A
nova lei, que proíbe a doação de empresas para campanha eleitoral permitindo
apenas as contribuições de pessoas físicas, gerou uma pergunta que não sai da cabeça
dos candidatos, marketeiros, advogados e contadores nestas eleições: Será que
os eleitores vão fazer doações em dinheiro para seus candidatos? Apesar do
Brasil ainda não possuir uma tradição em doações de pessoas fisicas para
políticos, em outros países essa é uma realidade que já está dando certo.
Segundo
levantamento da Organização Intergovernamental que atua hoje como observadora
da ONU (IDEA), o valor por cada voto brasileiro é de cerca de US$ 19,90. No
México é de US$ 4,20 e na Costa Rica US$ 9,60. Nos dois países citados, a
doação feita por empresas também é proibida. O cientista político Carlos Melo
explica que o fundo partidário não cobre nem 15% dos gastos totais de uma
campanha.
Ainda
de acordo com os dados do IDEA, 39 proíbem as doações de empresas para
candidatos eleitorais, entre eles: Estados Unidos, Canadá, Peru, Paraguai,
México, Portugal, Polônia, França e Egito. Os Estados Unidos, aliás, é o
principal exemplo de campanhas bem-sucedidas financiadas por eleitores. O
presidente Barack Obama, em 2008, arrecadou como candidato cerca de meio bilhão
de dólares.
Nas
eleições presidenciáveis deste ano nos EUA, a candidata democrata à Casa Branca
Hillary Clinton anunciou que arrecadou US$ 45 milhões nos três primeiros meses
de sua campanha, um montante considerado recorde.
No
Brasil ainda existe espaço para o inesperado. O consultor de marketing político
e professor da Universidade São Paulo (USP) e assessor do presidente interino
Michel Temer, Gaudêncio Torquato, afirma que as pessoas ainda não têm o costume
de realizar doações para candidatos via internet. Além disso, ele explica que
as novas regras vão diminuir o tempo de campanha, fazendo com que o eleitor não
tenha a chance de conhecer novos candidatos. Isso faria com que as pessoas
acabassem votando e fazendo suas doações em pessoas que já apresentem uma
trajetória política ou que são conhecidos do grande público.
Outra
forte tendência são os candidatos, que mantêm relacionamento direto com seu
público, que representam uma causa e conseguem transformar suas ideias e
projetos em objetivos comuns com seus eleitores. Neste caso, o ato de fazer uma
doação acaba se tornando uma ação política, uma maneira de participar ainda
mais efetivamente da campanha eleitoral do candidato.
A
boa noticia é que os brasileiros estão doando. A pesquisa realizada pelo
Instituto pelo Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) mostra que em
2015, 77% dos pesquisados fizeram algum tipo de doação. Desses, 52% doaram
dinheiro. As doações individuais dos brasileiros totalizaram cerca de R$ 13,7
bilhões, valor que corresponde a 0,23% do PIB brasileiro.
Com
o crescimento de plataformas de crowdfunding como Catarse e Kickante fazer uma
doação on-line já é uma realidade. Milhares de projetos no Brasil e no mundo se
viabilizaram desta forma. Vale lembrar a “vaquinha” utilizada pela presidenta
Dilma conseguiu arrecadar mais de R$ 750 mil em poucos dias. Apesar do
crowdfunding ser um sistema diferente de arrecadação, daquele que os
candidatos podem utilizar em suas campanhas, demonstra a potência da obtenção
de recursos quando relacionados a uma causa específica.
Para
receberem recursos eleitorais legais, os candidatos precisam seguir as regras
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e utilizarem uma ferramenta própria de
doação eleitoral legal, que esteja disponivel em seu site ou redes sociais, que
transfira as receitas obtidas para a conta corrente de campanha, sem
intermediários e que gere recibo eleitoral para o doador.
Uma
das formas mais seguras e eficazes são as doações por cartão de crédito.
Normalmente a emissão de boletos bancários, além de custarem mais caro por
transação, frustam os candidatos, pois muitos eleitores imprimem os boletos,
mas deixam de pagar.
E
importante lembrar: cada doação, mesmo que seja de 1 real, significa um voto a
mais para o candidato. Afinal ninguém vai deixar de votar no candidato depois
de realizar uma doação. A doação é um comprometimento, um contrato entre o
eleitor e o candidato.
Neste
sentido, mesmo com poucos recursos arrecadados, uma campanha com muitos
doadores pode levar o candidato a vitória nestas eleições. Talvez melhor do que
se estressar em batalhas infindáveis nas redes sociais, a forma mais simples e
útil para garantir a vitória de seu escolhido (a) nestas eleições seja fazer
uma simples doação eleitoral e depois cobrar de seu candidato. Neste novo e
desafiador cenário está impossível apontar o que vai acontecer. Mas,
definitivamente, as Eleições 2016 ficarão marcadas para sempre como um momento
especial em nossa recente história política.
Felipe
Leite - especialista em doação eleitoral pela internet e diretor da Guest
Sistemas, empresa que criou o Doação Eleitoral Legal – www.doacaoeleitoralegal.com.br
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