Apresentadora ressalta a importância de ampliar o conhecimento e a
conscientização sobre os efeitos físicos e emocionais da menopausa
A apresentadora Eliana, de 52 anos, compartilhou um
relato pessoal sobre os desafios que enfrentou durante a menopausa. Em
entrevista ao podcast PodDelas, ela revelou que precisou passar por uma
cirurgia no ombro devido a um sintoma que, até então, nem ela nem seus médicos
associavam ao climatério: o congelamento da articulação.
“Há um ano, eu estava fazendo a minha transição
profissional, ninguém percebeu, mas quem convivia comigo sabia. Eu não
conseguia levantar o braço. O meu ombro congelou, o meu braço grudou no meu
corpo e eu tive que passar por uma cirurgia um mês e pouquinho antes de começar
o The Masked Singer Brasil”, contou.
Mesmo apresentando o programa Saia Justa, Eliana
lidava nos bastidores com dores e limitações físicas, sem entender a origem do
problema. “Lá, eu sabia que ia ter que dançar, cantar e me apresentar, e com
plateia. Eu fazia tudo, apresentava o ‘Saia Justa’, mas meu ombro estava
congelado e nem eu e nem o médico entendíamos o que estava acontecendo. Só
descobrimos muito recentemente, por um estudo, que isso pode ser um dos
sintomas da menopausa”, explicou.
Além da experiência com a cirurgia, Eliana destacou
a importância de abrir espaço para conversas mais francas e informativas sobre
a menopausa, uma fase ainda cercada de tabus. “É importante a gente falar porque
eu, por muito tempo, fiquei sem entender o que era a menopausa. Não sabia o que
estava sentindo, o que estava vivendo. Já senti os efeitos: calor, irritação,
sono interrompido. Isso acabou intensificando com a menopausa”, disse.
O relato da apresentadora lança luz sobre a
necessidade de ampliar o conhecimento e a conscientização a respeito dos
efeitos físicos e emocionais da menopausa, que ainda são pouco discutidos em
muitos espaços,inclusive entre profissionais de saúde. A experiência de Eliana
reforça que, além dos sintomas clássicos como ondas de calor e alterações de
humor, outras manifestações atípicas podem ocorrer e merecem atenção.
Desafios da condição que afeta
cada vez mais mulheres
A menopausa precoce tem afetado um número crescente
de mulheres antes dos 50 anos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde
(OMS), esse quadro atinge uma em cada 100 mulheres antes dos 40 anos e uma em
cada 1.000 antes dos 30 anos.
Esse avanço é preocupante, já que a condição traz
diversas implicações para a saúde, além de, muitas vezes, dificultar o sonho de
mulheres que querem engravidar mais tarde - tendência que vem acontecendo com
frequência. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), em 2020, a idade média para maternidade era de 27,7 anos e
em 2070 pode chegar a 31,3 anos.
Para Alessandra Rascovski, endocrinologista e
diretora clínica da Atma Soma, muitas mulheres passam a se preocupar com a
menopausa somente quando os sintomas batem à porta. “Muitas não se atentam para
a questão hormonal e, ao colocarem em prática o projeto de ter filhos, acabam
se surpreendendo com a dificuldade gerada pela queda na produção de óvulos”.
Menopausa e menopausa precoce:
existe diferença?
A menopausa precoce tem a mesma definição da
menopausa comum: é caracterizada pela redução da função ovariana e,
consequentemente, pela queda da produção de estrógeno. “O que diferencia a
menopausa comum em relação à precoce é somente o corte de idade”, ressalta
Alessandra.
Segundo a especialista, em relação aos sintomas, a
lista de indicativos também é semelhante. “Além da interrupção da menstruação,
incluem-se ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, diminuição da
libido, dor nas articulações, cansaço muscular, irritabilidade, falhas na
memória, ansiedade, entre outros”.
A diretora clínica explica ainda que, apesar de
existir a crença de que quem menstrua mais jovem acaba entrando na menopausa
mais cedo, estudos mostram que a idade da menarca em relação à menopausa é
consideravelmente menos relevante. “Há outros pontos envolvidos na ocorrência
da condição precoce, como doenças autoimunes, cirurgias, tratamentos contra o
câncer, como quimioterapia, questões ambientais, estilo de vida, infecções
virais e disruptores endócrinos - substâncias presentes em plásticos,
agrotóxicos, aromatizantes, corantes e conservantes”.
O histórico familiar também deve ser considerado.
“Se a mãe teve uma menopausa precoce ou tardia, há uma maior probabilidade de a
filha seguir o mesmo padrão”, destaca a médica. Ela ressalta ainda que a
genética desempenha um papel significativo na longevidade da função ovariana,
que está diretamente ligada ao que é herdado da mãe.
Para além disso, existe ainda uma diferença entre
menopausa precoce e menopausa prematura. “De forma respectiva, uma acontece
abaixo dos 45 anos, enquanto a outra é considerada quando ocorre antes dos 40
anos”, explica a endocrinologista, que relata um caso vivido em seu
consultório: “Já tive uma paciente entrando na menopausa prematura com 28
anos”.
Segundo Alessandra, esses são casos em que a
reposição hormonal é mais do que indicada, pois seus reflexos serão mais
duradouros, principalmente ao levar em consideração que hoje a expectativa de
vida é mais alta.
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