Pesquisar no Blog

terça-feira, 28 de julho de 2026

Mulheres estão mais expostas a fatores de risco para câncer de pulmão que vão além do cigarro, alerta estudo

 

Cigarro é a principal causa de câncer de pulmão, mas
outros fatores são mais presentes nas mulheres 
 serezniy

Revisão publicada na JCO Global Oncology mostra que as mulheres estão mais expostas a fatores de risco para câncer de pulmão que vão além do tabagismo e podem ajudar a explicar o aumento da doença neste grupo. O estudo destaca que elas apresentam maior exposição passiva à fumaça do tabaco, à poluição doméstica, ao radônio e a agentes químicos no ambiente de trabalho. A pesquisa reúne cientistas de seis instituições brasileiras


O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no mundo, mas o perfil da doença entre as mulheres vem mudando e desafiando conceitos tradicionais. Revisão publicada na revista JCO Global Oncology conclui que, embora o cigarro permaneça como o principal fator de risco, há um conjunto de exposições ambientais, ocupacionais, hormonais e genéticas que pode ajudar a explicar o aumento da incidência da doença entre mulheres, inclusive entre aquelas que nunca fumaram. 

O trabalho foi coordenado pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), com a participação de várias instituições de pesquisa médica públicas e privadas de várias regiões do Brasil. Segundo a revisão, 16.777 brasileiras morreram de câncer de pulmão em 2022. Além disso, o trabalho recorda que, para o triênio 2023-2025, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimava aproximadamente 14.540 novos casos anuais entre mulheres, fazendo da doença o quarto câncer mais incidente neste grupo. Os pesquisadores observam ainda que, enquanto a mortalidade por câncer de pulmão tem diminuído entre os homens em diferentes países, a tendência entre as mulheres permanece de crescimento, indicando a necessidade de medidas preventivas voltadas às especificidades dessa população. 

Embora o tabagismo continue sendo responsável pela maior parte dos casos de câncer de pulmão, a revisão chama a atenção para outro fenômeno que ganha importância. Em 2019, quase dois terços (63,2%) das mulheres diagnosticadas com câncer de pulmão nunca haviam fumado, proporção 26,4 pontos percentuais superior à observada entre os homens (36,8%). Para os autores, essa diferença indica que outros fatores de risco merecem maior atenção na prevenção e na pesquisa sobre a doença.

"Ainda que o controle do tabagismo continue sendo a medida isolada mais importante para prevenir o câncer de pulmão, nossos achados mostram que ele não explica, sozinho, o aumento da doença entre mulheres. Precisamos compreender melhor outros fatores que afetam especificamente essa população para aperfeiçoar as estratégias de prevenção", afirma Dra. Samira Mascarenhas, primeira autora do estudo.


OS FATORES QUE VÃO ALÉM DO TABAGISMO

Entre esses fatores estão a exposição à fumaça do cigarro dentro de casa, à poluição do ar provocada pela queima de lenha para cozinhar, ao gás radônio presente em determinadas regiões do país e a agentes químicos encontrados em algumas atividades profissionais predominantemente femininas, como cabeleireiras, profissionais que aplicam unhas artificiais e trabalhadoras da indústria têxtil. A revisão também reúne evidências sobre o papel de alterações hormonais e de mutações genéticas herdadas relacionadas ao desenvolvimento do câncer de pulmão, demonstrando que a doença resulta da interação entre diferentes mecanismos biológicos e ambientais. 

Os pesquisadores destacam também que papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres contribuem para aumentar parte dessas exposições. No Brasil, elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais às atividades domésticas e ao cuidado de outras pessoas, praticamente o dobro do tempo gasto pelos homens. Esse maior tempo de permanência dentro de casa aumenta a exposição prolongada à fumaça do tabaco produzida por terceiros, aos poluentes gerados pela combustão de lenha e carvão e ao radônio, gás radioativo naturalmente presente no solo e reconhecido como carcinógeno. 

A revisão lembra que aproximadamente 11 milhões de domicílios brasileiros ainda utilizam lenha para cozinhar, muitas vezes em ambientes com ventilação inadequada. A combustão desses materiais libera partículas finas, benzeno, formaldeído e diversos compostos reconhecidamente cancerígenos. Em nível mundial, estima-se que a poluição do ar dentro das residências esteja relacionada a milhões de mortes prematuras todos os anos, incluindo casos de câncer de pulmão. 

Outro aspecto destacado pelos pesquisadores diz respeito aos riscos ocupacionais. Algumas profissões exercidas predominantemente por mulheres expõem essas trabalhadoras a substâncias potencialmente cancerígenas. Entre elas estão cabeleireiras, frequentemente expostas ao formaldeído utilizado em procedimentos de alisamento capilar, além de solventes, corantes, amônia e outros compostos químicos inalados diariamente durante a jornada de trabalho. Estudos brasileiros citados na revisão mostram que profissionais de salões de beleza podem entrar em contato com concentrações de formaldeído muito superiores aos limites considerados seguros pelas autoridades sanitárias. 

De acordo com Cinthya Sternberg, geneticista, gerente executiva do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e autora correspondente do estudo, as diferenças entre homens e mulheres não podem ser atribuídas apenas ao histórico de tabagismo. “É necessário ampliar o olhar para fatores ambientais, ocupacionais e sociais que permanecem subestimados e que podem contribuir para o aumento da incidência do câncer de pulmão entre mulheres brasileiras", conclui.



DIAGNÓSTICO CHEGA TARDE PARA MUITAS MULHERES

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo e, no Brasil, permanece entre os tumores mais letais justamente porque a maioria dos casos é identificada em estágios avançados da doença, quando as possibilidades de cura são menores e as opções terapêuticas mais limitadas. Entre as mulheres, esse desafio ganha contornos próprios. Em 2022, 16.777 brasileiras morreram em decorrência da doença e, para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 16.650 novos casos por ano entre mulheres, de um total de 35.380 casos anuais no país. 

Os autores da revisão ressaltam que esse cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar as estratégias de diagnóstico precoce e ampliar o acesso à tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas com alto risco de desenvolver câncer de pulmão, método que já demonstrou reduzir a mortalidade em estudos internacionais. Eles também chamam a atenção para o desafio de reconhecer a doença em mulheres que nunca fumaram, já que sintomas como tosse persistente, falta de ar, rouquidão e perda de peso costumam ser inespecíficos e podem retardar o diagnóstico precoce. Na avaliação dos pesquisadores, ampliar a vigilância epidemiológica e compreender melhor os fatores de risco específicos dessa população são medidas fundamentais para aperfeiçoar as políticas de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.

