O hype da inovação acabou. Hoje, as empresas entendem que, muito além de uma “moda”, inovar é sinônimo de sobrevivência e prosperidade, desde que seja implementada através de estratégias robustas e planejadas que gerem valor à organização. Muitos erros e aprendizados foram observados ao longo de 2025 nesse sentido, os quais podem servir de ensinamentos valiosos para aquelas que souberem transformar seu mindset para um 2026 ainda melhor.
Seja através da inteligência artificial, dados,
automação ou experiências digitais, o verdadeiro divisor de águas entre uma
organização verdadeira inovadora daquela que não consegue tirar as ideias do
papel, será sua capacidade de conectar a inovação à estratégia de negócio,
compreendendo o que este ano nos mostrou como indispensável para que essa
cultura seja devidamente fomentada e expandida nas operações.
Veja as principais lições de 2025 neste tema:
#1 Queda do Brasil no Ranking
Mundial de Inovação: se, antes, éramos líderes
nessa classificação na América Latina, em 2025, perdemos protagonismo,
atingindo a 52ª posição. Dentre os tópicos mais preocupantes em nossa
avaliação, estão o de instituição (o qual evidenciou como nossos regulamentos e
legislações nacionais para a inovação estão obsoletos e ultrapassados quando
comparados às de outros países); e o de infraestrutura, perdendo espaço em
termos de logística, tecnologia e sustentabilidade nessas iniciativas. Se não
revisarmos esses pontos, continuaremos lutando fortemente por resultados
melhores em 2026.
#2 Adoção da IA em massa: essa vem sendo, sem dúvidas, uma das tecnologias mais investidas no
mundo. De acordo com a Pesquisa Global de IA de 2025 da McKinsey, como prova
disso, em 2025, 78% das organizações já utilizam a IA em, pelo menos, uma
função de negócio. Essa adoção em massa movimenta as nações em busca da
manutenção de sua competitividade, explorando seus benefícios em aprimorar os
processos internos – o que tende a crescer ainda mais neste próximo ano.
#3 Segurança da Informação: cerca de 77% das empresas brasileiras enfrentaram incidentes de
segurança relacionados à IA em 2025, segundo dados da Cisco. Garantir a
proteção dos ativos corporativos ficou ainda mais evidente neste último ano,
como forma de mitigar invasões e roubos de dados, assim como proteger a
reputação e prosperidade da marca. Contudo, quanto mais empresas continuarem
adotando essa tecnologia desenfreadamente, sem gestão e planejamento por trás,
mais incidentes desse tipo continuaremos presenciando – algo completamente
prejudicial para retornos inovadores positivos.
#4 Fortalecimento da
governança: a ideia de que empresas inovadoras eram aquelas
repletas de pufes coloridos e espaços para relaxar, já ficou para trás. 2025
mostrou que, muito além de ter um ambiente descontraído que estimule a
criatividade, é preciso ter uma governança robusta por trás dessa mentalidade,
garantindo que os projetos inovadores gerem um ROI significativo. Não à toa,
segundo um estudo que conduzi a respeito da ISO 56001, de gestão da inovação,
empresas que utilizam esta metodologia elevam em 271% seu entendimento sobre o
tema, adquirindo maior preparo e capacidade de gerar inovação, colhendo
resultados positivos a curto prazo.
#5 Lei do Bem: o Brasil também peca quanto ao uso de leis de fomento e editais que
estimulam a inovação, o que faz com que muitas empresas desconheçam essas
possibilidades para que consigam inovar, mesmo que não tenham um caixa
significativo para isso. Um ótimo exemplo disso está na Lei do Bem, uma das
maiores portas de entrada no nosso país nesse sentido, mas que ainda é pouco
explorada. Dados da Fiesp comprovam isso: das 63% das companhias entrevistadas
afirmam investir em inovação, 83% delas não recorrem a esses incentivos.
O maior risco para 2026 não é ficar para trás
tecnologicamente, mas avançar sem preparo. Os erros e aprendizados de 2025
evidenciaram que investir em IA, automação e novas plataformas sem maturidade
operacional, segurança da informação e governança apenas irá ampliar as
vulnerabilidades do negócio, ao invés de reforçar sua estrutura interna para
potencializar seu crescimento.
Inovar continuará sendo essencial, mas apenas as
empresas que compreenderem os pontos acima e aplicarem as mudanças necessárias
nesse sentido, terão a peça-chave necessária para começar o ano novo com o pé
direito.
Alexandre Pierro - mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
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