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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Maio Amarelo reforça a importância do cuidado permanente na segurança nas operações de transporte de cargas

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ano de 2025 registrou 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais brasileiras, com 6.044 mortes e mais de 83 mil pessoas feridas. Embora os números indiquem redução em relação ao ano anterior, eles ainda permanecem elevados e reforçam a necessidade de ações contínuas voltadas à segurança viária.

 

Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente em decorrência de acidentes de trânsito. Nesse contexto, o movimento Maio Amarelo, iniciativa internacional de conscientização criada a partir de mobilização da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, tem o papel de ampliar a visibilidade do tema e estimular reflexões sobre segurança no trânsito. Em 2026, a campanha traz como tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.

 

Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), no entanto, a segurança viária precisa ser tratada como uma pauta permanente. A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) destaca que campanhas como o Maio Amarelo são importantes para ampliar o debate público e mobilizar a sociedade, mas que a construção de um trânsito mais seguro depende de ações contínuas ao longo de todo o ano.

 

“Campanhas como o Maio Amarelo têm um papel fundamental porque ajudam a manter o tema da segurança viária em evidência e reforçam que trânsito seguro é uma responsabilidade coletiva. No transporte rodoviário de cargas, essa conscientização ganha ainda mais relevância pela dimensão operacional do setor e pela importância para o abastecimento do país. Acidentes geram impactos humanos extremamente graves, além de prejuízos operacionais, econômicos e logísticos. Por isso, iniciativas de conscientização são importantes para reforçar que preservar vidas deve estar sempre no centro das operações”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.

 

Os fatores de risco para acidentes envolvendo veículos de carga são diversos. A falta de manutenção preventiva, o excesso de velocidade, a distração ao volante e o uso de celular durante a condução estão entre os mais recorrentes. Somam-se a esses fatores desafios estruturais das rodovias, sinalização inadequada e o aumento do fluxo de veículos leves em corredores utilizados intensamente por operações logísticas.

 

Para a FETCESP, a segurança no transporte não depende apenas do motorista, mas envolve toda a cadeia operacional, desde a gestão das empresas e o planejamento das operações até a qualidade da infraestrutura viária, a fiscalização e a conscientização dos diferentes usuários das rodovias. 


“A construção de uma cultura de segurança exige atuação contínua das empresas. Entre as principais boas práticas estão programas permanentes de treinamento e reciclagem, acompanhamento da jornada operacional, manutenção preventiva rigorosa da frota e utilização de tecnologias de monitoramento e telemetria. Hoje, muitas empresas já utilizam sistemas inteligentes capazes de acompanhar o comportamento de condução, frenagens bruscas, excesso de velocidade e padrões de risco em tempo real. Empresas que desenvolvem essa cultura conseguem reduzir acidentes, melhorar produtividade e criar um ambiente operacional mais eficiente e sustentável”, finaliza Panzan.

 

FETCESP - Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo foi fundada em 1989 com a finalidade de representar o Transporte Rodoviário de Cargas no Estado de São Paulo junto às autoridades em todos os níveis das administrações pública e privada federal e estadual. Por isso, atua como órgão técnico e consultivo no estudo de soluções de questões ligadas ao transporte. A Federação mantém comissões de trabalho formadas por empresários e assessorias jurídica e técnica especializadas. Os grupos participam de discussões sobre infraestrutura dos transportes, privatização das rodovias, terminais de cargas, tributos nas empresas de transportes, política trabalhista, acidentes no trabalho, roubo e desvio de cargas, multimodalidade, poluição veicular, legislação de trânsito e transporte de produtos químicos (perigosos), entre outros temas.


O colapso da Spirit Airlines e o que ele revela sobre o futuro da aviação acessível


A Spirit Airlines encerrou suas operações no início de maio. É o primeiro fechamento de uma companhia aérea americana de grande porte em quase 25 anos, e suas causas dizem muito sobre o momento delicado que o setor aéreo global atravessa. 

A causa imediata é conhecida: o preço do querosene de aviação praticamente dobrou desde o início do conflito no Irã. A Spirit havia projetado o galão de combustível a USD 2,24 para 2026. Em abril, o preço chegou a USD 4,51. Nenhum plano de reestruturação resiste a esse tipo de choque quando as margens de operação já estavam no limite. Companhias aéreas operam, nos melhores momentos, com rentabilidade entre 3% e 6%. Não há gordura para absorver uma variação dessa magnitude. 

Mas a causa estrutural é mais antiga. A Spirit não registrava lucro desde 2019. O modelo ultra baixo custo, que funcionou muito bem na década de 2010, perdeu tração após a pandemia. Passageiros passaram a priorizar conforto e experiência. As grandes companhias responderam com tarifas de economia básica que competiam diretamente com as low-cost carriers, retirando delas o principal argumento de venda: o preço. 

O que torna o momento ainda mais preocupante é que a Spirit pode não ser a última. David Neeleman, fundador da JetBlue Airways, declarou publicamente nesta semana que a companhia pode estar caminhando para a falência. Com o combustível a USD 4,50 o galão, projeções do JP Morgan apontam para um prejuízo de USD 1,3 bilhão para a JetBlue em 2026. A JetBlue não é uma low-cost tradicional: tem proposta de serviço reconhecidamente elevada. Mas opera em aeroportos regionais, com equipamentos menores e preços competitivos. E nenhuma grande companhia americana demonstrou interesse em adquiri-la. 