 

GBOT - Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica
https://www.gbot.med.br/


Doenças silenciosas: hepatites virais podem ficar décadas sem sintomas e levar a complicações graves no fígado

No Julho Amarelo, especialistas alertam que diagnóstico precoce, vacinação e testagem são fundamentais para evitar cirrose e câncer hepático
 

As hepatites virais seguem como um importante desafio de saúde pública no mundo. Segundo o Global Hepatitis Report, da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são a segunda principal causa infecciosa de morte, responsáveis por cerca de 1,3 milhão de óbitos todos os anos. O alerta é ainda maior porque muitas pessoas convivem com a infecção sem saber: os vírus podem permanecer silenciosos por anos ou até décadas enquanto provocam danos progressivos ao fígado. 

Durante o Julho Amarelo – campanha dedicada à conscientização sobre as hepatites virais –, especialistas reforçam a importância da prevenção, da vacinação e da testagem para identificar precocemente os vírus e evitar complicações como fibrose, cirrose e câncer de fígado. 

“As hepatites B, C e D são consideradas doenças silenciosas porque muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas por longos períodos. O diagnóstico, em alguns casos, ocorreapenas quando já existe algum grau de comprometimento do fígado”, explica a infectologista Renata Beranger, do Samaritano Botafogo, da Rede Américas, segunda maior rede privada de hospitais do Brasil. 

No país, os tipos mais frequentes são as hepatites A, B e C. Já a hepatite D ocorre principalmente na Região Norte e depende da presença do vírus da hepatite B para se desenvolver. A hepatite E é menos comum no país. Embora todas recebam o nome “hepatite” por causarem inflamação no fígado, cada tipo possui características próprias de transmissão e prevenção. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela via fecal–oral, pelo consumo de água ou alimentos contaminados. Já as hepatites B, C e D estão relacionadas,sobretudo, com o contato com sangue e fluidos corporais contaminados, que pode ocorrer por meio de relações sexuais sem preservativo e do compartilhamento de objetos perfurocortantes – como agulhas, lâminas e alicates –, além de procedimentos de tatuagem, piercing e estética realizados sem os cuidados adequados de biossegurança. 

“É fundamental que as pessoas tenham atenção aos locais onde realizam práticas que envolvam contato com sangue:agulhas devem ser descartáveis, materiais reutilizáveis precisam passar por esterilização correta e objetos como alicates e lâminas não devem ser compartilhados”, orienta Beranger. 

A especialista também destaca que ainda existem muitos mitos relacionados com as hepatites virais. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, nem todos os pacientes apresentam pele ou olhos amarelados (icterícia), e a ausência de sintomas não significa que não exista infecção. 

“Esse é um dos grandes desafios das hepatites. A pessoa pode se sentir saudável e ainda assim estar infectada. Por isso, a testagem é uma ferramenta essencial para o diagnóstico e para iniciar o tratamento no momento adequado”, afirma. 

Segundo o infectologista Eduardo Faria, do Hospital Samaritano Barra, também da Rede Américas, os avanços no diagnóstico e no tratamento transformaram a perspectiva para os pacientes.

“Existem testes específicos para identificar cada tipo de hepatite e tratamentos capazes de controlar a infecção e alcançar altas taxas de cura. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, menor o risco de evolução para as formas graves da doença”, explica. 

A recomendação é que todas as pessoas façam pelo menos uma testagem para hepatites B e C ao longo da vida, enquanto alguns grupos devem repetir os exames periodicamente, como pessoas que tiveram contato com sangue, profissionais de saúde, gestantes, pessoas que vivem com o HIV e indivíduos expostos a situações de risco.

A vacinação continua sendo uma das principais estratégias de prevenção. O Brasil oferece vacina contra as hepatites A e B – e a imunização contra a hepatite B também protege contra a hepatite D. Para a hepatite C ainda não existe vacina, mas os tratamentos disponíveis atualmente apresentam altas taxas de cura.


Referência

1- Relatório Global sobre Hepatite 2024: ação pelo acesso em países de baixa e média renda


GENÉTICA AJUDA A PREVER A RESPOSTA DOS ANÁLOGOS DE GLP-1 NO TRATAMENTO DA OBESIDADE

 

Exame Nutrigenético da Ciera Genomics incorpora análise sobre resposta aos análogos de GLP-1 e risco genético de eventos adversos no tratamento da obesidade

 

O avanço dos análogos de GLP-1 ou, popularmente conhecida como canetas emagrecedoras abriu uma nova frente no tratamento da obesidade, mas também expôs um desafio conhecido dos profissionais de saúde: pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter respostas diferentes ao mesmo tratamento.

É nesse cenário que a medicina de precisão e os exames nutrigenéticos ganham espaço, ao oferecer informações que ajudam a personalizar condutas e a antecipar riscos. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, o uso desses medicamentos cresceu 88% em relação a 2024. O setor já movimenta cerca de R$ 9 bilhões em importações no país. Entre os princípios ativos utilizados estão a semaglutida e a tirzepatida, substâncias que atuam em hormônios relacionados à saciedade e ao controle do apetite. A semaglutida pode levar a uma média de até 15% de perda de peso, enquanto a tirzepatida pode alcançar entre 22% e 25%, dependendo da dose, do acompanhamento profissional e da mudança no estilo de vida do paciente.


Personalização e segurança no centro da discussão

Ao mesmo tempo em que os resultados chamam atenção, aumentam os alertas sobre segurança e uso adequado. Recentemente, a Anvisa reforçou os riscos do uso indevido desses medicamentos e citou o alerta da agência reguladora do Reino Unido sobre a possibilidade, ainda que rara, de pancreatite aguda grave em pacientes em tratamento. Entre 2020 e dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados aos análogos de GLP-1 no Brasil, incluindo seis casos com desfecho de óbito. Nos últimos anos, a agência também publicou alertas sobre riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos e casos raros de perda de visão associados à semaglutida.


O que os testes genéticos podem revelar

Na obesidade, a medicina de precisão busca transformar dados genéticos em apoio clínico para decisões mais assertivas. A proposta é compreender com mais profundidade fatores biológicos ligados à fome, à saciedade, ao metabolismo energético e à resposta ao tratamento medicamentoso. Segundo a Dra. Annete Marum, nutricionista e diretora científica da Ciera Genomics, a obesidade precisa ser tratada para além de uma lógica de culpa individual.

