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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fake news sobre saúde da mulher colocam diagnósticos e tratamentos em risco

divulgação
Desinformação nas redes sociais pode atrasar cuidados médicos, incentivar práticas perigosas e aumentar riscos à saúde feminina


As plataformas digitais e as redes sociais tornaram-se importantes fontes de informação em saúde para mulheres, especialmente na busca por conteúdos relacionados à fertilidade, contracepção, menopausa1,2, endometriose3 e outros temas ligados à saúde reprodutiva. No entanto, junto com o aumento do acesso à informação, especialistas alertam para um problema preocupante: a disseminação de fake news que podem comprometer diagnósticos, atrasar tratamentos e colocar a saúde da mulher em risco4. 

Vídeos curtos, depoimentos sem embasamento científico e conteúdos produzidos por influenciadores sem formação médica têm impulsionado a circulação de informações incorretas sobre doenças ginecológicas, gravidez e cuidados hormonais. Entre os temas mais afetados estão o uso de anticoncepcionais, vacinas, tratamentos para endometriose, Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), menopausa e fertilidade5. 

Muitas mensagens em ambientes digitais de saúde podem conter informações não baseadas em evidências ou simplificadas, o que pode influenciar decisões de saúde e gerar dúvidas em relação a condutas médicas estabelecidas6. 

Nos consultórios, é cada vez mais comum relatos de pacientes influenciadas por conteúdos vistos nas redes sociais. Informações incorretas ou sem respaldo científico podem gerar receios infundados, modificar expectativas em relação aos tratamentos e interferir na tomada de decisão, reforçando a importância da orientação e diagnóstico médico baseado em evidências7. 

Doenças como endometriose, por exemplo, já enfrentam desafios históricos de diagnóstico tardio. Quando informações falsas minimizam sintomas ou desacreditam tratamentos médicos, o cenário pode se agravar ainda mais3,8. 

No entanto, a desinformação em saúde não é apenas um problema digital — ela pode trazer consequências reais para a qualidade de vida e até para a segurança das pacientes7,9.  

Entre os principais riscos associados à desinformação em saúde da mulher estão a interrupção de tratamentos sem orientação médica, a adoção de dietas ou terapias sem comprovação científica⁴, o uso inadequado de suplementos e hormônios⁵, o atraso no diagnóstico de doenças ginecológicas⁸, o aumento da ansiedade e do medo em relação a tratamentos médicos9,10 e a resistência à vacinação, incluindo a vacina contra o HPV¹¹. 

De acordo com a Libbs Farmacêutica, é preciso ficar atento a sinais que podem indicar conteúdos potencialmente enganosos, como promessas de cura rápida ou definitiva, discursos que desacreditam completamente a medicina, ausência de fontes científicas confiáveis, recomendações genéricas direcionadas a todas as mulheres, incentivo ao abandono de tratamentos médicos e o uso excessivo de termos alarmistas⁹. A própria empresa mantém o portal A Vida Plena (Link), que reúne conteúdos educativos elaborados e validados por especialistas sobre saúde da mulher, prevenção, qualidade de vida e outros temas, contribuindo para que a população tenha acesso a informações seguras e possa tomar decisões mais conscientes sobre o próprio cuidado.

 


Libbs
www.libbs.com.br

 

Referências

  1. Lupton D, Maslen S. How Women Use Digital Technologies for Health: Qualitative Interview and Focus Group Study. J Med Internet Res. 2019 Jan 25;21(1):e11481
  2. Hajesmaeel-Gohari S, Shafiei E, Ghasemi F, Bahaadinbeigy K. A study on women's health information needs in menopausal age. BMC Womens Health. 2021;21(1):434.
  3. Loughran A, Daken K, Plessis CD, Mullens AB. How Women with Endometriosis Use Social Media for Support and Self-Management: An Analysis of Reddit Content. Int J Environ Res Public Health. 2025 Nov 11;22(11):1706.
  4. Wang Y, McKee M, Torbica A, Stuckler D. Systematic literature review on the spread of health-related misinformation on social media. Soc Sci Med. 2019;240:112552.
  5. John JN, Gorman S, Scales D, Gorman JR. Online misleading information about women's reproductive health: a narrative review. J Gen Intern Med. 2025;40(4):1123-1131.
  6. Immeli L, Douglas P, Kolho KL. Challenges to Infant Health Care in the Social Media Era: Misinformation and Medicalisation. Acta Paediatr. 2026 May;115(5):1029-1035.
  7. Sridhar S, King C. Impact of social media on patient expectations and decision-making in gynecology. Curr Opin Obstet Gynecol. 2025 Aug 1;37(4):261-267.
  8. Zondervan KT, Becker CM, Missmer SA. Endometriosis. N Engl J Med. 2020;382(13):1244-1256.
  9. Sathianathan S, Mhd Ali A, Chong WW. How the General Public Navigates Health Misinformation on Social Media: Qualitative Study of Identification and Response Approaches. JMIR Infodemiology. 2025 Jun 24;5:e67464
  10. Swire-Thompson B, Lazer D. Public health and online misinformation: challenges and recommendations. Annu Rev Public Health. 2020;41:433-451.
  11. Wilson SL, Wiysonge C. Social media and vaccine hesitancy. BMJ Glob Health. 2020;5(10):e004206.


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