De acordo com a Dra.
Fabiele Russo, neurocientista da
NeuroConecta, instituição especializada em Transtorno
do Espectro do Autismo, muitos mitos acabam confundindo as pessoas quando o
assunto é o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo)
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| Crédito: canva |
Cerca de 2-4 milhões de pessoas convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) só no Brasil, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). Esse número não é exato, uma vez que muitos não sabem que possuem essa condição. Segundo a Dra. Fabiele Russo, neurocientista da NeuroConecta, instituição especializada em Transtorno do Espectro do Autismo, a falta de informação sobre o transtorno atrapalha, pois é essencial que a descoberta ocorra ainda na infância. “Quanto mais rápido acontece o diagnóstico, mais cedo é possível iniciar as intervenções e estímulos precoces”, afirma a especialista.
“O autismo costuma ser identificado pelos especialistas quando a criança tem entre 1 ano e meio e 3 anos. Porém, especialistas destacam que os próprios pais são capazes de detectar os primeiros sinais do autismo a partir dos 8 meses, dependendo do grau”, completa.
O problema é que, apesar de se tratar de um transtorno
conhecido, são muitas as informações sobre o autismo na internet e muitas delas
não são verdadeiras. Pensando nisso, a Dra. Fabiele esclarece os mitos e
verdades envolvendo o TEA. Confira:
O autismo não é uma
doença. VERDADE
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| Crédito: canva |
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o autismo não é
uma doença e é exatamente por isso que também não tem cura. “O TEA é uma
condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma
pessoa percebe o mundo e se socializa”, explica Fabiele.
Dessa forma, essas pessoas costumam ter dificuldades de
interação social e comunicação. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem
realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de
ajuda.
Todos os autistas são agressivos. MITO
A agressividade pode sim ser uma característica de uma pessoa
autista, mas não é certo generalizar esse e outros comportamentos dos autistas.
“Algumas pessoas com TEA podem realmente ser menos tolerantes
e ter grandes frustrações, mas isso pode ocorrer quando existe uma dificuldade
de se expressar, no entanto, assim como outras características do autista, não
é uma regra”, comenta a especialista.
Vacinas causam autismo. MITO
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| Crédito: canva |
De acordo com a Organização Mundial da Saúde não existe
nenhuma evidência que comprove que vacinas causem TEA. “As causas do autismo
estão associadas a genética, na maioria dos casos, e fatores ambientais, mas
nada relacionado a nenhuma vacina”, afirma a neurocientista.
Não existem exames para diagnosticar o TEA. VERDADE
Fabiele explica que o diagnóstico é clínico, baseado em
evidências científicas, de acordo com os critérios estabelecidos pelo DSM--V
(Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de
Psiquiatria) e pelo CID-11 (Classificação Internacional de Doenças da Organização
Mundial da Saúde -- OMS). “Isso significa que não existe um exame específico
que identifique o autismo. O diagnóstico ocorre por meio de avaliações do
comportamento.
O tratamento do autismo é multidisciplinar. VERDADE
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| Crédito: canva |
“Uma pessoa com autismo tem acompanhamento multidisciplinar, o que significa que realiza o tratamento com diversos especialistas: médico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, fisioterapeuta, entre outros. Tudo vai depender das necessidades da criança”, explica Fabiele.
Todos os autistas se comportam da mesma forma. MITO
Como dito anteriormente, não podemos generalizar como as
pessoas com TEA se comportam, ou seja, algumas podem ser mais agressivas,
outras se socializam menos. O mesmo ocorre com as dificuldades que cada um
apresenta. “Por exemplo, alguns têm dificuldades para escrever, outros para
matemática. Mais uma vez digo que não podemos generalizar”, explica Fabiele.
Autistas não podem frequentar a escola. MITO
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| Crédito: canva |
Muitas pessoas acreditam que autistas não podem frequentar a escola ou que só podem frequentar instituições específicas para pessoas com autismo, mas isso não é verdade.
As leis garantem ao autista o direito à educação e ao ensino
profissionalizante. Além disso, garante que em casos comprovados de
necessidade, o aluno autista que esteja matriculado na escola pública ou
particular, tenha direito a um acompanhante especializado dentro da sala de
aula. Esse profissional, segundo o Decreto 8.368/14, deve possuir capacitação para
o acompanhamento das crianças dentro do ambiente escolar. Além disso, os custos
do acompanhante são de responsabilidade exclusiva da escola, ou seja, a família
está isenta.
Toda pessoa com TEA tem inteligência acima da média. MITO
De fato, algumas pessoas com autismo possuem inteligência
acima da média, assim como também algumas pessoas neurotípicas tem inteligência
acima da média. Isso não é critério diagnóstico de TEA, aliás, cerca de 40% dos
autistas apresentam algum grau de deficiência intelectual.
O diagnóstico precoce ajuda no tratamento. VERDADE
Um dos grandes diferenciais da qualidade de vida das pessoas que possuem autismo é identificar o transtorno logo no início. Muitos acreditam que o diagnóstico só pode ser feito a partir dos três anos, quando, na realidade, logo nos primeiros meses de vida já é possível identificar sinais e já iniciar as intervenções precoces.
“Há casos de autismo que podem ser identificados por volta de
18 meses de vida e até mesmo antes, o que é muito importante, pois quanto mais
rápido acontece o diagnóstico, mais cedo é possível cuidar, com intervenções e
estímulos precoces”, explica a Dra. Fabiele.
“Um ponto muito importante que sempre falo é que não devemos
esperar o diagnóstico para iniciar as intervenções. Se a criança apresentar
qualquer atraso no desenvolvimento já devemos intervir’, completa.
Traumas psicológicos causam autismo. MITO
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Como já se sabe, as causas do autismo não são totalmente conhecidas, mas se sabe que o transtorno está ligado à genética e fatores ambientais estabelecidos antes do nascimento. “Ou seja, traumas psicológicos não estão ligados ao desenvolvimento do TEA, mas sim, podem prejudicar ainda mais o desenvolvimento das crianças com TEA”, finaliza Fabiele.






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