“Hoje sabemos que há componentes genéticos envolvidos no comportamento alimentar, no metabolismo energético, no armazenamento de gordura e também na forma como cada paciente responde ao tratamento. Quando esses dados entram na avaliação clínica, fica mais fácil construir uma estratégia mais individualizada e realista”, afirma a Dra. Annete. Entre os genes que podem ser analisados pelos testes genéticos estão marcadores associados ao comportamento alimentar, compulsão, saciedade e metabolismo energético, como FTO, LEP, LEPR e MC4R. O exame da Ciera Genomics, em especial, inclui análises relacionadas ao comportamento alimentar e metabolismo, fatores que podem impactar diretamente os resultados do emagrecimento.

Além do risco para fatores associados à obesidade, a genética pode impactar a resposta individual aos medicamentos análogos de GLP-1, usados hoje como tratamento da obesidade. Pessoas que apresentam uma herança genética de risco no gene GLP1R, que codifica o receptor do GLP1, podem apresentar menor eficiência na perda de peso com o uso do fármaco. Por isso, tem sido comum ouvir relatos de pessoas satisfeitas com o tratamento, mas outras frustradas porque perderam bem menos peso do que esperado com o tratamento prescrito pelo médico.


Além da genética, o impacto do sono

Na prática, esse tipo de análise ajuda a explicar por que alguns pacientes relatam mais fome ao longo do dia, dificuldade em atingir saciedade ou episódios recorrentes de compulsão alimentar. “Muitas vezes, o paciente se culpa por não conseguir emagrecer, quando existem fatores biológicos importantes envolvidos nesse processo”, diz a Dra. Annete. Ela cita o caso de uma paciente pós-bariátrica que apresentava reganho de peso. Apesar do exame indicar predisposição genética favorável ao emagrecimento, o principal fator identificado foi a privação crônica de sono associada à apneia. Após o tratamento adequado, houve melhora no controle da compulsão alimentar, aumento da disposição para atividades físicas e evolução do processo de emagrecimento.

Para os especialistas, o avanço da medicina de precisão representa uma mudança importante na forma de tratar a obesidade: com abordagens mais individualizadas, baseadas em ciência e menos centradas na culpa do paciente.

 

Ciera Genomics


Vai correr longas distâncias? Saiba como se preparar e evitar lesões

Ortopedista do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca hidratação, preparação adequada e atenção ao condicionamento como pilares para uma corrida segura 
 

As competições esportivas com foco em longas distâncias (acima de 10km) reúnem um número cada vez maior de atletas amadores em São Paulo e demais estados brasileiros. O ortopedista do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. Fabio Luis Datti, reforça os principais cuidados que os participantes devem adotar tanto na preparação quanto no dia das provas. 

Segundo o especialista, seguir uma rotina de treinos bem estruturada e ter atenção aos fatores ambientais são atitudes essenciais para garantir segurança e bom desempenho. Entre as orientações iniciais, o médico destaca a importância da hidratação e alimentação adequadas, reposição de sais minerais e uso de roupas leves, filtro solar e tênis em boas condições. 

“A escolha do calçado não precisa ser por um modelo novo, o ideal é que seja um com o qual o corredor esteja habituado”, afirma. Já em relação ao consumo alimentar, ele recomenda priorizar alimentos ricos em carboidratos, fundamentais para manter o estoque de glicogênio, energia que é indispensável para provas longas, como maratonas e meia maratonas.  

Ele reforça que consultas e exames devem ser feitos com antecedência e ajustados de acordo com a idade e eventuais comorbidades. A avaliação clínica prévia, incluindo exames laboratoriais, eletrocardiograma e, quando necessário, ecocardiograma, é definida caso a caso. Começar de forma gradual, aumentando intensidade e volume progressivamente, também é essencial.
 

Fortalecimento e avaliação

Um ponto decisivo é seguir com treinos complementares, como musculação, para o fortalecimento dos membros inferiores e exercícios específicos de biomecânica da corrida. Segundo o especialista, isso melhora o desempenho e reduz o risco de lesões. “A performance depende de um tripé: dieta equilibrada, sono de qualidade e controle do estresse, somados ao treinamento esportivo”, destaca.

Para quem planeja encarar os 21,1km ou 42,2km neste segundo semestre do ano, Dr. Datti resume as recomendações em um conselho principal: “Antes de qualquer prova, é essencial ter atenção não apenas à corrida em si, mas também aos treinos de força, flexibilidade e propriocepção, que ajudam a aprimorar a biomecânica e prevenir lesões”. 
 

Benefícios do esporte 

Os benefícios da corrida para a saúde, segundo o ortopedista do Hospital Santa Catarina - Paulista, são amplos. Ele aponta que “exercícios de ‘endurance’, como a corrida, ajudam a melhorar quadros de ansiedade e depressão, além de contribuírem para a saúde cardiovascular, manutenção da massa magra e redução de gordura corporal, especialmente quando praticados em intensidade moderada”.


Câncer de pâncreas localizado entra em nova fase de discussão sobre cirurgia e quimioterapia

Um mês após o entusiasmo gerado pelo daraxonrasibe em pacientes com câncer de pâncreas metastático durante a ASCO 2026, especialistas reunidos no Congresso Internacional de Câncer Gastrointestinal da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO GI 2026) mostraram que outro desafio é definir quais pacientes devem ser operados imediatamente e quais se beneficiam de quimioterapia antes da cirurgia. A decisão passa a considerar não apenas a anatomia do tumor, mas sua biologia e as condições clínicas do paciente


O tratamento do câncer de pâncreas vive um momento de intensa transformação. Durante o Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2026) os resultados do daraxonrasibe em pacientes com doença metastática e mutação em KRAS G12C despertaram entusiasmo ao demonstrar respostas inéditas para um grupo historicamente associado a um prognóstico desfavorável. Um mês depois, o Congresso Internacional de Câncer Gastrointestinal da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO GI 2026), realizado em Munique, na Alemanha, voltou os holofotes para outro cenário igualmente desafiador, que é o tratamento dos pacientes com câncer de pâncreas localizado, ou seja, restrito ao órgão.

Uma das principais sessões do congresso concentrou-se em uma questão que continua dividindo especialistas sobre qual é o melhor momento para operar pacientes com câncer de pâncreas localizado e quando iniciar a quimioterapia antes da cirurgia, estratégia conhecida como neoadjuvância. Os debates mostraram que essa decisão depende de muito mais fatores do que o tamanho do tumor ou de seu contato com vasos sanguíneos. Os especialistas defenderam que a definição de doença localizada precisa ir além da anatomia e incorporar informações sobre a biologia do tumor e o estado clínico do paciente para orientar a escolha terapêutica.

