O nascimento é
um dos eventos mais intensos da vida — não apenas para a mãe, mas também para o
bebê. Durante o parto, o corpo do recém-nascido passa por uma série de
experiências: compressões, trações, uso de fórceps ou ventosas, longas horas no
canal de parto, além de alterações que podem ocorrer ainda na gestação, como a
permanência em uma mesma posição no útero por um período prolongado.
“Mesmo em um
parto que transcorreu muito bem, ainda assim o bebê pode apresentar alterações
biomecânicas que, se não forem observadas e tratadas, podem se refletir em
desconfortos e, mais tarde, em desafios ao desenvolvimento motor e postural”,
explica a fisioterapeuta Lígia Conte, que atua com foco no desenvolvimento
infantil.
De acordo com
Lígia, muitos sinais frequentemente considerados “normais” ou “passageiros”
pelos adultos podem, na verdade, indicar que o corpo do bebê está precisando de
ajuda para se reorganizar. Entre eles: choro excessivo, gases, cólicas,
refluxo, sono agitado, irritabilidade, preferência postural ou intolerâncias a
determinadas posições.
“O bebê passa de um ambiente quente, escuro e seguro — o útero — para um mundo com estímulos intensos. Não é raro que o corpo reaja a esse processo. Infelizmente, em muitos casos ouvimos que ‘é normal’, ‘vai passar’, ou que é ‘coisa da cabeça da mãe’. Mas é possível e desejável intervir desde cedo, evitando que pequenos desconfortos se tornem grandes desafios ao longo da vida”, afirma Lígia.
Por isso, a fisioterapeuta defende que todos os bebês poderiam se beneficiar de uma avaliação fisioterapêutica ainda nos primeiros meses de vida. “Com uma avaliação adequada e, se necessário, um plano de tratamento personalizado, é possível promover o bem-estar do bebê e favorecer um desenvolvimento motor mais harmonioso. Não se trata de medicalizar ou de tratar por tratar — é sobre olhar para cada bebê com atenção e cuidado”, completa.
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