Ruídos intensos podem provocar crises graves em pets cardiopatas e epilépticos, enquanto alimentos típicos das festas oferecem risco de intoxicação e até morte
A chegada do Ano Novo e as celebrações de Natal,
marcadas por fogos de artifício e mesas fartas, podem representar sérios riscos
à saúde de cães e gatos. A professora de Medicina Veterinária da Universidade
Veiga de Almeida (UVA), Carolina Aben Athar, alerta que o barulho intenso e a
ingestão de alimentos inadequados estão entre os principais fatores que levam
pets a quadros de estresse, intoxicação e atendimentos de emergência nesta
época do ano, sobretudo animais cardiopatas, epilépticos ou mais sensíveis ao
estresse.
De acordo com Carolina Aben Athar, cães e gatos têm uma capacidade
auditiva muito mais aguçada do que a dos humanos - característica ainda mais
acentuada nos felinos. Por isso, os fogos de artifício podem desencadear
respostas exageradas do sistema nervoso, variando de estresse intenso a quadros
de fobia.
“Esse aumento do estresse eleva a frequência cardíaca, o que é
especialmente grave em animais cardiopatas, podendo evoluir para edema
pulmonar. Em pets com epilepsia, o barulho também pode funcionar como gatilho
para crises convulsivas”, explica a professora.
Além disso, há risco de fugas, automutilação - como lamber as
patas até ferir - e vocalização excessiva, que pode provocar inflamações na
laringe. “É uma resposta intensa do sistema nervoso que precisa ser trabalhada
e, muitas vezes, tratada. Quanto antes o tutor identificar o problema, melhor,
porque o animal sofre menos”, ressalta.
Entre as orientações estão manter o pet em um ambiente fechado,
com portas e janelas fechadas para abafar o som; oferecer um local seguro e
confortável; usar som ambiente, como televisão ou música; permanecer junto do
animal; e tentar distraí-lo com brinquedos, petiscos ou carinho. Em alguns
casos, o uso de algodão nos ouvidos pode ajudar a reduzir o impacto do barulho.
Se o animal apresentar sinais como estresse extremo ou frequência cardíaca elevada, a recomendação é procurar um médico-veterinário. Há opções de medicamentos e fitoterápicos, mas o uso deve ser sempre avaliado por um profissional. Carolina também alerta para o que não deve ser feito: “Prender o animal com guia pode aumentar o estresse e causar traumas na traqueia e na laringe”.
Ceia de Natal também pode virar emergência veterinária
A professora da UVA chama atenção ainda para os riscos alimentares
típicos das festas de fim de ano: “A uva-passa, por exemplo, é altamente tóxica
e pode causar injúria renal aguda, levando o animal a óbito mesmo em pequenas
quantidades”, afirma.
Carolina também explica que carnes como peru, frango e chester
também oferecem perigo por causa dos ossos, que são porosos e, ao se quebrarem,
formam fragmentos perfurocortantes capazes de provocar perfurações intestinais.
Cebola e alho podem causar anemia, enquanto o chocolate é tóxico e pode
provocar alterações neurológicas e hepáticas, com sintomas como vômitos,
diarreia, convulsões e até coma.
A médica-veterinária também afirma que alimentos como nozes e
macadâmia – comuns durante este período de festas - também devem ser evitadas,
já que podem desencadear reações alérgicas. A orientação é não oferecer
alimentos da ceia aos pets e manter uma alimentação específica e adequada para
cada espécie.

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