Segundo o cirurgião oncológico Felipe José Fernández Coimbra, secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), diretor do Instituto Integra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center e diretor de Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), essa mudança de perspectiva representa um dos avanços mais importantes discutidos no encontro.

"A discussão mostrou que definir um câncer de pâncreas como localizado não significa, necessariamente, que ele seja uma doença verdadeiramente localizada do ponto de vista biológico. Hoje sabemos que a anatomia é apenas uma parte dessa avaliação”, contextualiza Coimbra. Essa diferença, segundo ele, ajuda a compreender um dos maiores paradoxos do adenocarcinoma ductal de pâncreas (PDAC), o tipo mais comum da doença.

Embora aproximadamente 50% dos pacientes não apresentem metástases visíveis nos exames de imagem no momento do diagnóstico, apenas uma pequena parcela alcança controle duradouro da doença após o tratamento. Os dados apresentados no ESMO GI mostram que, entre os pacientes submetidos à cirurgia, somente cerca de 5% permanecem vivos e sem recorrência dez anos depois. Quando considerados todos os casos diagnosticados, isso significa que apenas cerca de 1% dos pacientes apresentam uma doença efetivamente curável com as terapias atualmente disponíveis. Segundo Coimbra, esses números indicam que muitos tumores aparentemente restritos ao pâncreas já podem ter disseminado células cancerígenas pelo organismo em quantidade ainda insuficiente para serem detectadas pelos exames convencionais.


MUITO ALÉM DA ANATOMIA

Tradicionalmente, a possibilidade de cirurgia era definida principalmente pela localização do tumor e pelo seu grau de envolvimento com os vasos sanguíneos próximos ao pâncreas. Quanto menor esse comprometimento, maiores eram as chances de o paciente seguir diretamente para a operação. No congresso, porém, os especialistas defenderam que essa análise anatômica, isoladamente, já não é suficiente para definir a melhor estratégia terapêutica.

Entre os temas, foi discutida a adoção do chamado modelo ABC, que amplia a forma de avaliar o câncer de pâncreas localizado. Além da posição e da extensão do tumor, os médicos passam a considerar dois outros fatores: a agressividade da doença, estimada por meio do marcador tumoral CA19-9, um exame de sangue frequentemente utilizado no acompanhamento desses pacientes e as condições gerais de saúde da pessoa para receber o tratamento.

A proposta foi avaliada em um estudo internacional com 1.835 pacientes e mostrou que pessoas com níveis elevados de CA19-9 (acima de 500 U/mL) ou com pior estado geral apresentam prognóstico menos favorável, independentemente do tamanho ou da localização do tumor. Segundo os pesquisadores, essa abordagem permite identificar com maior precisão quem tende a se beneficiar da cirurgia e quem pode precisar de outra estratégia terapêutica.

"O grande avanço apresentado no congresso foi mostrar que não basta analisar onde o tumor está. Precisamos entender também como ele se comporta biologicamente e qual é a condição clínica daquele paciente. Essa combinação permite selecionar melhor quem realmente pode se beneficiar da cirurgia e quem deve iniciar o tratamento sistêmico primeiro", afirma Coimbra.

Essa abordagem busca evitar cirurgias de grande porte em pacientes cuja biologia tumoral indique elevado risco de recidiva precoce e, ao mesmo tempo, identificar aqueles que podem obter maior benefício de uma ressecção após resposta favorável ao tratamento sistêmico.


CIRURGIA PRIMEIRO OU QUIMIOTERAPIA ANTES

Foi justamente nesse ponto que surgiram algumas das principais controvérsias apresentadas durante o ESMO GI 2026. Para pacientes classificados como borderline ressecáveis, existe consenso crescente de que iniciar o tratamento com quimioterapia reduz o risco de morte em comparação com a cirurgia realizada como primeira etapa do tratamento, conforme demonstrado por uma metanálise de estudos clínicos randomizados.

Já entre os pacientes considerados ressecáveis desde o diagnóstico, as evidências permanecem conflitantes. O estudo NORPACT-1, de fase 2, realizado em centros escandinavos, comparou pacientes tratados inicialmente com quimioterapia FOLFIRINOX seguida de cirurgia com aqueles submetidos primeiro à operação e, posteriormente, ao tratamento complementar. 

Apesar de a estratégia neoadjuvante ter proporcionado melhores resultados patológicos, como maior frequência de retirada completa do tumor e ausência de comprometimento linfonodal, a sobrevida global em 18 meses foi superior entre os pacientes operados inicialmente: 73% contra 60%. Por outro lado, o estudo asiático CISPD-1, de fase 3, apresentou resultados em sentido oposto. Os pacientes que receberam quimioterapia antes da cirurgia tiveram melhor sobrevida livre de eventos e melhor sobrevida global quando comparados àqueles operados logo após o diagnóstico. De acordo com Felipe Coimbra, a divergência entre os estudos demonstra que ainda não existe uma estratégia capaz de atender todos os pacientes e que a escolha do tratamento deve ser individualizada.


QUAL ESQUEMA DE QUIMIOTERAPIA ESCOLHER

Além da sequência entre cirurgia e quimioterapia, outra dúvida discutida durante o ESMO GI 2026 foi qual esquema de tratamento oferece os melhores resultados antes da operação. Os estudos apresentados até o momento mostram que ainda não existe um regime claramente superior. No ensaio clínico SWOG S1505, por exemplo, pacientes tratados com FOLFIRINOX apresentaram resultados semelhantes aos daqueles que receberam a combinação de gencitabina e nab-paclitaxel, sem diferença significativa na sobrevida global. Conclusão parecida foi observada no estudo PREOPANC-2, de fase 3, que comparou FOLFIRINOX com uma estratégia baseada em gencitabina associada à radioterapia, também sem demonstrar vantagem consistente de uma abordagem sobre a outra.

O cenário muda novamente entre os pacientes com doença localmente avançada. O estudo NEOPAN, de fase 3, não confirmou benefício de sobrevida do FOLFIRINOX em relação à gencitabina isolada, contrariando expectativas criadas por pesquisas anteriores. Já o estudo CASSANDRA, também de fase 3, trouxe resultados considerados promissores ao avaliar um esquema mais intensivo, conhecido como PAXG, composto por cisplatina, nab-paclitaxel, capecitabina e gencitabina. Nesse estudo, o regime apresentou melhor sobrevida livre de eventos quando comparado ao mFOLFIRINOX.

