Pesquisa internacional aponta aumento expressivo de eventos cardíacos durante o período festivo
As festas de fim
de ano trazem um aumento relevante nos casos de problemas cardíacos. De acordo
com dados divulgados pela American Heart Association, essa época está associada
a um risco cerca de 15% maior de ataques cardíacos — incluindo uma
probabilidade quase 40% superior de ocorrência de infarto especificamente na
véspera de Natal. O clima emocional intenso, a mudança de rotina e os excessos
típicos desse período ajudam a explicar esse cenário.
A cardiologista
Dra. Fernanda Douradinho explica que o final do ano é marcado por múltiplos
fatores que elevam significativamente a sobrecarga do coração. “O fim de ano é
marcado por balanços pessoais, conflitos familiares, gastos excessivos e
sensação de esgotamento — tudo isso eleva catecolaminas, aumenta a frequência
cardíaca e a pressão arterial”, destaca.
Somado ao
estresse, há ainda os excessos alimentares e alcoólicos característicos do
Natal e do Réveillon. “A alimentação típica das festas aumenta a pressão
arterial e sobrecarrega o sistema cardiovascular. Já o consumo exagerado de
álcool pode desencadear a ‘holiday heart syndrome’, levando a arritmias mesmo em
pessoas sem histórico cardíaco”, afirma. Noites mal dormidas, desidratação e
altas temperaturas — comuns no verão brasileiro — intensificam o risco
cardiovascular.
A negligência
diante de sinais de alerta também contribui para a gravidade dos quadros. “Durante
as comemorações, muitos confundem dor no peito, falta de ar ou mal-estar com
efeitos da comida, do álcool ou do cansaço — e isso atrasa o atendimento e
aumenta a mortalidade”, reforça a cardiologista. Entre os sintomas que não
devem ser ignorados estão dor torácica, irradiação para braço ou mandíbula,
sudorese fria, náuseas, palpitações e cansaço extremo.
Para reduzir
riscos, a médica orienta a adotar atitudes preventivas simples: moderar nas
porções, evitar alimentos muito gordurosos ou salgados, hidratar-se
adequadamente, priorizar boas noites de sono e não interromper o uso de
medicações — especialmente para quem viaja ou altera horários de rotina.
Procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sinal suspeito é
essencial.
Em sua mensagem
final, a Dra. Fernanda reforça a importância da moderação. “O fim do ano é um
momento especial e festivo, mas não suspende a necessidade de cuidado com o
coração. Os excessos são pontuais, mas seus efeitos podem ser intensos em quem
já tem fatores de risco ou ainda não sabe que é portador de cardiopatia.
Aproveitar as festas com equilíbrio, descanso adequado e atenção ao corpo faz
toda a diferença.”

Nenhum comentário:
Postar um comentário