Dados da Scanntech indicam queda de preços nos suínos, mas altas em aves e peru, movimento que impacta diretamente o consumo nas semanas que antecedem o Natal
A ceia de Natal de 2025 já chega com sinais claros de pressão nos
preços das proteínas, repetindo um movimento observado nos últimos dois anos.
Dados da Scanntech, empresa de inteligência de mercado que monitora o consumo a
partir dos check-outs do varejo alimentar, mostram que os preços das carnes
natalinas seguem em alta nas duas primeiras semanas de dezembro, embora com
comportamentos distintos entre as categorias.
Na primeira semana analisada de dezembro, o faturamento total das
categorias comemorativas recuou 8,2%, resultado da combinação entre queda de
preços (-3,0%) e redução de volume (-5,3%). Apesar do desempenho, o movimento
ainda se mostrava relativamente controlado, sustentado sobretudo pelos suínos,
subcategoria que responde por cerca de 67% do peso do faturamento total e que,
naquele momento, ainda registrava crescimento de volume (+1,6%), mesmo com
recuo nos preços.
Na semana seguinte, os preços em Aves e Peru, ambos com alta de
6,9%, teve impacto direto e imediato sobre o consumo. O volume das aves
natalinas despencou 30,9%, enquanto o peru registrou queda de 27,9%. Mesmo com
preços médios estáveis no agregado das categorias comemorativas na segunda
semana, o volume total caiu 17,8%, levando o faturamento a uma retração
praticamente equivalente (-18,0%).
Em dezembro do ano passado, mais da metade das vendas de carnes
comemorativas ocorreu entre a terceira e a quarta semana do mês, com pico no
período da tarde da véspera de Natal. A expectativa é que esse padrão se
mantenha em 2025, aponta Matheus Tavares, Gerente de Inteligência de Mercado da
Scanntech: “o consumidor é mais estratégico: espera o momento certo para fazer
as compras, compara canais e ajusta o mix da ceia”.
O que mudou em relação a 2024 e 2023
O comportamento observado para 2025 dialoga com o que já vinha
acontecendo nos últimos Natais. Entre novembro e dezembro de 2024, por exemplo,
as proteínas registraram aumentos de preços de dois dígitos em relação a 2023,
com retração de volume na maior parte das carnes. O frango foi a única proteína
que conseguiu crescer em consumo, consolidando seu papel central na mesa do
brasileiro.
Em dezembro, as aves comemorativas se tornaram as carnes mais
consumidas do Natal, superando pernil e lombo suíno, e concentrando, junto com
o pernil, quase 80% do volume total de carnes comemorativas. O desempenho
contrastou com a carne bovina, que perdeu relevância à medida que os preços
aceleraram.
“Quando o preço sobe demais, o consumidor responde rapidamente. Em
2024 isso ficou claro: as aves ganharam espaço exatamente porque permitiram
manter a tradição da ceia com menor impacto no orçamento”, explica Tavares.
Atacarejo segue como válvula de escape
Outro padrão que tende a se repetir em 2025 é a busca por canais mais baratos. Em 2024, o atacarejo regional foi o único canal a crescer em volume nas carnes comemorativas, justamente por registrar aumentos de preço menores do que os supermercados. A dinâmica foi semelhante para bovinos e suínos, que tiveram quedas menos intensas nesse formato.
Além disso, categorias como peru, lombo e aves apresentaram desempenho acima da média no atacarejo, enquanto o pernil concentrou os maiores reajustes de preço em todos os canais, com impacto mais forte nas regiões Norte e Nordeste.
scanntech@loures.com.br

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