Na avaliação de Coimbra, esses resultados mostram que a evolução do tratamento do câncer de pâncreas depende tanto da descoberta de novas terapias quanto da definição da melhor estratégia para utilizar os tratamentos já disponíveis. "Não estamos discutindo apenas qual medicamento utilizar, mas qual sequência terapêutica oferece maior benefício para cada paciente. Essa talvez seja hoje uma das principais fronteiras do tratamento do câncer de pâncreas localizado."


REAVALIAÇÃO APÓS A QUIMIOTERAPIA AJUDA A INDIVIDUALIZAR O TRATAMENTO

Outro avanço destacado durante a sessão foi a importância do reestadiamento após a terapia sistêmica. Em vez de decidir pela cirurgia apenas com base nos exames realizados no diagnóstico, os especialistas defenderam uma nova avaliação depois da quimioterapia para verificar como o tumor respondeu ao tratamento. Essa reavaliação leva em consideração fatores como o aparecimento de metástases, o tamanho residual do tumor e a evolução dos níveis do marcador tumoral CA19-9.

Com base nessas informações, pesquisadores desenvolveram um modelo capaz de estratificar os pacientes de acordo com o risco de evolução da doença. Os resultados mostraram diferenças expressivas de prognóstico: enquanto pacientes classificados no grupo de maior risco apresentaram sobrevida global em três anos de aproximadamente 6%, aqueles com características mais favoráveis alcançaram taxas próximas de 66%.

Na avaliação de Coimbra, essa estratégia representa um avanço importante porque permite selecionar com maior precisão os pacientes que realmente poderão se beneficiar da cirurgia. "O objetivo é evitar operações de grande porte em pacientes cuja doença já demonstra comportamento biológico muito agressivo e, ao mesmo tempo, ampliar as chances de cura daqueles que respondem bem ao tratamento inicial. A decisão deixa de depender apenas da anatomia e passa a incorporar a resposta à quimioterapia e a biologia do tumor”, afirma

Os pesquisadores também apresentaram uma calculadora clínica baseada nesse modelo, desenvolvida para auxiliar médicos na tomada de decisão após a terapia sistêmica e facilitar a incorporação dessa estratégia à prática clínica. "Estamos caminhando para um modelo em que a decisão terapêutica será cada vez mais personalizada. A anatomia continua sendo importante, mas já não é suficiente. Integrar informações clínicas, laboratoriais e biológicas permite selecionar melhor os pacientes e aumentar as chances de oferecer o tratamento certo no momento certo", conclui Coimbra.

  

Felipe Coimbra – Médico cirurgião oncológico referência nacional e mundial em câncer abdominal, Felipe José Fernández Coimbra se graduou em Medicina pela Universidade Federal do Pará, fez Residência Médica em Cirurgia Geral na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e em Cirurgia Oncológica no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Atualmente é secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), diretor do Instituto Integra, líder do Centro de Referência de Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo e diretor de Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Presidiu a SBCO no biênio 2015-2017 e foi o primeiro brasileiro a presidir a Americas Hepato-Pancreato-Biliary Association (AHPBA), em 2019/2020. Faz parte do comitê científico internacional da International Hepato Pancreato Biliary Association (IHPBA) e é representante internacional da Society of Surgical Oncology Americana (SSO).


Antes da volta às aulas: por que este é o momento ideal para atualizar a caderneta de vacinação das crianças?

 A recente aprovação de uma nova vacina contra a gripe pela Anvisa e o desafio de ampliar as coberturas vacinais no país tornam este um momento estratégico para colocar o calendário infantil em dia.

 

As férias escolares costumam alterar completamente a rotina das famílias. Entre viagens, passeios e compromissos em família, consultas médicas e vacinas frequentemente acabam sendo adiadas. Mas com a volta às aulas se aproximando, este é um momento importante para conferir a caderneta de vacinação das crianças e atualizar eventuais doses pendentes antes do retorno à convivência diária nas escolas. ¹ 

O tema ganha ainda mais relevância diante da recente aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Fluprevli, nova vacina trivalente contra os vírus influenza A e B. Indicada para pessoas a partir dos seis meses de idade, a vacina amplia as opções disponíveis para prevenção da gripe e reforça a importância da imunização, especialmente entre crianças pequenas, um dos grupos mais vulneráveis às complicações causadas pela doença. ² 

O momento também coincide com um cenário positivo para a vacinação no país. Relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que o Brasil reduziu em quase 90% o número de crianças "zero-dose" entre 2023 e 2025. Apesar desse avanço, vacinas do calendário infantil, como as contra poliomielite e tríplice viral, além dos reforços contra difteria, tétano e coqueluche, ainda não alcançam a meta de cobertura de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), tornando a revisão da caderneta uma medida importante antes da volta às aulas.³

"A volta às aulas representa um aumento natural do contato entre as crianças e, consequentemente, da circulação de vírus respiratórios e outras doenças infecciosas. Antes do retorno à escola, vale conferir se a caderneta está atualizada e conversar com o pediatra ou infectologista sobre possíveis doses em atraso. A vacinação continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir doenças e proteger não apenas a criança, mas toda a comunidade escolar", afirma a Dra. Rosana Richtmann, infectologista do laboratório Exame (DF), marca da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil. 

Confira quatro motivos para aproveitar o período que antecede a volta às aulas para revisar a vacinação infantil:
1. As férias podem ter adiado alguma vacina

Viagens, passeios e mudanças na rotina fazem com que muitas famílias deixem consultas e vacinas para depois. Antes do retorno às aulas, vale verificar se todas as doses previstas para a idade foram aplicadas e se existe algum reforço pendente. Para o Dr. Guenael Freire, infectologista do laboratório Lustosa, em Minas Gerais, seguir o calendário vacinal é a forma mais eficaz de prevenir doenças imunopreveníveis e reduzir o risco de surtos.


2. Os reforços também fazem parte da proteção

Embora as primeiras vacinas sejam concentradas nos primeiros meses de vida, o calendário infantil continua prevendo doses e reforços importantes nos anos seguintes. Entre eles estão os reforços contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite, além do tríplice viral e da vacina contra a influenza, recomendada anualmente para os grupos indicados pelo Ministério da Saúde. Aproveitar o período que antecede a volta às aulas para revisar a caderneta ajuda a garantir que essas etapas da imunização sejam cumpridas. ⁴

"O primeiro ano de vida costuma receber bastante atenção das famílias porque concentra várias consultas pediátricas. Depois desse período, é comum que a rotina fique menos frequente e os reforços acabem sendo adiados. O problema é que essas doses são fundamentais para manter a proteção contra doenças que continuam circulando, como sarampo, coqueluche e poliomielite", explica o Dr. Alberto Chebabo, infectologista do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro.