O que está em jogo, para além da sobrevivência de companhias específicas, é a estrutura competitiva de todo o setor. Nos Estados Unidos, quatro companhias já controlam cerca de 80% dos voos disponíveis. Com a Spirit fora e a JetBlue sob pressão, a concentração tende a aumentar. Em mercados com oferta de transporte aéreo praticamente inelástica, menos concorrência significa, historicamente, tarifas mais altas e menos opções para o passageiro. E isso não é uma previsão,mas um mecanismo de mercado. 

Essa equação tem implicações diretas para o Brasil, que é hoje o 10º maior mercado de viagens corporativas do mundo e tem a segunda maior infraestrutura aeroportuária do planeta, com mais de 2.400 aeroportos. O mercado brasileiro convive há anos com um oligopólio de fato, no qual poucas companhias concentram a oferta em um país de dimensões continentais. A memória do colapso da Varig, da Transbrasil e, mais recentemente, da Avianca Brasil, mostra que o setor doméstico não está imune a esses movimentos. 

O risco, no caso brasileiro, vai além da turbulência financeira das companhias. Se o número de players se reduzir ainda mais em um mercado onde a taxa de penetração aérea per capita ainda é baixa, o transporte aéreo pode se tornar economicamente inviável para uma parcela significativa da população. O avião, que nos últimos anos começou a deixar de ser privilégio de poucos, pode voltar a ser. E isso tem consequências que vão além do turismo: afeta o desenvolvimento regional, a integração econômica e a mobilidade de trabalhadores em um país onde o avião, em muitas rotas, é a única alternativa razoável de transporte. 

O colapso da Spirit é um sinal. Não apenas sobre os riscos de um modelo de negócio específico, mas sobre a fragilidade de um setor que o mundo inteiro depende para funcionar e que, mesmo assim, raramente recebe a atenção estratégica que merece.
 

Luiz Moura - especialista em turismo corporativo, membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP e do Conselho Executivo da Alagev, além de co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL - maior plataforma de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina.

 

Campanha global “Animal Safety” mobiliza organizações e sociedade para combater crueldade contra animais nas plataformas digitais

Mobilização internacional liderada pelo Instituto Ampara Animal pretende endurecer leis sobre crimes digitais envolvendo crueldade contra animais e pressionar plataformas por responsabilidade.


A organização brasileira Instituto Ampara Animal lançou a campanha global Animal Safety, uma mobilização internacional que pretende reunir organizações, protetores independentes, ativistas, especialistas e cidadãos para pressionar plataformas digitais a combater conteúdos que exibem ou incentivam maus-tratos contra animais. A iniciativa também busca promover mudanças legislativas que tornem mais rigorosa a responsabilização por crimes digitais relacionados à violência contra animais.

O movimento surge diante da crescente circulação de vídeos e transmissões que mostram exploração, tortura e morte de animais em ambientes online, muitas vezes impulsionados por algoritmos e transformados em conteúdo de entretenimento. Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da Polícia Civil de São Paulo, apontam que entre 10 e 15 animais são mortos ou submetidos a violência extrema por noite em transmissões, monitoradas pelas autoridades, especialmente em servidores privados no Discord e grupos fechados em aplicativos de mensagens. A campanha pretende chamar atenção para a responsabilidade das plataformas diante desse cenário e mobilizar a sociedade para exigir mecanismos mais eficazes de denúncia, remoção e prevenção desse tipo de material.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também relaciona os grupos investigados por crimes contra animais em plataformas digitais a práticas como indução à automutilação, estupro virtual, incentivo ao suicídio, exploração sexual de adolescentes e apologia à violência extrema. Segundo as investigações conduzidas pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), esses ambientes funcionam como redes organizadas de violência, nas quais o sofrimento animal é frequentemente utilizado como mecanismo de dessensibilização e escalada para outros crimes. 

“A internet não pode continuar sendo um ambiente onde a crueldade vira conteúdo e gera engajamento. A campanha Animal Safety nasce para unir a sociedade e pressionar por mudanças reais. Precisamos endurecer as leis e responsabilizar quem produz e quem permite que crimes contra animais sejam exibidos e incentivados nas plataformas digitais”, afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.

 

Como parte da estratégia institucional da campanha, os organizadores concluíram a redação de um Projeto de Lei (PL 1043/2026) voltado ao enfrentamento de crimes digitais envolvendo maus-tratos contra animais. O texto foi entregue ao deputado federal Matheus Laiola, conhecido por sua atuação na causa animal. A equipe do parlamentar demonstrou interesse e promoveu uma audiência pública para discutir o tema com especialistas, representantes da sociedade civil e autoridades, realizada na Câmara dos Deputados, no Brasil. Durante o debate, foram apresentados dados indicando mais de 83 mil links com conteúdos de maus-tratos compartilhados em plataformas digitais em 2024, além de relatos da Polícia Civil de São Paulo sobre transmissões ao vivo envolvendo violência contra animais e jovens coagidos por criminosos em redes sociais e aplicativos. Os participantes cobraram respostas mais rápidas das plataformas digitais e avanços na legislação.

 

Paralelamente ao avanço legislativo, a campanha estruturou sua presença digital. A equipe desenvolveu uma landing page do movimento. A página funcionará como o principal hub de informações da campanha, reunindo dados, materiais educativos e orientações para mobilização de organizações e cidadãos em diferentes países.

 

Outra frente importante será a mobilização popular. A campanha está lançando uma petição internacional na plataforma Change.org, com a meta de alcançar um milhão de assinaturas em apoio à criação de políticas mais rigorosas contra conteúdos de crueldade animal nas redes e plataformas digitais.

