Uma pesquisa
divulgada no periódico The Lancet afirma que a amamentação
está associada a uma redução de 13% na probabilidade de ocorrência do sobrepeso
e/ou obesidade e também a uma queda de 35% na incidência do diabetes tipo 2. A
mesma análise diz que o leite materno contribui para um aumento médio de três
pontos no quociente de inteligência (QI). Outra evidência científica mostra que
crianças amamentadas por um período superior a 12 meses em áreas urbanas do
Brasil completaram um ano a mais de atividades educacionais em comparação com
as amamentadas por menos de 12 meses. Ambas as conclusões indicam que o
aleitamento contribui com o cumprimento do ODS 4 (Qualidade na educação)
Dra. Mariana Rosario, ginecologista,
obstetra e mastologista
A
rotina da Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista, em seu
consultório, não inclui apenas o ultrasson e a verificação do peso e dos exames
bioquímicos de suas pacientes. A médica afirma que uma de suas maiores
preocupações é relacionada à orientação sobre o preparo, durante toda a gestação,
para que elas adquiram a consciência da importância da amamentação exclusiva do
bebê, até os seis meses de vida, e complementar, até os dois anos de idade. “A
cada dia, percebo que as mães, principalmente as de alta renda, têm a tendência
de desistir da amamentação com muita facilidade. Realmente, este pode não ser
um processo fácil, porque há muitos bebês que demoram a pegar o peito, sendo um
ato que demanda paciente e dedicação. Mas, a amamentação é tão importante que
eu insisto para que as gestantes tentem o tempo que for necessário para que se
crie esse vínculo entre mãe e filho e a amamentação aconteça”, diz ela.
Existe
muita informação disponível sobre os benefícios do aleitamento materno. Segundo
a Organização Mundial da Saúde – OMS, entretanto, apenas 39% dos bebês
brasileiros são amamentados com exclusividade até os cinco meses de vida.
Recentemente,
uma *pesquisa divulgada no periódico The Lancet afirma que a amamentação está
associada a uma redução de 13% na probabilidade de ocorrência do sobrepeso e/ou
obesidade e também a uma queda de 35% na incidência do diabetes tipo 2. A mesma
análise diz que o leite materno contribui para um aumento médio de três pontos
no quociente de inteligência (QI). Outra evidência científica mostra que
crianças amamentadas por um período superior a 12 meses em áreas urbanas do
Brasil completaram um ano a mais de atividades educacionais em comparação com
as amamentadas por menos de 12 meses. Ambas as conclusões indicam que o
aleitamento contribui com o cumprimento do ODS 4 (Qualidade na educação). Esses
e outros dados demonstram a importância do aleitamento na infância e os efeitos
que esse ato gera ao longo da vida.
Por que, então, as mães não amamentam?
Existem
vários motivos que impedem as mulheres de amamentarem seus filhos. Dor, medo,
insegurança e até motivos estéticos podem surgir. Segundo a Dra. Mariana Rosario,
amamentar realmente é difícil, mas pode se tornar mais fácil com preparação.
Ela fornece detalhes:
-
Teoricamente, todas as mulheres produzem leite, desde a gestação. Após à saída
da placenta, existe a saída do colostro, que dura de três a cinco dias e é um
alimento fundamental para o bebê, porque traz anticorpos imprescindíveis para a
proteção de seu organismo.
-
Depois desse período, realmente vem o que popularmente é chamado de ‘descida do
leite’: as mamas ficam bem cheias e é possível que exista dor e, em alguns
casos, até febre. Não é um momento para estresse, porque apenas com calma e
paciência é que a mãe conseguirá amamentar. O estresse, inclusive, pode
prejudicar a produção do leite.
-
É comum que, nos primeiros dias, os bebês não peguem o peito – e as mães se
desesperem. Isso é comum, mas eles estarão no hospital, acompanhados pela
equipe médica, e nada de ruim acontecerá. É o melhor momento para que se tente
amamentar, acompanhada pela equipe de enfermagem e com todo o apoio. Em casa,
também não se deve desistir, porque o recém-nascido tem instinto de sobrevivência
e precisa se alimentar. É hora de tentar alimentá-lo, primeiro com a mama, seguindo
para fórmula apenas depois de tentar a amamentação, e com orientação do
pediatra.
-
Dependendo do jeito que o bebê pega o peito, pode causar rachadura. Por isso, é
fundamental seguir as orientações da equipe de enfermagem e do obstetra, que
têm muita experiência e podem orientar a mãe. Também existem pomadas
específicas para tratamento, que devem ser usadas apenas após o nascimento do
bebê.
-
Existem bicos de silicone e outros utensílios para ajudar as mães na
amamentação. É o estímulo do sugar do bebê, entretanto, que fará com que o
leite desça e que a produção seja contínua. Por isso, não se deve desistir –
mas, também não se pode deixar a criança mamar quando o peito estiver
machucado, porque a situação pode piorar. Por isso, quando houver qualquer
problema, deve-se procurar pela orientação médica.
-
Muitas mães ainda têm medo do efeito que a amamentação poderia causar,
esteticamente falando, em suas mamas. Existe o mito de que a sucção da criança
deixaria as mamas flácidas e caídas e uma pequena parcela delas opta pelas
fórmulas para evitar esse efeito. Esse é um erro de interpretação: as mulheres
que já têm as mamas flácidas realmente terão o problema acentuado. Porém, as
que não as têm não sofrerão do problema.
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Algumas mulheres temem que, após a licença-maternidade, seja muito difícil para
o bebê ficar sem o leite materno e ele sofra. Porém, é melhor ele ser
amamentado pelo maior tempo possível, com exclusividade, do que não ter nenhum
período disponível desse alimento, tão precioso. Então, analisando friamente,
mesmo que a mulher não consiga seis meses de licença, é preferível amamentar o
bebê com exclusividade por quatro meses do que em nenhum momento.
Antes do nascimento...
-
Durante a gestação, também é possível preparar as mamas para a amamentação. Uma
de minhas dicas é esfoliar, durante o banho, o bico do peito, com uma bucha
vegetal comum, para que o bico vá se formando.
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Outra dica é tomar sol no peito, sem roupa, pela manhã, diariamente (até às
10h), para que a pele fique mais forte. O mamilo pode ser estimulado com a mão,
para que vá se formando. Mas, antes do parto, nunca se deve usar pomadas
emolientes.
-
A mãe também deve, durante a gestação, preparar-se psicologicamente para a
amamentação. Trata-se de um ato de amor e muitas mulheres relatam o bem-estar
imenso que sentem ao amamentar, porque o vínculo que é criado entre a mãe e o
bebê é ímpar, insubstituível. Portanto, se houver o preparo, sem medo, tudo
dará certo.
É
importante lembrar que a amamentação também faz bem para a mãe, porque o
aleitamento permite que o útero volte ao tamanho normal rapidamente, previne a
anemia materna, já que reduz o sangramento, e ainda previne o risco de câncer
de mama e de ovário, além de ajudar na manutenção do peso corporal.
*Dados
disponíveis em: https://nacoesunidas.org/no-rio-agencia-de-saude-da-onu-apoia-eventos-mundiais-sobre-aleitamento-materno/
Dra.
Mariana Rosario – Ginecologista, Obstetra e Mastologista. CRM- SP: 127087. RQE Masto: 42874. RQE GO: 71979.
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