3. Vai viajar antes do fim das férias? Aproveite para revisar a vacinação

Muitas famílias aproveitam o período de férias para viajar. Antes do embarque, vale verificar se o destino exige ou recomenda alguma vacina específica. No Brasil, quem viaja para áreas com recomendação para febre amarela deve conferir se está imunizado com antecedência. Já em viagens internacionais, alguns países podem solicitar o Certificado Internacional de Vacinação ou recomendar imunizantes como febre amarela, poliomielite ou meningocócica, conforme o destino e o cenário epidemiológico. ⁵

Além da documentação necessária, consultar as orientações de vacinação antes da viagem ajuda a reduzir o risco de exposição a doenças preveníveis e evita contratempos na entrada em alguns países.

Para o Dr. Alberto Chebabo, quem vai viajar deve verificar com antecedência se o destino possui alguma recomendação ou exigência vacinal. Em alguns casos, como a febre amarela, a vacina precisa ser aplicada pelo menos dez dias antes da viagem para garantir proteção e, quando necessário, a emissão do Certificado Internacional de Vacinação. Quando necessário, a vacinação também pode ser realizada em domicílio, ampliando as possibilidades de acesso ao serviço antes do embarque.


4. Quando falta tempo, o atendimento domiciliar pode facilitar a vacinação

Com o segundo semestre se aproximando, muitas famílias conciliam trabalho, organização da casa e preparação para a volta às aulas. Nesses casos, o atendimento domiciliar pode facilitar a atualização da caderneta ao permitir que a vacinação seja realizada mediante agendamento prévio, na própria residência, reduzindo deslocamentos e tempo de espera.

Segundo Fernanda Fares, Diretora de Operações e Negócios da Dasa, a busca por serviços mais acessíveis acompanha uma mudança no comportamento das famílias.

"A vacinação infantil depende, muitas vezes, da organização da rotina familiar. O atendimento domiciliar oferece uma alternativa para facilitar esse acesso, permitindo que pais e responsáveis atualizem a caderneta das crianças com comodidade e segurança, sem que a falta de tempo se torne um obstáculo para um cuidado tão importante."



Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações (PNI). Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: Link. Acesso em: 21 jul. 2026.
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Anvisa aprova a vacina Fluprevli contra influenza. Disponível em: (inserir o link da notícia específica da aprovação da Fluprevli no portal da Anvisa).
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório da OMS e do Unicef mostra aumento da vacinação infantil no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 21 jul. 2026.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Manual de Orientações: Imunizações. Disponível em: Link. Acesso em: 21 jul. 2026.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Febre amarela: orientações para vacinação de viajantes. Disponível em: Link. Acesso em: 21 jul. 2026. 


Além do positivo ou negativo: 4 razões para repensar o diagnóstico de ISTs

As ISTs são responsáveis por cerca de 1 milhão de novos
casos a cada dia, conforme estimativa da OMS

Os métodos clássicos, como o painel de sete patógenos, ainda são utilizados, mas apresentam limitações na identificação dos microrganismos


Responsáveis por cerca de 1 milhão de novos casos a cada dia, conforme estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) têm recebido uma atenção especial do mercado de estudos e aplicações clínicas da microbiota vaginal, que está em expansão acelerada, com projeções que indicam crescimento de 1,4 bilhão de dólares, em 2025, para mais de 7 bilhões até 2031. Apesar de boa parte dos laboratórios brasileiros ainda utilizar os exames tradicionais para a detecção dessas doenças, as pesquisas caminham para uma avaliação mais ampla.

É o que explica Cláudia Oliveira, biomédica, pós-graduada em Citologia Clínica e consultora de Inovação Diagnóstica da Biomédica Equipamentos. “Os exames de PCR em tempo real, como o Femoflor Screen, ampliam o diagnóstico ginecológico tradicional, porque, além de identificarem os principais patógenos sexualmente transmissíveis, avaliam, de forma quantitativa, o equilíbrio da microbiota vaginal, informação que os painéis convencionais de ISTs, limitados a resultados qualitativos de presença ou ausência, não oferecem”, acrescenta.

Ao mostrar, simultaneamente, o que está presente, em que quantidade e qual a condição geral da microbiota, os exames de PCR em tempo real permitem que o médico direcione o tratamento com base em dados, não em tentativa empírica, reproduzindo, na saúde íntima feminina, a mesma transformação que os painéis multiplex já trouxeram ao diagnóstico respiratório. Abaixo, a especialista detalha as razões para ir além dos métodos clássicos.


1. Avaliação quantitativa

O painel de sete patógenos, padrão em boa parte dos laboratórios brasileiros, informa apenas a presença ou a ausência de um microrganismo causador de IST. Os exames de PCR em tempo real, por sua vez, entregam quais patógenos se fazem presentes, se há desequilíbrio real da microbiota vaginal associado a eles, o percentual de lactobacilos, a massa bacteriana total e a indicação - ou não - de necessidade de tratamento.


2. Tratamento mais assertivo

Falando em tratamento, ao cruzar a carga do microrganismo identificado com a massa bacteriana total da amostra, os exames de PCR em tempo real mostram se aquele patógeno está, de fato, associado aos sintomas, conforme os parâmetros de referência estabelecidos. O percentual de lactobacilos complementa essa leitura, já que indica a eubiose (equilíbrio) ou a disbiose (desequilíbrio) da microbiota vaginal, reduzindo as trocas sucessivas de antibióticos e antifúngicos.


3. Resposta para pacientes com sintomas e exames ‘normais’

Uma das ocorrências mais frequentes no consultório é a paciente com queixa clara e painel de IST negativo. Por analisar o cenário completo da microbiota, não apenas a presença de patógenos, os exames de PCR em tempo real ajudam a identificar alterações que o teste convencional não captura, dando ao médico uma explicação clínica onde, antes, havia somente um resultado inconclusivo.