 

A iniciativa também começa a ganhar adesões institucionais. Os organizadores anunciaram a formação de uma coalizão com a Social Media Animal Cruelty Coalition (SMACC), ampliando a rede de organizações que apoiam a campanha e fortalecendo o esforço coletivo para pressionar empresas de tecnologia e autoridades públicas. Dados recentes reforçam a gravidade do problema. Em 2024, a SMACC identificou mais de 83 mil links contendo conteúdo de crueldade animal em 11 grandes plataformas digitais. No Brasil, registros da Polícia Civil de São Paulo indicam que os casos de maus-tratos contra animais veiculados na internet cresceram 120% entre 2024 e 2026. Segundo dados apresentados pelo NOAD, os registros passaram de 175 casos em 2024 para 340 em 2025, com crescimento contínuo das investigações em 2026.

 

Além das ações institucionais e legislativas, a campanha contará com uma forte estratégia de comunicação. Está prevista a produção de um vídeo oficial da campanha, com o apoio de artistas, influenciadores e formadores de opinião nacionais e internacionais, que devem ajudar a ampliar a visibilidade da mobilização e sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do problema.

 

A campanha também terá como referência técnica e institucional o trabalho da delegada Lisandréa Salvariego, da Polícia Civil de São Paulo, cuja atuação no combate a crimes digitais têm revelado a dimensão da violência que ocorre em ambientes online. Enquanto a maioria das famílias dorme, Salvariego monitora jogos, chats e redes sociais onde crianças e adolescentes participam de desafios violentos.

 

Nas telas observadas pela delegada, sessões de abuso sexual, automutilação e tortura — incluindo a tortura e o assassinato de animais — acontecem diariamente e muitas vezes são transmitidas ao vivo. Integrante do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Polícia Civil paulista, Salvariego atua no mapeamento de autores, vítimas e ambientes digitais, identificando padrões de comportamento nesses grupos. Segundo as investigações conduzidas pelo núcleo, cerca de 90% dos autores identificados são adolescentes e jovens, enquanto aproximadamente 90% dos animais vítimas desses crimes são gatos, principalmente filhotes. Os investigadores também identificaram conexões entre esses grupos e crimes como incentivo à automutilação, estupro virtual, exploração sexual de menores e apologia à violência extrema.

 

As investigações conduzidas pelo núcleo revelam estruturas organizadas nesses ambientes online, com presença de discurso de ódio, hierarquias internas entre participantes e até sistemas de recompensa baseados no sofrimento de vítimas humanas e animais. Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, “os maus-tratos são a porta de entrada para outros crimes”. Para os organizadores da campanha, esses dados evidenciam a urgência de políticas públicas e legislações capazes de enfrentar o problema de forma mais contundente.

 

Com alcance internacional, a campanha Animal Safety pretende unir organizações e ativistas de diferentes países em torno de um objetivo comum: impedir que a internet continue sendo um espaço de normalização da violência contra animais e garantir que plataformas digitais assumam responsabilidade diante desses crimes.

Assine o abaixo-assinado e faça parte da mudança: Assine aqui


Reta final do Imposto de Renda 2026: especialista alerta para erros que podem levar contribuintes à malha fina

Com o prazo final da entrega do Imposto de Renda 2026 se aproximando, milhões de brasileiros ainda não enviaram a declaração à Receita Federal. Segundo dados divulgados pela Receita Federal, mais de 40% dos contribuintes obrigados a declarar ainda não haviam realizado o envio da documentação nesta reta final, aumentando a preocupação com atrasos, erros e riscos de cair na malha fina. 

O contador, tributarista e mestre em Negócios Internacionais André Charone alerta que deixar para os últimos dias aumenta significativamente o risco de inconsistências fiscais e problemas futuros. 

Segundo Charone, um dos principais equívocos cometidos pelos contribuintes na reta final é a pressa. “Muitas pessoas acabam esquecendo informes bancários, omitindo rendimentos extras ou lançando despesas médicas sem comprovação adequada. A Receita Federal hoje possui sistemas altamente cruzados e automatizados, o que torna a fiscalização muito mais eficiente”, explica. 

A Receita Federal mantém o foco em inconsistências envolvendo movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, despesas médicas elevadas, recebimentos via PIX, investimentos, ganhos com aluguel, operações em bolsas de valores e rendimentos de trabalho informal ou digital. Especialistas também reforçam que trabalhadores autônomos, influenciadores digitais, MEIs e profissionais liberais estão entre os grupos mais monitorados neste ano. 

De acordo com André Charone, outro erro recorrente é acreditar que pequenos valores não precisam ser declarados. “Hoje a Receita cruza dados bancários, cartões, operadoras financeiras e diversas outras bases digitais. O contribuinte precisa entender que transparência é sempre o melhor caminho”, afirma. 

O especialista orienta que os contribuintes revisem cuidadosamente documentos como informes de rendimento, recibos médicos, comprovantes educacionais, investimentos, financiamentos e dados de dependentes antes do envio da declaração. Também é fundamental verificar se despesas dedutíveis realmente se enquadram nas exigências legais previstas pela Receita Federal. 

Charone lembra ainda que quem perder o prazo está sujeito à multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a até 20% do imposto devido, além de juros. “Mesmo quem não tiver todos os documentos organizados deve enviar a declaração dentro do prazo e posteriormente fazer uma retificação, se necessário. A multa por atraso pode ser muito mais prejudicial”, alerta. 

