Segundo a especialista, a linha entre hábito e vício é tênue; jovens estão mais vulneráveis à comparação irreal da vida online
A chegada do final do ano traz as férias, festas e celebrações, mas também o balanço do período, a pressão das metas não cumpridas, escancara a dor de alguns eventuais lutos recentes e ausências, pontos que podem ser delicados para algumas pessoas. Para a coordenadora do curso de Psicologia da UniFacens, Yáskara Palma, esses sentimentos negativos podem ser agravados pelas redes sociais, que causam a ilusão de que os outros vivem ‘vidas perfeitas’ e distantes da realidade da maioria.
"Por serem espaços de projeção, as redes podem potencializar a fantasia e uma busca para dar conta de desejos que só existem no virtual. Essa situação pode maximizar angústias e sentimentos de desvalia, especialmente para quem não está preparado emocionalmente, gerando mais ansiedade, tristeza e até mesmo depressão”, explica a especialista.
Segundo ela,
os jovens, por estarem em momentos formativos, são considerados mais
vulneráveis a esse tipo de estímulo. “A busca por medidas ‘inalcançáveis’ gera
comparações irreais e afeta consideravelmente a saúde mental dessa faixa
etária, que se vê frustrada pela comparação e impossibilidade de viver o que
acompanha online.”
Hábito x
vício: quando procurar ajuda
Yáskara pontua que a linha entre o hábito de usar as redes sociais e o vício é tênue: a grande diferença é quando o ato de estar conectado traz prejuízos para a qualidade de vida da pessoa.
“Se há
descontrole, com aumento significativo do tempo online, sintomas de
abstinência, falta de foco e queda no rendimento, problemas no sono, e demais
prejuízos graves para a organização da vida como um todo, é fundamental
procurar por um psicólogo para avaliação adequada, para psicoterapia e possível
tratamento com psiquiatra se necessário”, recomenda.
Preserve sua saúde mental
Para
proteger a saúde mental durante as festas, a profissional recomenda o foco em
cinco ações protetivas e momentos de qualidade:
- Seja realista com as metas: não se cobre excessivamente por metas não cumpridas no ano.
Use esse momento para refletir de forma gentil e estabelecer objetivos
mais alcançáveis para o próximo ciclo, sem pressa.
- Priorize conexões interpessoais: potencializar momentos de qualidade durante as festas de
final de ano com pessoas afetivamente importantes são ações que podem ser
entendidas como protetivas para a saúde mental. “As conexões interpessoais
são fundamentais para estabelecer o fortalecimento de vínculo”, explica
Yáskara.
- Encare o luto: permita-se
sentir a tristeza pela ausência de entes queridos. Criar novas tradições
ou honrar memórias pode ajudar a ressignificar o momento, em vez de focar
apenas na perda.
- Abra espaço para a fluidez: a mudança da
rotina e o recesso promovem a descompressão mental e podem ajudar no
processo. A especialista recomenda descansar e dar início a novos projetos
e hobbies.
- Dê uma chance para o detox: “dar uma pausa em tudo que está pesando é muito bem-vindo,
seja das redes sociais ou de outras ações que não estejam contribuindo
para o bem-estar”, conclui a especialista.
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