4. Impacto na fertilidade e gestação

O painel convencional de IST não diferencia os microrganismos pela sua relevância para desfechos reprodutivos nem avalia sinais de inflamação subclínica associados a infertilidade, falha de FIV ou parto prematuro - riscos, hoje, amplamente discutidos na literatura sobre microbiota vaginal. Os exames de PCR em tempo real ampliam essa janela de investigação ao caracterizarem o ecossistema como um todo, não apenas a presença isolada de um agente infeccioso.

 

Biomédica - Inteligência Diagnóstica

 

65% dos pacientes abandonam tratamento com GLP-1 por questões financeiras, aponta pesquisa

Levantamento da Febrafar com mais de mil médicos aponta que 65% dos pacientes interrompem o tratamento por questões financeiras e que redução de preços pode ampliar significativamente a adesão

 

O mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", vive um momento de transformação. Com a chegada de novas opções terapêuticas ao mercado e a ampliação gradual da oferta nas farmácias brasileiras, uma pesquisa nacional realizada pela Febrafar buscou entender como os médicos brasileiros avaliam essa nova fase da categoria. 

O estudo ocorre em um momento de mudança para o setor, marcado pela entrada de novos produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela expectativa de aumento da concorrência. Esse movimento pode contribuir para reduzir uma das principais barreiras apontadas pelos médicos: o custo do tratamento. 

O levantamento, realizado pelo Instituto IFEPEC em maio de 2026, ouviu 1.067 médicos de todo o país, distribuídos entre as especialidades de Clínica Médica, Cardiologia, Medicina de Família e Comunidade e Endocrinologia. Trata-se de um dos maiores estudos já realizados no Brasil sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1. 

Os resultados mostram que os profissionais reconhecem amplamente os benefícios terapêuticos dessa classe de medicamentos, mas apontam o custo como a principal barreira para a ampliação do acesso. 

Segundo a pesquisa, atualmente o tratamento é considerado financeiramente viável para apenas 28% dos pacientes aptos a utilizá-lo. Além disso, 65% dos pacientes acabam interrompendo o tratamento ou não conseguem manter a posologia recomendada devido a limitações financeiras. Por outro lado, os médicos acreditam que uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar a viabilidade do tratamento para cerca de 45% dos pacientes, ampliando significativamente o acesso. 

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, os dados mostram que a discussão sobre os GLP-1 entrou em uma nova etapa. "Os médicos já reconhecem os benefícios clínicos dessa categoria terapêutica. O desafio agora não é mais comprovar sua eficácia, mas ampliar o acesso. A pesquisa mostra que o principal obstáculo para a expansão dos GLP-1 no Brasil continua sendo o custo, e isso fica evidente quando observamos que 65% dos pacientes abandonam o tratamento por questões financeiras", afirma.
 

Médicos veem potencial de crescimento com chegada de novas opções

A pesquisa também investigou as expectativas dos médicos em relação à chegada de biossimilares, similares e outras novas opções de GLP-1 ao mercado brasileiro. Os resultados apontam que a maioria dos profissionais pretende incorporar essas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia equivalentes às terapias já disponíveis. 

Segundo Tamascia, a ampliação da oferta pode representar um marco para o setor. "Estamos entrando em uma nova fase dos GLP-1. A chegada de novas opções ao mercado tende a ampliar a concorrência e criar condições para que mais pacientes tenham acesso a tratamentos que hoje ainda estão fora da realidade financeira de grande parte da população. Esse é um movimento positivo para a saúde pública e para a adesão terapêutica", destaca.
 

Benefícios vão além da perda de peso

Embora os GLP-1 tenham se popularizado pelos resultados relacionados ao emagrecimento, os médicos entrevistados destacaram uma série de benefícios clínicos associados ao tratamento. 

Entre os principais resultados observados estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, a redução da compulsão alimentar, a perda de peso significativa, além da proteção cardiovascular, renal e hepática. Os profissionais também relataram melhora em condições associadas à obesidade, como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, dores articulares e alterações metabólicas. 

Para Tamascia, os resultados reforçam a importância da ampliação do acesso a essa categoria terapêutica. "Quando falamos sobre GLP-1, não estamos tratando apenas de perda de peso. Os médicos relatam benefícios importantes para o controle de doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros. Isso torna ainda mais relevante a busca por mecanismos que ampliem o acesso a esses tratamentos", explica.
 

Uso irregular preocupa profissionais de saúde

Outro dado que chamou atenção foi o relato de utilização dos medicamentos sem acompanhamento médico. Em média, 7% dos pacientes chegam aos consultórios informando já ter utilizado GLP-1 sem prescrição antes da primeira consulta. O resultado acende um alerta para a comercialização irregular desses produtos e para os riscos associados ao uso sem orientação profissional. 

"Os medicamentos da classe GLP-1 exigem prescrição médica e as farmácias seguem rigorosamente essa determinação. O combate aos canais irregulares de comercialização é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com acompanhamento médico e orientação farmacêutica adequada", afirma Tamascia. 

Segundo ele, o farmacêutico desempenha papel estratégico nesse processo. "O farmacêutico é um elo fundamental entre o médico e o paciente. Sua atuação contribui para o uso racional dos medicamentos, para a adesão ao tratamento e para a segurança dos pacientes durante toda a jornada terapêutica", acrescenta.
 

Expansão do mercado já começa a chegar às farmácias

O movimento de ampliação da oferta de medicamentos da classe GLP-1 já pode ser observado no varejo farmacêutico. Nesta semana, a Farmarcas, organização responsável por 11 redes e mais de 1.700 farmácias no Brasil, recebeu os primeiros lotes do Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética produzida no Brasil aprovada pela Anvisa. 

As primeiras unidades começaram a ser distribuídas para farmácias associadas em diversas regiões do país, marcando uma nova etapa para o mercado nacional de tratamentos voltados ao controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
 

Para Fábio Chacon, diretor da Farmarcas, a chegada de novas alternativas reforça um dos principais pontos identificados pela pesquisa: a necessidade de ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos. "Os resultados mostram que o grande desafio para os GLP-1 no Brasil ainda é o custo. Quando novas opções chegam ao mercado, cria-se um ambiente mais favorável para ampliar o acesso e permitir que mais pacientes tenham condições de iniciar e manter o tratamento", afirma. 

Segundo Chacon, a entrada de produtos nacionais também contribui para fortalecer a segurança dos pacientes ao ampliar a oferta de medicamentos regularizados e aprovados pela Anvisa. "Existe uma demanda crescente por essa categoria terapêutica. Quanto maior a disponibilidade de produtos seguros, prescritos por médicos e dispensados por farmácias legalmente estabelecidas, maior será a proteção dos pacientes e menor a busca por alternativas de origem duvidosa", destaca. 