O contador destaca ainda que a declaração pré-preenchida pode ajudar a reduzir erros, mas não elimina a responsabilidade do contribuinte pela conferência das informações. “A declaração pré-preenchida é uma ferramenta importante, porém os dados precisam ser revisados. Informações incompletas ou divergentes continuam sendo responsabilidade de quem declara”, completa. 




André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone

 

Afastamentos por saúde mental sobem 5 pontos percentuais em dois anos e atingem principalmente jovens, revela Serasa Experian

·      69,1% dos brasileiros dizem estar abertos a mudar de carreira nos próximos anos;

·      Preferência pela CLT chega a 92,6% na Geração Z, mas cai para 50% entre Baby Boomers;

·      Entre Baby Boomers, 36,8% pretendem trabalhar enquanto tiverem saúde e disposição;

·      Valorização da experiência (39,7%) e investimento em saúde e bem-estar (38,5%) são os principais fatores para permanecer ativo no mercado.


Os afastamentos do trabalho por questões de saúde mental cresceram de 15% em 2023 para 20,1% em 2025. O dado faz parte da pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil, mapeamento realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. O avanço é observado em todas as gerações, com maior incidência entre os profissionais mais jovens. 

Segundo o mapeamento, em 2025, 30,6% da Geração Z afirmam já ter solicitado afastamento por questões de saúde mental, frente a 28,3% em 2023. Entre os Millennials, o índice subiu de 13% para 18,8% no período. Já na Geração X, o percentual passou de 15,5% para 17,5%, enquanto entre os Baby Boomers houve o maior crescimento proporcional, de 10,2% para 18,4%. Veja os comparativos no gráfico e tabela abaixo:


A gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, explica que o tema deixou de ser pontual e passou a exigir respostas estruturais das empresas. “O crescimento dos afastamentos por saúde mental reflete pressões mais intensas no ambiente de trabalho, como jornadas prolongadas, dificuldade de desconexão, insegurança em relação ao futuro profissional e desafios de adaptação no início e no meio da carreira. Esses fatores se acumulam ao longo do tempo e ajudam a explicar o aumento dos afastamentos observado nos últimos anos”, afirma.

 

Discurso avança, mas prática não acompanha

 

Para 59,9% dos entrevistados, as organizações falam sobre saúde mental, mas adotam práticas contraditórias no cotidiano. Outros 23,8% nem concordam nem discordam dessa afirmação, enquanto 16,3% discordam. Além disso, apenas 28,2% afirmam se sentir confortáveis para falar sobre saúde mental e bem-estar no trabalho. Em contrapartida, 47,7% discordam dessa afirmação e 24,1% se posicionam de forma neutra.

 


O que os profissionais esperam das empresas


Quando questionados sobre quais ações poderiam melhorar a saúde mental no trabalho, as principais demandas em 2025 são: práticas que inibam excessos e assédio (45,2%), jornadas de trabalho flexíveis (43%) e capacitação da liderança para conversas abertas sobre saúde mental (42,3%).

 

As prioridades variam por geração. A Geração Z destaca a flexibilidade da jornada de trabalho (45,7%) como principal medida para melhorar o cenário. Já entre os Baby Boomers, ganham peso a criação de canais formais de ajuda (51,5%) e a capacitação da liderança (50%), reforçando a importância de apoio institucional e preparo gerencial. 


Fernanda destaca que os dados dialogam com práticas que as empresas podem adotar e que já fazem parte da realidade da Serasa Experian. “Flexibilização de jornada, canais estruturados de escuta e investimento consistente no desenvolvimento das lideranças são fundamentais. Na Serasa Experian, além de ampliarmos os programas de formação de líderes, contamos com uma frente específica dedicada à saúde mental dentro dessa jornada de desenvolvimento. Também estamos atuando fortemente na adequação à NR-1, reforçando nosso compromisso com um ambiente de trabalho psicologicamente seguro. Entendemos que saúde mental está diretamente ligada à cultura, à forma como a liderança atua e às oportunidades reais de crescimento e aprendizado oferecidas aos profissionais”, afirma. 


NR-1 reforça importância de ambientes psicologicamente seguros

 

Os dados do estudo também ganham relevância diante da atualização da NR-1, norma regulamentadora do Ministério do Trabalho que amplia a atenção das empresas aos riscos psicossociais no ambiente corporativo. O cenário reforça que temas como saúde mental, prevenção de excessos, qualidade das relações de trabalho e preparo das lideranças tendem a ganhar ainda mais relevância nas estratégias corporativas nos próximos anos.

 

As principais demandas apontadas pelos profissionais na pesquisa, como práticas que inibam excessos e assédio, jornadas mais flexíveis e lideranças preparadas para conversas abertas sobre saúde mental, mostram que os colaboradores esperam medidas mais estruturadas e permanentes dentro das organizações.

 

Sobre a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil

 

Os dados fazem parte da série Panorama do Trabalho, mapeamento realizado pela Serasa Experian para analisar diferentes aspectos da relação entre profissionais e empresas no país. O levantamento que compõe este capítulo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A amostra é representativa da população pesquisada e a margem de erro do estudo é de 3%.

