Problema ortopédico pode interferir na mobilidade
e causar dor crônica, e muitas vezes se manifesta por dificuldade do pet em
urinar ou defecar
Um estudo
retrospectivo conduzido pela Universidade
Estadual Paulista (UNESP), que avaliou 889 cães atendidos no hospital‑veterinário
ao longo de sete anos, revelou que 15,1% dos animais apresentaram Displasia Coxofemoral
(DC). A condição, que afeta as articulações do quadril, pode
comprometer a mobilidade do animal e causar dor crônica. Em muitos casos,
segundo especialistas do Nouvet, centro veterinário de São Paulo, a doença pode
se manifestar de forma discreta. Um exemplo é quando o pet passa a demonstrar
dificuldade para urinar ou defecar.
De acordo
com Dr. Rafael Boccia, especialista do Nouvet, esse tipo de sintoma
costuma ser confundido com problemas intestinais, mas pode ter origem
ortopédica. “É comum que o tutor associe a dificuldade em defecar a uma simples
prisão de ventre, mas muitas vezes o problema está na parte musculoesquelética.
O animal sente dor ou tem limitação de movimento ao se agachar, e isso
interfere diretamente nesse momento”, explica.
A displasia
é caracterizada por uma instabilidade e frouxidão das articulações, o que leva
ao desgaste da cartilagem. Essa alteração causa dor, inflamação e perda
progressiva da amplitude de movimento. Conforme a doença avança, o pet tende a
evitar posturas que causem desconforto, como a posição agachada dos membros
pélvicos, necessária para urinar ou defecar. Segundo o veterinário, isso pode
desencadear outros problemas de saúde. “Em casos mais avançados, o animal pode
começar a reter urina, urinar em estação, defecar em locais inadequados por dor
ou até desenvolver infecções secundárias por conta da retenção”, comenta.
Os sinais
clínicos da displasia variam conforme a gravidade, mas geralmente incluem
dificuldade para se levantar, claudicar, tremores nos membros pélvicos, atrofia
muscular, mudanças de postura e perda de interesse por atividades físicas. O
diagnóstico é feito a partir de avaliação ortopédica detalhada e exames de
imagem, como radiografias específicas e tomografia computadorizada.
“Quanto
antes identificarmos a displasia, maiores são as chances de controlar a dor e
evitar o agravamento da degeneração articular. Em muitos casos, a fisioterapia,
o ganho de massa muscular e o controle de peso já proporcionam uma melhora
significativa na qualidade de vida do animal”, afirma o especialista.
O tratamento
costuma envolver um conjunto de medidas que vão desde o uso de
anti-inflamatórios e suplementos articulares até programas de reabilitação com
fisioterapia e hidroterapia. Em situações mais graves, a cirurgia pode ser
necessária para corrigir a instabilidade articular e controle da dor.
A prevenção,
apesar de ser uma alteração genética, passa por cuidados simples, como manter o
peso ideal, oferecer alimentação balanceada e incentivar exercícios regulares
de baixo impacto. Raças grandes e médias — como Labrador, Golden Retriever,
Pastor Alemão e Bulldog — são mais suscetíveis, mas qualquer animal pode
desenvolver a condição.
“Quando o
tutor percebe que o pet evita se agachar ou demonstra dor ao fazer as necessidades,
o ideal é buscar avaliação com um ortopedista veterinário. Pequenas mudanças de
comportamento podem revelar um problema articular em estágio inicial, e tratar
o mais cedo possível faz toda a diferença”, finaliza Dr. Rafael Boccia.
Nouvet
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