Para o executivo, a expansão da oferta observada atualmente vai ao encontro das expectativas identificadas entre os médicos entrevistados pela pesquisa. "Estamos vendo na prática uma transformação que os próprios médicos enxergam com otimismo. O aumento da concorrência e da disponibilidade dos medicamentos tem potencial para ampliar o acesso e fortalecer a adesão aos tratamentos nos próximos anos", conclui.
 

Pesquisa ouviu médicos de todas as regiões do país

O levantamento teve abrangência nacional e contou com a participação de 544 médicos da região Sudeste, 206 do Nordeste, 169 do Sul, 96 do Centro-Oeste e 52 da região Norte. Entre os entrevistados, 59,3% eram clínicos gerais, 21,9% cardiologistas, 10,8% especialistas em Medicina de Família e Comunidade e 8% endocrinologistas. 

A pesquisa também identificou que os médicos consideram os efeitos gastrointestinais, como náusea, constipação, vômitos e diarreia, os eventos adversos mais frequentemente relatados pelos pacientes. Ainda assim, a percepção predominante é de que os benefícios clínicos superam os riscos quando o tratamento é realizado com acompanhamento adequado. 

Para a Febrafar, os resultados mostram que o mercado brasileiro de GLP-1 possui amplo potencial de crescimento, especialmente em um cenário de ampliação da oferta e maior concorrência. "Os médicos demonstram confiança nessa nova etapa do mercado. O que eles esperam é que o aumento das opções disponíveis seja acompanhado de qualidade, segurança e preços mais acessíveis. Se isso acontecer, teremos a oportunidade de levar uma terapia altamente eficaz para um número muito maior de brasileiros", conclui Edison Tamascia.

  

Febrafar - Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias




Menopausa e composição corporal: por que tantas mulheres deixam de se reconhecer no espelho

Especialista explica como as alterações hormonais modificam o contorno do corpo e quando a cirurgia plástica pode ser indicada


A expectativa de vida das brasileiras chegou a 79,9 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que uma parcela cada vez maior da população feminina viverá décadas após a menopausa, fase que deixou de ser encarada apenas como uma transição hormonal para integrar um debate mais amplo sobre longevidade, bem-estar e envelhecimento saudável.

Esse movimento acompanha uma tendência global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030, haverá cerca de 1,2 bilhão de mulheres vivendo a menopausa ou a pós-menopausa. Ao mesmo tempo em que elas permanecem mais ativas, investem em alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento preventivo da saúde, cresce também o desejo de que a aparência acompanhe esse novo momento.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Pedro Westphalen, essa mudança tem se refletido de forma clara no consultório.

"A mulher na menopausa de hoje não procura a cirurgia plástica para parecer 20 anos mais jovem. Na maioria das vezes, ela quer que sua aparência acompanhe a vitalidade que sente. São mulheres que trabalham, viajam, praticam exercícios e percebem que determinadas alterações não respondem apenas à alimentação ou à atividade física, porque fazem parte das mudanças naturais dessa fase", afirma.

Entre as queixas mais frequentes estão o aumento da gordura na região abdominal, a perda de firmeza das mamas, a flacidez da pele e alterações no contorno corporal. Muitas pacientes chegam acreditando que ganharam peso, quando, na verdade, o que mudou foi a forma como o organismo passou a distribuir gordura e a responder às alterações hormonais.

Mais do que uma questão estética, essas mudanças costumam interferir na relação da mulher com o próprio corpo. Roupas deixam de vestir da mesma maneira, a silhueta se modifica e a aparência passa a não refletir o estilo de vida mantido ao longo dos anos.

Para Westphalen, esse comportamento revela uma mudança importante na forma como o envelhecimento é encarado.

"Há alguns anos, era comum ouvir pacientes dizendo que queriam parecer mais jovens. Hoje, elas falam muito mais em voltar a se reconhecer no espelho. Existe uma busca por naturalidade e coerência entre a forma como vivem e aquilo que enxergam quando se olham", observa.

Embora a cirurgia plástica possa ser uma alternativa para casos específicos, ela não trata a menopausa e tampouco substitui o acompanhamento com o ginecologista. A indicação depende de uma avaliação individualizada e deve considerar o estado de saúde, o histórico clínico e as expectativas da paciente.

Quando indicada, a cirurgia pode contribuir para corrigir alterações nas mamas, no abdômen, no contorno corporal ou na região íntima. No entanto, tão importante quanto o procedimento é o planejamento da recuperação. Como muitas pacientes conciliam carreira, rotina familiar e, frequentemente, o cuidado com filhos ou pais idosos, organizar esse período com antecedência é essencial para que o organismo tenha o tempo necessário para cicatrizar e responder adequadamente à cirurgia.

Respeitar o repouso recomendado, evitar esforços físicos precoces, comparecer às consultas de acompanhamento e seguir rigorosamente as orientações médicas são cuidados que reduzem o risco de intercorrências e contribuem diretamente para um resultado mais seguro e duradouro.

"A cirurgia é apenas uma etapa do processo. Um pós-operatório bem conduzido, com repouso adequado, retorno gradual às atividades e seguimento rigoroso das orientações médicas, é fundamental para uma recuperação segura e para a qualidade do resultado. O planejamento desse período deve começar antes mesmo da cirurgia, para que a paciente consiga organizar sua rotina e dedicar o tempo necessário à recuperação”, explica Westphalen.

Mais do que acompanhar tendências estéticas, a procura por procedimentos nessa fase da vida reflete uma transformação na forma como as mulheres encaram o próprio envelhecimento. Em vez de buscar uma versão idealizada da juventude, cresce o desejo de preservar identidade, bem-estar e confiança. Nesse contexto, a cirurgia plástica passa a ocupar um papel complementar dentro de um cuidado mais amplo com a saúde feminina, respeitando as características e os objetivos de cada paciente.

 

Dr. Pedro Westphalen - cirurgião plástico com formação sólida e especialização reconhecida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pelo MEC. Com atuação focada em cirurgia estética e reparadora, desenvolve um trabalho pautado por planejamento individualizado, segurança técnica e resultados naturais. Seu posicionamento profissional valoriza informação clara, critérios médicos rigorosos e acompanhamento próximo do paciente, consolidando uma prática contemporânea que alia precisão cirúrgica e responsabilidade ética. Integra o corpo clínico de cirurgiões plásticos do Hospital Blanc em Porto Alegre e São Paulo.


Posts mais acessados