 


Experian
experianplc.com


O profissional como obra inacabada: a nova moeda de troca do mercado

A atualização recorrente é a única garantia de que o conhecimento formal não se tornará um peso morto

 

Você é uma obra concluída ou um projeto em construção? A ideia de que a formação profissional possui um rito de passagem, com data de início e conclusão, tornou-se um anacronismo perigoso. No cenário atual, a diplomação não é mais o destino, mas apenas o ponto de partida de uma jornada que o filósofo Heráclito já antecipava há milênios: a única coisa constante é a mudança. No entanto, o que vemos hoje não é apenas uma mudança linear, mas uma aceleração exponencial impulsionada pela inteligência artificial e pela automação, que exige do profissional contemporâneo uma postura de “obra sempre inacabada”. Para manter a relevância em um mercado que abomina a estagnação, o conceito de ‘lifelong learning’, o aprendizado ao longo de toda a vida, deixa de ser um diferencial competitivo para se tornar uma estratégia de sobrevivência e liberdade profissional. 

Essa necessidade de aperfeiçoamento constante vai muito além do acúmulo de certificados ou do domínio de novas ferramentas técnicas. O verdadeiro divisor de águas reside nas chamadas ‘soft skills’: a inteligência emocional, a capacidade decisória e o pensamento crítico. São essas habilidades socioemocionais que humanizam a tecnologia e permitem que o profissional deixe de ser um mero executor de tarefas para se tornar um gerador de soluções. Quando um indivíduo decide investir em seu autodesenvolvimento, ele altera sua própria valoração de mercado. Ele deixa de ser um custo para a organização e passa a ser um ativo estratégico, ganhando o que há de mais valioso na carreira moderna: a autonomia. O profissional que aprende a aprender, torna-se menos dependente de um cargo ou de um único empregador, pois sua segurança não reside na estabilidade de um contrato, mas na sua capacidade inesgotável de se reinventar. 

Muitos ainda se escondem sob a “Síndrome de Gabriela”, (eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim), acreditando que o jeito de ser e de trabalhar que os trouxe até aqui será o mesmo que os levará ao futuro. Essa resistência à mudança é o caminho mais rápido para a obsolescência. Em setores de alta performance, a experiência acumulada só tem valor se estiver acompanhada de uma capacidade de atualização presente. As empresas não buscam apenas currículos extensos, mas mentes flexíveis, capazes de mapear suas próprias vulnerabilidades e antecipar tendências. É preciso compreender que o mercado de trabalho funciona como uma metamorfose ambulante; quem se recusa a acompanhar o ritmo das inovações acaba nadando contra uma correnteza que não perdoa a inércia. 

Portanto, o aperfeiçoamento contínuo deve ser encarado como um movimento voluntário e automotivado, que transcende os muros acadêmicos e invade a cultura digital diária. Seja através de webinars, leituras técnicas ou imersões em novas metodologias, o foco deve estar na construção de uma trajetória que seja, ao mesmo tempo, produtiva e realizadora pessoalmente. Como bem pontuou Conrad Hilton, (que foi o fundador da rede Hilton Hotels e pioneiro da indústria hoteleira), o sucesso está intrinsecamente ligado à ação e ao movimento constante. Aqueles que permanecem em movimento, ainda que cometam erros no percurso, são os que conseguem abrir caminhos inéditos para a evolução do trabalho. No fim do dia, a atualização recorrente é a única garantia de que o conhecimento formal não se tornará um peso morto, mas sim o combustível para uma carreira consolidada, resiliente e, acima de tudo, indispensável. 


Bruno Rosa - engenheiro eletricista e managing director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. Há mais de uma década tem se dedicado ao estudo da neurociência e comportamento, estabelecendo padrões práticos baseados em conceitos dos maiores especialistas do mercado. A partir dessa experiência e vivências internacionais criou e aperfeiçoou uma metodologia inovadora baseada em situações de dentro e fora de empresas.
https://domperf.com.br/


Belo Horizonte é a capital mais inadimplente do Brasil; João Pessoa, a menos, aponta pesquisa da FecomercioSP

Seis em cada dez famílias da capital mineira começaram 2026 com contas atrasadas; endividamento também volta a subir no País

 

A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, é, hoje, a mais inadimplente do Brasil, apontam os números da Radiografia do Endividamento de 2026, estudo realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Seis em cada dez famílias da cidade (65%) tinham uma conta vencida no início de 2026 — bastante à frente de outras quatro capitais que completam o ranking: Manaus (AM), onde 49% dos lares estavam inadimplentes, Fortaleza (CE), com 48%, Goiânia (GO) e Distrito Federal, 42%.

 

Belo Horizonte, na verdade, vê seu indicador aumentar a cada ano: no fim de 2023, a porcentagem de famílias nessa condição era de 50% na cidade. Um ano depois, chegou a 55% e, agora, subiu 10 pontos porcentuais (p.p.) [tabela 1].

Em Manaus, ao contrário, a taxa era de 51% em 2023, regrediu para 41% um ano depois e, agora, voltou a subir significativamente. Em Goiânia, a margem permaneceu estável nos dois anos de análise.

Do lado oposto, João Pessoa (PB) é a capital brasileira menos inadimplente: só 12% das famílias estavam com dívidas vencidas no começo do ano. A cidade está perto da situação de Curitiba (PR), com 14% de lares nessa condição, Belém (PA) e Cuiabá (MT), com 16%, e São Paulo (SP), com 20%.

Na média do País, quase um terço (29%) das famílias entrou em 2026 com ao menos uma dívida em atraso. 

Na leitura da FecomercioSP, embora a média indique certa estabilidade, algumas capitais — como Belo Horizonte — já vivem uma situação grave. Se o crédito ocupa lugar central no orçamento doméstico das famílias brasileiras, os dados apontam para uma centralidade ainda mais decisiva dessa modalidade na composição da renda dos lares, o que, no futuro, pode levar à deterioração financeira nesses lares.

