Com a chegada das altas temperaturas, os cuidados com
cães e gatos precisam ser redobrados. Os animais possuem mecanismos diferentes
para regular o próprio calor, o que os torna vulneráveis a quadros de
hipertermia, queimaduras e até problemas cardíacos quando não há entendimento
sobre esse processo. Segundo Cristina Amarante, professora de Medicina
Veterinária da Universidade Veiga de Almeida (UVA), compreender essas
limitações é o primeiro passo para protegê-los no verão.
“Todos os animais fazem regulação de temperatura, mas cada um com
capacidades diferentes. Os cães, por exemplo, têm poucas glândulas sudoríparas
e dependem do ato de arfar (aumento da frequência respiratória) para perder
calor. Arfar é o mecanismo natural de resfriamento dos cães. Quando respiram de
forma rápida e ofegante, eles promovem a perda do calor pela respiração em
conjunto com a perda pela água expelida, o que ajuda a reduzir a temperatura
interna”, explica a especialista.
Algumas raças sofrem ainda mais. Cães como São Bernardo e Husky
Siberiano, adaptados a climas frios, têm mais dificuldade em dissipar o calor,
aumentando as frequências respiratória e cardíaca, produzindo mais saliva como
forma de compensação. Já os braquicefálicos, como pug, shih-tzu e buldogue
francês, e gatos, precisam de cuidado máximo: “Os cães de focinho achatado têm
capacidade muito menor de perder calor. Os felinos costumam usar mais o banho
corporal com a língua no calor, o que gera mais perda de água, portanto a
hidratação deve ser constante, principalmente com o uso de fontes de água
corrente para estimular a ingestão de água. Em situações extremas, podem até
infartar”, alerta a professora, que compartilha algumas dicas:
1 – Passeios - horários certos e hidratação reforçada
No verão, passear nos horários inadequados pode ser extremamente
perigoso. A recomendação é antes das 8h ou após as 17h. “Levar o animal para
caminhar sob sol forte é submetê-lo ao sofrimento. Ele não tem as mesmas
ferramentas que nós para se resfriar”, afirma a veterinária.
Além disso, as altas temperaturas podem causar queimaduras nas
patas, especialmente em pisos como asfalto. Protetor solar específico para pets
deve ser aplicado no nariz, orelhas, ou outras áreas com menos pelos e mais
expostas ao sol. O tutor deve evitar coleiras com partes metálicas, que podem
aquecer e queimar a pele do animal.
A hidratação também merece atenção. Água fresca e até gelada deve
estar sempre disponível, de preferência em recipientes de barro, aço inox ou
alumínio, que ajudam a manter a temperatura. Água de coco é bem-vinda e pedras
de gelo podem ser oferecidas.
Se o animal precisar usar focinheira, o tutor deve garantir que o
modelo permita a abertura da boca, essencial para que o cão possa arfar e
controlar o calor.
2 - Em casa, ambiente fresco e banhos moderados
Dentro de casa, o ideal é garantir que o animal fique em locais
sombreados e ventilados. A troca frequente da água e sua temperatura ideal, é
fundamental, assim como observar se a área onde o pet permanece não recebe sol
direto ao longo do dia.
Os banhos devem ser espaçados: a cada 15 dias é suficiente. “O
excesso de banho remove a camada de gordura natural da pele, que é protetora”,
explica a professora. Manter o pelo aparado, em raças muito peludas, também
pode ajudar na regulação térmica.
A alimentação tende a diminuir no calor, o que é esperado. O ato
de digerir os nutrientes gera energia e, consequentemente, mais calor,
portanto, não é incomum que os animais comam menos durante os dias mais
quentes.
3 - Atenção aos sinais de perigo
Qualquer alteração nas patas, como vermelhidão intensa, deve ser
avaliada imediatamente por um veterinário.
Para Cristina Amarante, o mais importante é que os tutores
mantenham atenção constante: “Quando falamos em calor, responsabilidade do
tutor é determinante. Os animais dependem de cuidados simples, mas constantes,
para evitar hipertermia e outras complicações. Vigilância e prevenção são
fundamentais”.

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