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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Fogos de artifício e ceia representam risco para animais de estimação

Ruídos intensos podem provocar crises graves em pets cardiopatas e epilépticos, enquanto alimentos típicos das festas oferecem risco de intoxicação e até morte


A chegada do Ano Novo e as celebrações de Natal, marcadas por fogos de artifício e mesas fartas, podem representar sérios riscos à saúde de cães e gatos. A professora de Medicina Veterinária da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Carolina Aben Athar, alerta que o barulho intenso e a ingestão de alimentos inadequados estão entre os principais fatores que levam pets a quadros de estresse, intoxicação e atendimentos de emergência nesta época do ano, sobretudo animais cardiopatas, epilépticos ou mais sensíveis ao estresse.
 

De acordo com Carolina Aben Athar, cães e gatos têm uma capacidade auditiva muito mais aguçada do que a dos humanos - característica ainda mais acentuada nos felinos. Por isso, os fogos de artifício podem desencadear respostas exageradas do sistema nervoso, variando de estresse intenso a quadros de fobia. 

“Esse aumento do estresse eleva a frequência cardíaca, o que é especialmente grave em animais cardiopatas, podendo evoluir para edema pulmonar. Em pets com epilepsia, o barulho também pode funcionar como gatilho para crises convulsivas”, explica a professora. 

Além disso, há risco de fugas, automutilação - como lamber as patas até ferir - e vocalização excessiva, que pode provocar inflamações na laringe. “É uma resposta intensa do sistema nervoso que precisa ser trabalhada e, muitas vezes, tratada. Quanto antes o tutor identificar o problema, melhor, porque o animal sofre menos”, ressalta. 

Entre as orientações estão manter o pet em um ambiente fechado, com portas e janelas fechadas para abafar o som; oferecer um local seguro e confortável; usar som ambiente, como televisão ou música; permanecer junto do animal; e tentar distraí-lo com brinquedos, petiscos ou carinho. Em alguns casos, o uso de algodão nos ouvidos pode ajudar a reduzir o impacto do barulho. 

Se o animal apresentar sinais como estresse extremo ou frequência cardíaca elevada, a recomendação é procurar um médico-veterinário. Há opções de medicamentos e fitoterápicos, mas o uso deve ser sempre avaliado por um profissional. Carolina também alerta para o que não deve ser feito: “Prender o animal com guia pode aumentar o estresse e causar traumas na traqueia e na laringe”.

 

Ceia de Natal também pode virar emergência veterinária


A professora da UVA chama atenção ainda para os riscos alimentares típicos das festas de fim de ano: “A uva-passa, por exemplo, é altamente tóxica e pode causar injúria renal aguda, levando o animal a óbito mesmo em pequenas quantidades”, afirma. 

Carolina também explica que carnes como peru, frango e chester também oferecem perigo por causa dos ossos, que são porosos e, ao se quebrarem, formam fragmentos perfurocortantes capazes de provocar perfurações intestinais. Cebola e alho podem causar anemia, enquanto o chocolate é tóxico e pode provocar alterações neurológicas e hepáticas, com sintomas como vômitos, diarreia, convulsões e até coma. 

A médica-veterinária também afirma que alimentos como nozes e macadâmia – comuns durante este período de festas - também devem ser evitadas, já que podem desencadear reações alérgicas. A orientação é não oferecer alimentos da ceia aos pets e manter uma alimentação específica e adequada para cada espécie.



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