 

[TABELA 1]

Famílias com dívidas atrasadas nas capitais brasileiras (%)

Fonte: FecomercioSP.

 

Ainda segundo a FecomercioSP, embora tenha havido certo equilíbrio na renda das famílias brasileiras em 2025, a expansão das dívidas cresceu na mesma magnitude, o que deve pressionar a capacidade de pagamento de suas despesas no futuro próximo. Não sem razão, o governo oferece como alternativa uma nova moldura para o programa Desenrola.

 

Mais gente endividada


Os dados da Radiografia do Endividamento de 2026 também mostram que a quantidade de famílias com dívidas voltou a subir no Brasil: de 78% em 2023, diminuiu para 76% em 2024 e, agora, chegou a oito em cada dez lares (80%). Da mesma forma, as situações mais preocupantes ocorrem em capitais como Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE), além de Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ) [tabela 2].

 

[TABELA 2]

Famílias com dívidas nas capitais brasileiras (%)

Fonte: FecomercioSP



 

Na contramão, estão capitais bastante diferentes entre si, como Macapá (AP) e São Paulo (SP), ambas com 69% de famílias endividadas. Enquanto a primeira é uma cidade de menor porte, com aproximadamente 500 mil habitantes, a outra é a maior metrópole do País e da América do Sul. Esse ranking tem ainda Campo Grande (MS) e Belém (PA), com 70% de endividamento, e Florianópolis (73%).

 

Entretanto, em dados absolutos, a capital paulista é a que reúne mais famílias nessas circunstâncias: são 2,87 milhões de lares, muito à frente do Rio de Janeiro (RJ), com 2,09 milhões, e do Distrito Federal (DF), com 779,7 mil.

Considerando que o Brasil ganhou 1 milhão de novas famílias endividadas nesse período (de 11,98 milhões em 2023 para 12,96 milhões atualmente), é possível dizer que o fenômeno é mais generalizado do que demográfico, embora os efeitos estejam espalhados de formas distintas pelas capitais. Trata-se de uma expansão que pressiona o sistema de crédito do País, colocando o futuro próximo sob risco.


Inadimplência explode em João Pessoa e regride em Boa Vista


Mesmo que a capital paraibana ainda seja a menos inadimplente do País, a situação deteriorou-se nos últimos dois anos na cidade — em 2023, apenas 5% das famílias tinham dívidas atrasadas, taxa que foi para 12% no fim de 2025. O salto foi de 151%, segundo os dados da Radiografia do Endividamento [tabela 3].

 

[TABELA 3]

Maiores variações dos indicadores por capitais brasileiras (%)

Fonte: FecomercioSP.



 

[TABELA 4]

Menores variações dos indicadores por capitais brasileiras (%)

Fonte: FecomercioSP.


Nenhuma outra metrópole brasileira teve uma elevação tão expressiva. Goiânia (GO), na segunda posição, viu sua taxa de inadimplência crescer 41% ao longo desse período, enquanto Florianópolis teve aumento de 38%.

Por outro lado, Boa Vista (RO), diminuiu a proporção de inadimplentes em 26%, enquanto Porto Alegre (RS) registrou queda de 22% [tabela 4].

 

Diante dos dados, a FecomercioSP entende ser importante fortalecer as políticas de educação financeira da população, conscientizando as famílias sobre os usos do crédito e quanto à organização mais adequada do orçamento doméstico. O cenário de endividamento — e inadimplência, sobretudo — é prejudicial para o consumo e, de certa forma, para a economia do Brasil. Evitar a deterioração desse quadro é essencial.


 

Desenrola 2.0 tem limitações estruturais


Embora o Novo Desenrola Brasil busque ampliar o acesso à renegociação de débitos, principalmente modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), há elementos que sugerem limitações relevantes quanto à sua efetividade.

 

O ambiente econômico é o principal desafio: juros elevados, inflação persistente e alta carga tributária, que mantêm consumidores perto do limite financeiro e dificultam soluções duradouras para a alta inadimplência, sobretudo em certas capitais.

 

Apesar de ter proporcionado um nível razoável de renegociação, o programa de 2024 tinha limitações que restringiram a adesão e sua capacidade de resolver, de forma estrutural, a situação, como o acesso difícil à plataforma Gov.br, ou a concorrência com feirões de negociação já consolidados e a restrita capacidade de pagamento da população, mesmo diante de descontos expressivos.

 

Há, agora, mudanças relevantes, como a comunicação direta entre consumidor e instituição financeira, sem necessidade de intermediação do Gov.br. Contudo, o governo passa a atuar como garantidor desse crédito, por meio do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Caso o inadimplente deixe de pagar o valor renegociado, o Poder Público cobre o não pagamento. São R$ 2 bilhões iniciais, com potencial de ampliação para até R$ 5 bilhões mediante autorização do Executivo, além de outros R$ 8 bilhões de recursos atualmente parados no sistema financeiro. Em outras palavras, a sociedade, de alguma forma, participa do financiamento do programa.

 

O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas também pode gerar alívio imediato, mas não é solução para o desequilíbrio estrutural das contas, podendo resultar em inadimplência posterior, mas com menor proteção financeira.

 

Outro ponto importante é a restrição, por 12 meses, do acesso a plataformas de apostas online para participantes do programa. Ainda que a medida dialogue com preocupações legítimas sobre o comprometimento da renda com jogos, pode desestimular uma adesão de parte do público-alvo diante da percepção de que novos programas de renegociação surjam no futuro.

