabus, falar abertamente sobre vida sexual nessa fase da vida e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento”, atesta. 

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados