O mercado de carros usados e seminovos no Brasil vive um momento histórico. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO) mostram que, já em novembro de 2025 foram comercializados mais de 16,7 milhões de veículos usados e seminovos, superando o total vendido em todo o ano de 2024 (15,7 milhões), um crescimento de cerca de 17% no acumulado do ano. A projeção da entidade é que 2025 feche com aproximadamente 18 milhões de veículos vendidos, o maior volume já registradosetor.
Isso confirma uma tendência: o carro usado continua sendo uma
opção forte para o consumidor brasileiro, em um cenário de juros elevados,
forte demanda e ampla oferta de modelos.
Para Alan Ladeia, CEO da Carflix e especialista no setor
automotivo, o crescimento expressivo do mercado de carros
usados e seminovos no Brasil fez com que muitos consumidores ampliassem o raio
de busca por veículos, incluindo cidades do litoral. Isso trouxe à tona uma
série de mitos que nem sempre correspondem à realidade. “Um carro não pode ser
avaliado apenas pela sua origem geográfica, mas sim pelo histórico de
manutenção, nível de exposição ao ambiente, forma de uso e cuidados do
proprietário. A procedência e a inspeção técnica continuam sendo os fatores mais
importantes para uma compra segura, independentemente de o veículo ter rodado
na praia ou no interior”, afirma.
Abaixo, o especialista aponta os mitos e verdades sobre essa
tendência.
Mito 1 — “Todo carro do litoral é ruim”- Esse é um dos mitos mais difundidos: achar que um carro que veio do litoral é automaticamente ruim só por ter placa de cidade litorânea. Não é verdade. Depende muito do nível de exposição à maresia, da frequência de uso, do local onde o veículo era guardado e do cuidado do proprietário. Ou seja: a placa litorânea por si só não determina o estado de conservação de um veículo.
Mito 2 — “A maresia destrói o carro em poucos meses” - A maresia pode acelerar a oxidação de partes metálicas, mas esse é um processo lento e cumulativo, influenciado por fatores como: proximidade do mar (quanto mais perto, maior a exposição ao sal no ar); umidade constante e falta de lavagem e lubrificação regulares. “A maresia não é um vilão instantâneo, mas um acelerador de desgaste em partes expostas ao ar salgado. Um carro bem guardado e limpo pode ter vida útil tão longa quanto qualquer outro”, diz Alan Ladeia.
Como a maresia realmente afeta o carro?
A maresia contém microcristais de sal que ficam suspensos no ar e
podem depositar-se sobre superfícies metálicas, favorecendo a oxidação. Os
principais pontos afetados são: parafusos e dobradiças (capô, porta-malas, torres
do amortecedor); terminais de bateria e conectores elétricos; perda de brilho
da pintura, especialmente no teto e capô e escapamento com níveis maiores de
corrosão.
Mesmo assim, partes internas, motor e câmbio não são diretamente comprometidos pela maresia, o problema é a oxidação em partes metálicas expostas.
Mito 3 — “Carros de cidades litorâneas valem menos”- o preço de um veículo usado depende muito mais de: estado geral do carro; histórico de manutenção; quilometragem e procedência e histórico de acidentes. “A simples origem litorânea não deve ser critério isolado de desvalorização. Um carro com revisão em dia e garagem coberta pode ter valor igual ou até superior a outro de cidade interiorana”, afirma Ladeia.
O que observar ao avaliar um carro que veio do litoral
Mesmo
quando um carro tem boa procedência, alguns sinais visuais merecem atenção
extra: parafusos com pontos de ferrugem (capô, porta-malas, torre do
amortecedor);
início de ferrugem nas bordas internas dos
para-lamas; corrosão em terminais da bateria e conectores elétricos; perda de
brilho da pintura, especialmente no teto e capô e escapamento muito corroído.
Esses
sinais podem indicar exposição prolongada à maresia ou falta de manutenção
preventiva e devem ser checados antes da compra.
Quando vale a pena comprar um carro do litoral?
Um
carro que veio do litoral pode ser um ótimo negócio quando pertenceu a um único
dono cuidadoso, foi guardado em garagem fechada a maior parte do tempo, tem
histórico de manutenção comprovado e passou por inspeção cautelar e de
procedência aprovadas. “O segredo é olhar para a história do carro e seus
cuidados, não apenas sua origem. Uma boa inspeção mecânica é indispensável”,
explica Alan Ladeia.
Se você adquirir um carro que passou boa parte da vida no litoral, algumas manutenções preventivas ajudam a prolongar sua vida útil: lavagem completa, inclusive cofre do motor e parte inferior;
Polimento e aplicação de proteção de pintura, cria
uma barreira contra agentes agressivos e lubrificação de dobradiças e
fechaduras, reduz risco de oxidação. Esses cuidados preservam o veículo e
ajudam a manter ou até valorizar o seu preço de revenda.

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