Com a chegada do Natal, o comércio entra em um de seus períodos mais movimentados do ano. Promoções, campanhas emocionais e facilidades de pagamento impulsionam as vendas, mas também elevam o risco de endividamento das famílias brasileiras, especialmente em um cenário de juros altos e renda pressionada.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que mais de 70% das famílias brasileiras estão endividadas, e o cartão de crédito segue como o principal meio de pagamento das compras de fim de ano. Nesse contexto, especialistas reforçam que é possível celebrar o Natal e presentear sem comprometer o orçamento, desde que haja planejamento e escolhas conscientes.
Para o contador e educador financeiro André Charone, o maior erro é tratar o Natal como um gasto inesperado.
“O problema não é o presente, é a
falta de planejamento. Quando a decisão é tomada no impulso, o impacto aparece
em janeiro, junto com IPVA, IPTU, material escolar e outras despesas fixas”,
explica.
Planejamento é o melhor presente
Antes de sair às compras, Charone recomenda definir um orçamento máximo para os gastos natalinos.
“O ideal é estabelecer um valor total que caiba no orçamento e, a partir dele, definir quanto será destinado aos presentes. O presente precisa caber no bolso, não apenas na parcela”, afirma.
Segundo ele, uma boa prática é
limitar os gastos com Natal a, no máximo, 10% da renda mensal,
especialmente para quem já possui dívidas ou compromissos financeiros
recorrentes.
Como economizar sem perder a magia do Natal
Manter o espírito natalino não
significa gastar mais. Pelo contrário: muitas estratégias simples ajudam a
reduzir custos e ainda fortalecem os laços familiares.
Uma das alternativas mais eficazes é o amigo invisível (ou amigo secreto), com valor máximo previamente definido.
“Além de reduzir significativamente
os gastos, o amigo invisível traz interação, diversão e expectativa, que fazem
parte da essência do Natal”, destaca Charone.
Outras sugestões apontadas pelo
especialista incluem:
·
Definir um teto de valor por presente, evitando
comparações e exageros;
·
Reduzir a quantidade de presentes, priorizando
crianças ou situações específicas;
·
Presentes personalizados ou feitos à
mão, que costumam ter maior valor afetivo;
·
Troca de experiências, como um almoço
especial, um passeio em família ou uma atividade conjunta;
·
Compra coletiva de um único presente, especialmente
para familiares mais próximos.
“O Natal não
precisa ser sobre quantidade ou preço. Muitas vezes, uma experiência
compartilhada marca mais do que vários presentes caros”, reforça Charone.
Atenção
ao parcelamento e às armadilhas do crédito
Apesar do apelo
do parcelamento sem juros, o uso excessivo do crédito pode comprometer a renda
dos meses seguintes.
“Parcelar só faz
sentido quando há controle financeiro. Caso contrário, as parcelas se acumulam
e o orçamento do início do ano fica estrangulado”, alerta.
O educador
financeiro lembra que o cartão de crédito deve ser utilizado com cautela,
principalmente em um período em que despesas obrigatórias se concentram logo
após o Natal.
Promoções
exigem cautela
O fim de ano
também é um período sensível para golpes e falsas promoções, sobretudo no
comércio eletrônico.
“É fundamental
comparar preços, verificar a reputação das lojas e desconfiar de ofertas muito
abaixo do valor de mercado. Economia não pode virar prejuízo”, orienta Charone.
Natal
feliz também é Natal sem dívidas
Para o
especialista, celebrar o Natal com tranquilidade financeira é parte da própria
magia da data.
“Não faz sentido
começar o ano novo endividado por causa de um único dia. Organização financeira
também é uma forma de cuidar da família”, conclui.
Com planejamento, escolhas conscientes e alternativas criativas, é possível manter o espírito natalino, fortalecer os vínculos familiares e iniciar o novo ano com mais equilíbrio financeiro.
André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/ e digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone

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