A chegada do Réveillon vai além da troca do calendário. Para a
neuropsicóloga Aline Graffiette, a virada do ano é interpretada pelo cérebro
como um marco simbólico de encerramento e reinício, o que explica a força
emocional que os rituais dessa data exercem sobre a saúde mental.
Segundo a especialista, práticas como vestir branco, pular ondas, fazer
pedidos ou estabelecer intenções não são apenas tradições culturais, mas
estratégias inconscientes de organização emocional. “Os rituais oferecem ao
cérebro uma sensação de previsibilidade e controle, elementos fundamentais para
reduzir a ansiedade, especialmente em períodos de incerteza”, explica Aline.
Do ponto de vista neuropsicológico, esses símbolos funcionam como
âncoras emocionais, auxiliando o cérebro a encerrar ciclos. Esse processo é importante
para diminuir a ruminação e abrir espaço cognitivo para novas experiências.
“Quando o cérebro reconhece simbolicamente o fim de um ciclo, ele consegue
liberar energia emocional para o que vem depois”, destaca.
A neuropsicóloga também explica que o Réveillon ativa áreas ligadas à
emoção e à memória, como o sistema límbico, o que faz com que sentimentos
diversos coexistam. Esperança, gratidão, ansiedade e até tristeza podem surgir
ao mesmo tempo — uma resposta natural do cérebro diante de momentos de
transição.
Outro ponto relevante é a sensação de controle emocional proporcionada
pelos rituais. Em contextos nos quais muitas situações fogem ao controle,
pequenos gestos simbólicos ajudam o cérebro a perceber que algo está sendo
cuidado. Essa percepção contribui para a autorregulação emocional e para a
redução do estresse.
No entanto, Aline Graffiette faz um alerta: quando os rituais se transformam em obrigação ou em metas irreais, o efeito pode ser contrário. “Quando a virada do ano vira uma cobrança por felicidade, sucesso ou mudança imediata, o cérebro responde com frustração e ansiedade”, afirma.
Para a especialista, os rituais de Réveillon devem ser encarados como ferramentas de reflexão, e não como soluções mágicas. “O cérebro responde melhor a recomeços que respeitam o tempo, o processo e a complexidade humana. A virada não precisa ser perfeita, precisa ser significativa”, conclui a neuropsicóloga Aline Graffiette.
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