 


FecomercioSP
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Humor, identidade e papel: como o varejo está mudando para falar com a Geração Z e Alpha

 

Marcas transformam itens antes apenas funcionais em objetos de autoexpressão; movimento aparece da moda à papelaria e já influencia lançamentos no setor


O varejo que quer conversar com as Gerações Z e Alpha está ficando menos neutro, mais autoral e, em muitos casos, mais irônico. Em um ambiente marcado pelo excesso de estímulos digitais e pela busca por experiências mais autênticas, o humor e a sensorialidade passam a pesar na decisão de compra. A Vogue Business aponta a unseriousness como um macrocomportamento de 2026, com humor mais esquisito, mais irônico e menos polido, enquanto a WGSN (Worth Global Style Network) relaciona o great exhaustion ao desgaste emocional e mental do ambiente on-line, especialmente entre os mais jovens.

Mesmo altamente conectadas, essas gerações não compram no automático. Segundo a PwC, 97% das crianças de 7 a 14 anos decidem o que comprar sozinhas ao menos algumas vezes; 61% dizem que as redes sociais despertam desejo de compra — e esse público passa, em média, 3,6 horas por dia em telas para lazer. Ou seja, a descoberta de marcas e produtos hoje nasce, cada vez mais, do conteúdo, do entretenimento e da linguagem.

Entre os consumidores da Geração Z, o comportamento é mais sofisticado. Pesquisa da Archrival indica que 71% dizem estar sempre abertos a descobrir novas marcas. Ao mesmo tempo, 70% só confiam nas marcas depois de fazer a própria pesquisa; 56% acreditam que marcas muitas vezes mentem sobre produtos ou serviços; e apenas 40% dizem confiar nas alegações das empresas. Trata-se de uma geração aberta à novidade, mas mais cética em relação à publicidade tradicional.

Isso não significa que a experiência física esteja enfraquecendo — pelo contrário: outro estudo da Archrival mostra que 74% da Geração Z considera as experiências presenciais mais importantes do que as digitais, e 73% preferem concluir compras nas lojas. Em outras palavras: o digital inspira, mas o vínculo e a experimentação seguem  ligados ao mundo real.

Esse movimento já é percebido na prática por empresas do setor de papelaria, que acompanham a mudança de comportamento do consumidor e ajustam seus portfólios. A BRW Suprimentos — empresa que atua nos segmentos educacional, corporativo e artístico — identifica uma transição do consumo funcional para o consumo guiado por identidade e por experiência dentro da categoria.

“O varejo de material escolar já não disputa só por preço. Ele disputa por experiência, percepção de valor e capacidade de gerar identificação. O consumidor quer circular entre o físico e o digital com naturalidade, e isso muda a lógica da venda”, afirma o professor doutor em Administração e pesquisador de comportamento do consumidor, Sérgio Czajkowski Jr.

Um movimento em ascensão é o stationery, no qual a antiga necessidade de canetas, cadernos e planners passa a ser parte de um estilo de vida. Produtos de pelúcia e linhas antiestresse demonstram que a papelaria não precisa ser apenas visual e pode se tornar um elemento de conforto no cotidiano. As projeções de mercado reforçam esse movimento: a Grand View Research estima que o mercado global de papelaria atinja US$ 151,96 bilhões até 2030.

Na prática, isso significa que o varejo precisa vender mais do que função. É nesse ponto que a BRW Suprimentos enxerga espaço para produtos como a linha Divertida, que leva humor para itens de organização e escrita, como as canetas Crazy Fluffles ou os Smart Notes. A empresa relaciona esse movimento à chamada papelaria afetiva, em que o material também funciona como extensão da personalidade de quem usa. Atualmente, a BRW reúne mais de 2 mil itens em portfólio, disponíveis em cerca de 20 mil pontos de venda em cinco países da América do Sul.

“O varejo, se quer se adaptar às novas preferências dos consumidores e inovar seu espaço no mercado, deve sair da neutralidade e entregar produtos com mais personalidade e humor”, aponta o fundador e CEO da BRW Suprimentos, Bruno Borgonovo.

A mudança também passa pela forma como as marcas constroem relevância. Segundo a Vogue Business, a reação ao excesso de conteúdo algorítmico e ao chamado AI slop deve ampliar, em 2026, o valor percebido de imperfeição, autoria, humanidade e intenção visível.

Para o varejo, isso ajuda a explicar a força de produtos com textura, edição estética, humor, design menos engessado e potencial de personalização — atributos que aproximam o item do repertório cultural do consumidor. “A linha Divertida, da BRW, assim como outros produtos da marca, traz justamente essa busca pela autoexpressão e pela experiência que o consumidor das novas gerações valoriza. Isso gera mais conexão e, consequentemente, mais fidelidade à marca”, completa Borgonovo.

No fim, o que muda é menos a categoria e mais a régua de relevância. Canetas, blocos adesivos e cadernos continuam resolvendo necessidades práticas, mas, para a Geração Z e a Alpha, também precisam gerar identificação, conversa e desejo de compartilhamento. 

Para um varejo pressionado pelo excesso de oferta e pela baixa atenção, o desafio já não é apenas vender um item, mas criar um objeto com linguagem suficiente para sair da prateleira e entrar na cultura.

 

BRW Suprimentos

 

Podemos esperar uma nova revolução cubana?


