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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Amamentação sem mitos: especialista da FEBRASGO esclarece seis dúvidas comuns

 No Agosto Dourado, médica explica o que realmente interfere na produção de leite, quando a dor merece atenção e por que apoio adequado faz diferença desde a maternidade

            1/08 – Dia Mundial do Aleitamenro Materno

 

O tamanho das mamas interfere na produção de leite? A cesariana impede o aleitamento? Sentir dor intensa nos primeiros dias é normal? Essas são dúvidas frequentes entre gestantes e puérperas e, muitas vezes, informações incorretas aumentam a insegurança, justamente, quando a mulher precisa de acolhimento e orientação. 

Em referência ao Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, e ao Dia Mundial da Amamentação, celebrado em 1º de agosto, a Dra. Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.

 

1. Mulheres que tiveram pouco aumento das mamas na gravidez produzem menos leite.

Mito. Durante a gestação, as mamas passam por alterações na circulação, nos ductos e nos tecidos, preparando-se para o aleitamento. No entanto, o volume mamário não determina a capacidade de produção de leite. “A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção”, explica a médica.

 

2. A cesariana pode atrasar a descida do leite, mas não impede o sucesso da amamentação.

Verdade. O parto cesáreo pode atrasar a apojadura — nome dado ao aumento da produção e à descida do leite nos primeiros dias —, mas isso não significa que a amamentação será prejudicada. Segundo a especialista, algumas medidas ajudam a favorecer o processo, como evitar sedação excessiva na assistência ao parto, realizar o contato pele a pele e o aleitamento ainda na sala de parto, preferencialmente antes da primeira hora de nascimento. 

“O contato imediato e a busca espontânea do bebê pela mama já contribuem para os estímulos hormonais envolvidos na produção de leite”, afirma.

 

3. Dor intensa nos primeiros dias deve ser considerada normal.

Mito. Algum desconforto inicial pode ocorrer por causa da descida do leite, do ingurgitamento das mamas ou da adaptação da mãe e do bebê. Dor forte, porém, não deve ser ignorada. “A dor intensa precisa ser avaliada, pois pode indicar pega inadequada, favorecendo a ocorrência de fissuras, inflamação ou outras dificuldades que exigem correção e acompanhamento”, orienta Dra. Silvia.

 

4. Obesidade, diabetes e síndrome dos ovários policísticos podem dificultar o início da amamentação.

Verdade. Alterações hormonais e metabólicas associadas à obesidade, ao diabetes e à síndrome dos ovários policísticos podem interferir no início da produção de leite. Porém isso não significa que essas mulheres não possam amamentar. “Com acompanhamento, orientação e medidas adequadas, essas dificuldades podem ser superadas”, ressalta a especialista.

 

5. Oferecer fórmula na maternidade pode interferir na amamentação exclusiva.

Verdade. Em partos de risco habitual, quando mãe e bebê apresentam boas condições clínicas, a recomendação é manter o recém-nascido em alojamento conjunto e oferecer o peito sempre que houver sinais de fome. A introdução de fórmula sem indicação clínica pode reduzir a frequência das mamadas e, consequentemente, o estímulo necessário para a produção de leite. 

“O bebê deve permanecer próximo da mãe e ser amamentado em livre demanda, desde o nascimento até a alta hospitalar. A fórmula só deve ser utilizada quando houver necessidade devidamente avaliada”, explica Dra. Silvia.

 

6. A pega correta é mais importante do que o formato do mamilo.

Verdade. O formato do mamilo pode gerar preocupação, especialmente nos casos de mamilos planos ou invertidos, mas não é, por si só, um impedimento para amamentar. O bebê precisa abocanhar não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola. Uma pega adequada favorece a retirada do leite, evita dor e lesões e aumenta as chances de continuidade do aleitamento. 

“Com orientação correta, é possível ajustar a posição e a pega, inclusive quando existem características anatômicas que inicialmente parecem dificultar a amamentação”, conclui. 




Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
A FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher
https://www.febrasgo.org.br/pt/@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial


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