A vida em Cuba não está nada fácil. O exercício de sufocamento a que está submetido o regime cubano e, pior ainda, o povo cubano, ganhou em 20 de maio mais um impulso. Marco Rubio, o Secretário de Estado dos EUA (cargo equivalente ao de Ministro de Relações Exteriores, no Brasil), fez um discurso em espanhol, um recado direto aos moradores da ilha. Sua fala tratou da aposta numa “nova Cuba”, em que a soberania residiria (ou residirá) no próprio povo cubano e não na oligarquia militar do país. Para incentivar, a proposta de enviar aos cubanos USD 100 milhões. É quase, ou é mesmo, uma fala de coragem e de esperança. Mas, cabe reflexão. Sempre.

A fala de Rubio foi em tom sereno, manifestando importar-se com o povo cubano. Falar em espanhol, imputar a situação de penúria em que se encontra Cuba e exortar o povo cubano a tomar as rédeas de sua vida civil e política é mais do que discurso normativo e voltado a um mundo de liberdade, de escolha e de autodeterminação. É tudo isso, sem dúvida. Mas, é também a parte razoável da gestão Trump nessas constantes demonstrações de morde e assopra. O difícil é saber a ordem dos movimentos: por último, Trump vai morder ou assoprar?

Se é fácil compreender que o governo norte-americano morde e que assopra, difícil é saber o que se fará no final. No caso da Groenlândia, após ameaças de tomar o território ou de comprá-lo, Trump assoprou – dada a resistência dos europeus. No caso da Venezuela, quando fez a extração do presidente Maduro, mordeu. Com o Irã e a situação no Estreito de Ormuz, o movimento é mais complexo, porém, definitivamente, não mordeu: não mobilizou tropas no terreno em conflito aberto com o Irã. Com a China, na última semana, também foi mais sossegado e otimista: assoprou.

Mas, Cuba é diferente. Como disse uma vez Porfirio Díaz, então presidente e ditador mexicano no final do século XIX, “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos EUA”. Cuba está muito perto dos EUA. Situada no chamado Triângulo de Mahan ou Triângulo do Caribe, Cuba constituiu ameaça existencial aos EUA por aproximadamente 40 anos, quando o mundo estava ainda na guerra fria, e americanos e soviéticos disputavam o poder mundial. Essa é a primeira consideração: os EUA estão mais propensos a morder que assoprar.

No já avançado fim da guerra fria, três décadas atrás, ocorreram duas coisas, talvez uma em função da outra. Um desinteresse dos EUA pela América Latina e Caribe, talvez em função do “desencantamento do mundo” e de uma política americana de smart power (estar presente onde importa e não em todo o mundo) nas primeiras duas décadas dos anos 2000. Isso, curiosamente ou não, foi acompanhado pelo movimento de onda rosa e seus governos progressistas na região, que favoreceu narrativas e posicionamentos políticos contra-hegemônicos. Essa é a segunda consideração: a famosa “negligência salutar” dos EUA em relação à América Latina e Caribe.

Por sua vez, a aproximação da China com a região incentivou que a posição política, de afastamento também da região em relação aos EUA, fosse complementada pela aproximação político-ideológica (comunista) e econômica (liberal) chinesa. Agora, a maior parte dos países da região tem na China o seu maior parceiro comercial naquilo que foi a ampliação da Nova Rota da Seda chinesa, agora, chegando até aqui sob o olhar pouco atento dos EUA. Mas, num mundo de recursos escassos, de pandemia, de cadeias globais de valor de reestruturando em movimento de re-shoring, near-shoring e friend-shoring, o Tio Sam “colocou suas barbas de molho”. Essa é a terceira consideração: com a complicada e sensível logística global, “o império contra-ataca” e os EUA se voltam à América Latina e Caribe.

Ainda, cabe considerar a imagem que nos passa o líder norte-americano: ousado, vaidoso, feroz e audaz; muito corajoso, um tanto inconsequente (será?); no mínimo, polêmico, senão, incompreendido. Cabem muitos adjetivos a Trump. Cabe também o senso de oportunidade a ele e à sua equipe. Talvez seja a hora de haver entendido a distribuição do poder mundial ou sua redistribuição em curso para cuidar da questão cubana - já se cuidou da venezuelana. Neutralizar ou dificultar a presença chinesa na região é objetivo estratégico maior dos EUA. É menos sobre Cuba, mas aquilo que Cuba pode significar de projeção de poder chinês. Essa é a quarta consideração: “China, go home!”. Para os EUA, é necessário afastar a China.

Mas, por que fazer isso mordendo se é possível fazer assoprando? A tentativa fracassou, até agora, no Irã, quando os EUA tentaram encorajar o povo iraniano contra um regime democrático-ditatorial-militar. Não deu certo. Mas, será que não pode dar certo com Cuba? Afinal, quem se importa com Cuba? China, Irã, Rússia, Coreia do Norte? Venezuela está cooptada e não é mais um apoio político e econômico ao país. México foi convencido a cortar seu apoio de petróleo à Cuba. E aqueles que estão fora da região têm muito pouco a ganhar ou têm outras prioridades. Cuba importa aos EUA, isso, sim!

Mas, Cuba também importa aos cubanos! E é isso o que Marco Rubio está tentando dizer com tom emocional, quase cativante e, também, pragmático: que ao povo cubano, cabe seu próprio destino. Isso pode aproximar Cuba dos EUA e, ao invés de uma invasão e ocupação americana na ilha cubana, acabar se transformando numa arriscada e desastrosa aventura. Trump não está mordendo Cuba, ainda. E isso é a janela de oportunidade ou para o regime cubano entender o movimento norte-americano e se proteger – mas, como se não dispõe de recursos suficientes? – ou para o povo cubano fazer uma nova revolução e fazer surgir uma nova Cuba.

Leo Braga - Professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio


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